IPCA

IPCA vem acima das projeções e aumenta pressão para BC interromper queda dos juros; o que pesou?

12 jun 2026, 12:34 - atualizado em 12 jun 2026, 12:34
IPCA-15 inflação petróleo
(Imagem: Gadini/pixabay)

A inflação oficial do Brasil voltou a surpreender o mercado em maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, acima da mediana das projeções, de 0,55%, acumulando alta de 4,72% em 12 meses.

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Embora a diferença em relação às estimativas tenha sido pequena, economistas destacam que alguns componentes específicos explicam o resultado acima do esperado, principalmente energia elétrica, combustíveis e alimentos. Ao mesmo tempo, a abertura dos dados trouxe algum alívio ao mostrar uma desaceleração em serviços e núcleos mais ligados à demanda doméstica.

Para Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, a surpresa altista esteve concentrada em fatores pontuais. “As principais pressões vieram de condições desfavoráveis de oferta, itens voláteis e uma devolução menor dos combustíveis, refletindo uma marca inflacionária associada ao conflito no Oriente Médio”.

Segundo ele, apesar do número cheio mais forte, a composição foi melhor do que sugere a manchete do indicador.

A avaliação é compartilhada por Leonardo Costa, economista do ASA. Para ele, a principal surpresa em relação às projeções da casa veio justamente dos preços administrados. “Em relação à nossa projeção, a surpresa para cima veio em combustíveis e energia elétrica“.

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A energia elétrica residencial subiu 3,67% em maio, tornando-se o item de maior impacto individual do índice, refletindo a bandeira tarifária amarela e reajustes em diversas capitais.

No caso dos combustíveis, apesar da queda observada no mês, o economista observa que ela foi menor do que os analistas projetavam.

O diagnóstico também aparece na análise do Goldman Sachs. “O IPCA de maio veio acima do consenso, mas a composição da inflação foi um pouco mais benigna do que o número cheio sugere, já que a surpresa altista ficou concentrada nos preços administrados, especialmente pela queda menor do que a esperada da gasolina e pelo aumento maior do que o previsto das tarifas de energia elétrica”, escreveu o banco.

Segundo o Goldman, o grupo Transportes surpreendeu negativamente justamente por conta do comportamento dos combustíveis, enquanto os preços de alimentos vieram ligeiramente melhores do que o esperado.

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Alimentos seguem pressionando

Se energia e combustíveis explicam boa parte da surpresa, os alimentos continuam sendo um dos maiores focos de preocupação dos economistas. A alimentação no domicílio avançou 1,65% em maio, puxada por produtos como batata, tomate, cebola, leite, arroz e carnes.

O banco BV vê um quadro mais preocupante para o grupo. “A gente vê uma aceleração muito importante na margem. A inflação de alimentos, olhando a média dos últimos três meses anualizada e descontados os fatores sazonais, roda próxima de 13,6%”, afirmou Carlos Lopes, economista da instituição.

Apesar disso, o Goldman Sachs observou que tanto a alimentação dentro quanto fora do domicílio vieram ligeiramente abaixo das projeções da instituição, compensando parcialmente as surpresas vindas dos preços administrados.

Serviços aliviam, mas continuam elevados

Um dos pontos mais observados pelo Banco Central foi a evolução dos serviços, considerados um dos melhores termômetros da demanda doméstica e do mercado de trabalho. Nesse aspecto, o resultado trouxe algum alívio.

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“Os componentes mais ligados à demanda e ao mercado de trabalho, que tendem a ser mais persistentes, vieram abaixo do esperado”, avaliou o economista da Genial.

O ASA também destacou o comportamento mais benigno dos serviços. “O destaque positivo ficou com o núcleo de serviços, que veio um pouco mais fraco que o esperado, com serviços pessoais perdendo força na margem.”

O Goldman Sachs foi na mesma direção, observando que a inflação de serviços ficou em 0,40%, abaixo do consenso de mercado. Apesar disso, o banco americano ressaltou que as pressões continuam elevadas.

Pelos cálculos do Goldman, a inflação dos serviços mais sensíveis ao nível de atividade econômica continua rodando acima de 6%, enquanto os serviços intensivos em mão de obra permanecem em patamar próximo de 7%.

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O que muda para a Selic?

Apesar das diferenças na leitura qualitativa dos dados, o consenso entre os economistas é que o resultado reforça a cautela do BC. A maior parte do mercado aposta agora em mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, na semana que vem. Para as reuniões seguintes, as projeções variam bastante.

Na visão da Genial, a inflação continua acima da meta e o dado de maio “contrata mais um trimestre de inflação elevada”. A casa aposta em apenas mais um corte de 0,25 p.p. até o fim deste ano, encerrando o ano em 14,25%.

O BV avalia que o cenário ainda é suficientemente preocupante para justificar uma postura conservadora da autoridade monetária. “Não tem para onde a gente olhe na inflação que a gente não veja sinais de preocupação”.

O ASA também acredita que o ciclo de cortes da Selic está próximo do fim, com apenas mais um corte de 0,25 p.p.. “O cenário inflacionário segue preocupante para o BC, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na reunião da semana que vem”.

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O Goldman Sachs também reforçou a necessidade de cautela. Segundo o banco, a combinação de inflação de serviços elevada, mercado de trabalho apertado, atividade econômica resiliente e piora das expectativas inflacionárias exige uma calibragem conservadora da política monetária.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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