Itaú (ITUB4) crava 11º alta no lucro, a R$ 12,4 bilhões, elevação de 7,8%, e fica dentro das expectativas no 2T26
O Itaú (ITUB4) registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% ante o mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta terça-feira (4).
A cifra ficou dentro do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 12,3 bilhões.
Conhecido por ser um relógio suíço, devido à sua entrega de resultados recorrentes, o Itaú confirma, assim, o bom momento operacional que vive nos últimos anos.
Trata-se da 11º alta consecutiva dos lucros. A ultima vez que o banco viu o seu lucro cair foi no terceiro trimestre de 2023, quando sofreu com o baque da Americanas (AMER3), segundo dados da Elos Ayta. Desde então, vem aumentando o seu resultado final trimestre após trimestre.
Diferente de seus concorrentes, como Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), não passou por uma grande deterioração das principais linhas, como inadimplência e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido).
E por falar em ROE, o banco conseguiu, mais uma vez, superar a rentabilidade dos seus rivais, com um retorno de 24,3%, alta de 1 ponto percentual, enquanto o SANB encerrou o período com ROE de 12,5%.
Analistas da Bloomberg esperavam, em média, ROE de 24,1%.
Ao que parece, os números também ajudaram a dissipar as preocupações do mercado. As ADRs (American Depositary Receipts), recibos das ações do Itaú negociados nos Estados Unidos, que tombaram 3,5% nesta terça-feira, subiam 2,20% no after-market.
Apesar disso, o banco cortou quase pela metade a expectativa de crescimento da receita de prestação de serviços e resultado de seguros para 2026, que passou para uma faixa entre 2,0% e 5,0%, ante previsão anterior de 5,0% a 9,0%.
‘Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia’, destaca Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú.
Outros números
A margem financeira com clientes avançou 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 32,6 bilhões. Já a margem financeira gerencial somou R$ 33,4 bilhões, alta de 5,2%.
Segundo o banco, o desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo crescimento de 2,9% da margem sensível a spreads.
As receitas de serviços e seguros avançaram 0,4%, refletindo, entre outros fatores, o aumento de 4,6% na administração de recursos e de 0,4% na emissão de cartões.
Itaú: melhora da inadimplência
O índice de inadimplência acima de 90 dias, importante termômetro da capacidade dos clientes do Itaú de honrarem suas dívidas, encerrou o trimestre em 1,9%, permanecendo nesse patamar pelo sexto trimestre consecutivo.
Com isso, o banco conseguiu conter os calotes, mesmo diante da piora do cenário macroeconômico.
Já o índice de inadimplência entre 15 e 90 dias, conhecido como inadimplência curta, aumentou 0,1 ponto percentual (p.p.), encerrando o trimestre em 1,8%.
Segundo o banco, a alta foi explicada pela carteira da América Latina, que avançou 0,1 p.p., enquanto a carteira no Brasil permaneceu estável.
Também houve aumento de 0,1 p.p. na inadimplência das pessoas físicas, segmento considerado mais arriscado. Segundo o Itaú, a alta reflete a migração natural de parte do crescimento do atraso curto, movimento sazonal observado no primeiro trimestre.
Além disso, o banco conseguiu melhorar os indicadores de inadimplência sem abrir mão do crescimento da carteira de crédito, que avançou 9,6%, para R$ 1,5 trilhão.
Destaque para a carteira de crédito consignado no setor privado, que cresceu 14,3% no trimestre, principalmente em função da maior originação do consignado CLT.
Já a carteira de micro, pequenas e médias empresas avançou 1,5% no trimestre e 11,6% na comparação anual.
Por outro lado, outro importante indicador da saúde financeira dos bancos, a despesa com provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) gerencial — uma espécie de proteção contra calotes — totalizou R$ 10,4 bilhões, alta de 8,4%.
As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 16,7 bilhões, com alta de 3,3% no trimestre e de 3,1% em 12 meses. ‘Essas despesas são sazonalmente menores no primeiro trimestre’, afirmou o banco.
Guidance do Itaú
O Itaú manteve praticamente inalteradas as projeções financeiras para 2026, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
A única revisão feita pelo banco foi na estimativa de crescimento da receita de prestação de serviços, como dito acima.
As demais projeções foram mantidas. O banco continua esperando crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5%, enquanto a carteira de crédito no Brasil deve avançar entre 6,5% e 10,5%.
Para a margem financeira com clientes, o Itaú reiterou expectativa de expansão entre 5,0% e 9,0%. Já a margem financeira com o mercado permanece estimada entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.
O guidance também manteve o custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões, as despesas não decorrentes de juros com crescimento entre 1,5% e 5,5% e a alíquota efetiva de IR/CS na faixa de 29,5% a 32,5%.
A revisão na linha de receitas de serviços e seguros indica uma expectativa mais moderada para esse segmento, enquanto o banco preservou as perspectivas para crédito, rentabilidade e qualidade da carteira ao longo de 2026.
| Indicador | Projeção original | Projeção atual |
|---|---|---|
| Carteira de crédito total | Crescimento entre 5,5% e 9,5% | Mantido |
| Carteira de crédito – Brasil | Crescimento entre 6,5% e 10,5% | Mantido |
| Margem financeira com clientes | Crescimento entre 5,0% e 9,0% | Mantido |
| Margem financeira com o mercado | Entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões | Mantido |
| Custo do crédito | Entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões | Mantido |
| Receita de prestação de serviços e resultado de seguros | Crescimento entre 5,0% e 9,0% | Crescimento entre 2,0% e 5,0% |
| Despesas não decorrentes de juros | Crescimento entre 1,5% e 5,5% | Mantido |
| Alíquota efetiva de IR/CS | Entre 29,5% e 32,5% | Mantido |