Itaú BBA vê construtora ‘barata’ e com potencial de alta superior a 70%
O Itaú BBA elevou o preço-alvo para as ações da Moura Dubeux (MDNE3) de R$ 43 para R$ 44, o que representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 74% em relação aos níveis atuais.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), o banco também reforçou a recomendação outperform (equivalente à compra) para os papéis e elevou as projeções de lucro para a incorporadora, argumentando que a companhia negocia com um desconto significativo frente ao potencial de crescimento.
Na esteira da publicação do documento, as ações da construtora avançavam 2,2% às 13h30 (de Brasília), negociadas a R$ 25,28. No mesmo horário, o IBOV, principal índice da B3, subia 0,25%, aos 174.155 pontos.
Lucro maior que o esperado
O Itaú BBA revisou seu modelo para incorporar o resultado acima do esperado da Moura Dubeux no primeiro trimestre (1T26) e o desempenho mais forte das vendas no segundo trimestre (2T26).
Segundo o banco, que realizou uma reunião com a administração da incorporadora, a atualização também considera um pipeline de lançamentos mais robusto e um custo de capital próprio de 17,2%, refletindo novas premissas macroeconômicas para taxas de juros e inflação.
Agora, o BBA projeta que a construtora registre lucro líquido de R$ 637 milhões em 2026, alta de 6% em relação à estimativa anterior, de R$ 602 milhões, e de R$ 681 milhões de 2027, avanço de 4% frente à previsão passada, de R$ 657 milhões.
A casa também ficou mais otimista com o ritmo de crescimento da companhia: a projeção para os lançamentos foi elevada em 2% para 2026, para R$ 4,77 bilhões, e em 7% para 2027, para R$ 5,58 bilhões.
Já a estimativa para as vendas líquidas aumentou 8% em ambos os anos, para R$ 4,03 bilhões e R$ 4,63 bilhões, na ordem.
Apesar de ter reduzido em 5% a projeção da receita líquida para 2026, para R$ 2,74 bilhões, o BBA espera margens mais elevadas, menor impacto das despesas e um resultado financeiro mais favorável para a incorporadora, o que explica a elevação da projeção de lucro.
Moura Dubeux: Minha Casa, Minha Vida ganha espaço
De acordo com o relatório, um dos principais fatores por trás da revisão das estimativas foi a expectativa de expansão da Única, marca do grupo Moura Dubeux voltada ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O Itaú BBA passou a projetar R$ 2 bilhões em lançamentos da subsidiária em 2027, acima da estimativa anterior, de R$ 1,5 bilhão. Para este ano, a expectativa é de R$ 700 milhões.
A Única, vale lembrar, lançou quatro projetos no primeiro semestre (1S26), que totalizaram R$ 210 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) proporcional, e pretende lançar outros quatro até dezembro.
Segundo a administração da Moura Dubeux, o desempenho das vendas no MCMV permanece em linha com as expectativas, enquanto a operação voltada à média renda, por meio da marca Mood, segue resiliente apesar dos juros elevados.
“No segmento de renda média, o CFO apontou que as vendas permaneceram resilientes, mesmo com a menor capacidade de pagamento da população. A meta de lançamentos da Mood, de R$ 1 bilhão por ano, permanece inalterada”, escreveu o BBA.
“Caso a capacidade de pagamento melhore e o mercado endereçável se expanda, eles acreditam haver espaço para um crescimento adicional neste segmento”, prosseguiu.
Mercado do Nordeste segue favorável
Embora reconheça que o ambiente macroeconômico está difícil para o setor imobiliário, o BBA avalia que a Moura Dubeux está relativamente protegida por sua atuação de liderança no Nordeste.
De acordo com o relatório, o mercado regional por lá “permanece equilibrado, com volume anual de lançamentos entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões, competição moderada e estoques equivalentes a cerca de oito meses de vendas”.
Outro ponto destacado foi a aquisição recente de terrenos considerados estratégicos pela empresa, com alguns ativos comprados por menos de 10% do Valor Geral de Vendas (VGV), o que tende a favorecer a rentabilidade de futuros empreendimentos.
Valuation atrativo
Mesmo após ter revisado suas projeções, o Itaú BBA considera que as ações da Moura Dubeux continuam apresentando múltiplos atrativos.
Segundo o banco, o papel negocia a 3,8 vezes o lucro estimado para 2026 e 3,2 vezes para 2027, além de 1 vez o valor patrimonial tangível.
Na avaliação dos analistas, esses indicadores não refletem adequadamente uma companhia com expectativa de retorno sobre o patrimônio (ROE) de 27% e potencial para entregar retorno total ao acionista de aproximadamente 48% ao ano nos próximos 24 meses.
“Após a recente queda, a MDNE3 é negociada a múltiplos atrativos, apesar de uma previsão de ROE de 27%”, afirmou o BBA.
“Reconhecemos que o cenário macroeconômico parece desafiador para o segmento de habitação de média e alta renda, mas a Moura possui um modelo de negócios resiliente, e um retorno total ao acionista de 48% ao ano em um horizonte de dois anos deve mais do que compensar os investidores pacientes pelo custo de capital próprio”, acrescentou.