Irã diz que negociação anunciada por Trump é fake news e lança nova onda de mísseis contra Israel
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que nenhuma negociação para o fim da guerra no Oriente Médio ocorreu com os Estados Unidos e afirmou que a informação passada pelo presidente Donald Trump era fake news para aliviar o mercado financeiro.
“Não houve negociações com os EUA, e fake news está sendo usada para manipular os mercados financeiro e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”, escreveu Mohammad Baqer Qalibaf em rede social. Segundo uma autoridade israelense e duas outras fontes familiarizadas com o assunto, o presidente do Parlamento era o interlocutor iraniano nas conversas.
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Nesta segunda-feira (23), Donald Trump afirmou em rede social que os EUA e o Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.
Como resultado, Trump disse que estava adiando por cinco dias um plano para atacar usinas de energia do Irã, algo que havia ameaçado fazer caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz. No entanto, a pausa se aplica apenas a instalações energéticas iranianas, e os ataques dos EUA ao país continuam, informou o veículo de notícias americano Semafor, citando uma autoridade dos EUA.
O recuo de Trump fez o mercado financeiro reagir positivamente, com ações de empresas subindo em bolsas em todo o mundo e os preços do petróleo caírem acentuadamente para abaixo de US$ 100 por barril, uma reversão repentina da queda do mercado causada por suas ameaças no fim de semana e pelas promessas do Irã de reagir.
A elite Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou que estava lançando novos ataques contra alvos dos EUA e descreveu as falas de Trump como “operações psicológicas” já “desgastadas” e sem impacto na atuação de Teerã.
O Irã fechou efetivamente o estreito estratégico — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e do gás natural liquefeito — desde que os EUA e Israel iniciaram sua guerra em 28 de fevereiro. Mais de 2.000 pessoas foram mortas no conflito.
O Irã respondeu à ameaça dizendo que atacaria a infraestrutura de aliados dos EUA no Oriente Médio, aumentando o risco de uma interrupção extrema no fornecimento global de energia.
Novos ataques
Além de negar negociações, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), informou o Exército israelense, acionando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, onde grandes buracos foram abertos em um prédio residencial de vários andares. Não ficou imediatamente claro se os danos foram causados por um impacto direto ou por destroços de uma interceptação.
O Serviço de Incêndio e Resgate de Israel informou que estava procurando civis presos em um prédio em Tel Aviv e encontrou civis em um abrigo em outro edifício danificado.
Com Reuters