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IRB é incapaz de entregar o retorno que sustenta o atual preço das ações

30/06/2020 - 16:35
Sede do IRB IRBR3
Sinistro: números do IRB afugentam os investidores (Imagem: YouTube/ Divulgação/ IRB)

À medida que esta terça-feira (30) chega ao fim, vai ficando cada vez mais claro para os analistas que o IRB (IRBR3) é negociado na Bolsa por valores insustentáveis, diante dos problemas revelados pela auditoria interna da resseguradora, que culminou na redução do patrimônio líquido, na diminuição dos lucros apresentados em 2018 e 2019, e num desenquadramento bilionário de provisões técnicas.

Quem melhor sintetizou que as ações do IRB, atualmente, não valem o quanto pesam foi o Credit Suisse.

Em relatório assinado por Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia, e obtido pelo Money Times, o banco afirma que “o IRB é negociado, atualmente, por um P/L (Preço-Lucro) de 3,1 vezes, precificando-o num ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) muito maior do que aquele que a empresa parece ser capaz de gerar.”

Ainda assim, o preço-alvo estimado pelo Credit Suisse para a resseguradora é de R$ 43, com recomendação neutra para os papéis.

O UBS, outro banco suíço que analisou o balanço do IRB, calcula que o ROE, no primeiro trimestre, foi de apenas 1,5%, ante os 20,9% do mesmo período do ano passado, cujos números foram revisados e, em muitos casos, reduzidos pela auditoria.

Além disso, o lucro de R$ 13,8 milhões ficou muito abaixo do que os analistas aguardavam. Segundo o Credit Suisse, o consenso de mercado era um lucro de R$ 205 milhões.

Na amostra do UBS, o consenso era de R$ 234 milhões. Mas, qualquer que seja a régua, o fato é que nenhum dos bancos gostou do resultado tão exíguo.

O mercado também torceu o nariz para o que viu, e do modo mais eloquente: punindo a empresa com uma forte queda nas ações durante a sessão de hoje. Às 16h15, os papéis derretiam 11,16% e eram cotados em R$ 11,07. No mesmo instante, o Ibovespa recuava 0,62% e marcava 95.138 pontos.

Aumento de capital e resultados

O IRB contratou o Bradesco BBI e o Itaú BBA para estruturar um possível aumento de capital, com o objetivo de se enquadrar nas exigências da Susep (Superintendência de Seguros Privados). Como se sabe, a autarquia detectou insuficiência de recursos do IRB para cobrir as provisões técnicas exigidas.

O lucro líquido da resseguradora caiu 92% no primeiro trimestre de 2020, a R$ 13,874 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado, informou a companhia à CVM nesta terça-feira (30).

Os números de janeiro a março de 2019 foram revisados de R$ 350,427 milhões para R$ 177,895 milhões.

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Última atualização por Márcio Juliboni - 30/06/2020 - 17:06