ITUB4, BBDC4, SANB11 e BBAS3: O que esperar dos resultados do 4T25
A semana será agitada para os bancos, com Santander (SANB11), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) divulgando seus resultados. Na semana que vem, será a vez do Banco do Brasil (BBAS3).
Até o momento, as ações do setor financeiro figuram entre as principais ganhadoras do rali da bolsa, com os papéis acumulando alta superior a 10%.
Isso ocorre porque os bancões, por terem maior liquidez e solidez, são os favoritos dos investidores estrangeiros para se expor ao Brasil.
Em janeiro, o Ibovespa avançou 12%, em grande parte impulsionado pelo fluxo internacional. Ao todo, R$ 23 bilhões foram aportados na bolsa, o que corresponde a 90% de todo o investimento registrado no ano passado.
A questão agora é saber se os bancos vão corresponder a todo esse otimismo. Em relatório, o Itaú BBA alertou que a forte valorização dos papéis deixou o setor mais caro, o que pode pressionar as ações em caso de resultados abaixo do esperado.
O que o mercado espera?
Com dados do Banco Central do quarto trimestre em mãos, analistas do Bank of America esperam um período sólido em geração de receitas, diante do forte crescimento do crédito e de spreads mais elevados.
Por outro lado, é preciso ficar atento aos índices de inadimplência, que continuam apresentando tendência de alta em meio à disparada da Selic, a taxa básica de juros, atualmente em 15%.
No período, as taxas pioraram ainda mais, pressionadas pelas carteiras de crédito ao consumidor e rural. Ainda assim, o banco pondera que o crédito rural apresentou melhora em dezembro em relação a novembro — um ponto relevante, especialmente para o Banco do Brasil, que atravessa um momento de incerteza por conta da situação do agronegócio.
Ao todo, o índice de inadimplência do setor aumentou 20 pontos-base em relação ao trimestre anterior, chegando a 4,1%, pressionado tanto por bancos privados quanto públicos.
Não custa lembrar também que a política monetária tem um ‘delay’ na economia. Ou seja, mesmo que o Banco Central comece a cortar juros agora, os efeitos só devem chegar ao consumidor daqui a alguns meses.
Apesar disso, o JPMorgan afirma que os níveis de inadimplência permanecem sob controle, sem sinais de deterioração relevante.
Mais do que isso, os analistas apontam que alguns produtos, como empréstimos pessoais e cartões de crédito, apresentam até melhora no atraso entre 15 e 90 dias, desempenho ligeiramente melhor do que a sazonalidade histórica.
Ainda assim, o banco reforça que é preciso manter atenção à qualidade dos ativos, já que o endividamento das famílias segue elevado.
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Guidance
Mais do que os números do trimestre, o JPMorgan diz que o mercado ficará de olho nas projeções para 2026.
Em 2025, guidances conservadores de Bradesco e Itaú pesaram sobre o humor dos analistas. No fim das contas, ficou comprovado que, de fato, o mercado estava certo, uma vez que os bancos devem encerrar o ano acima do que havia sido indicado.
Apesar disso, para o gestor da Mantaro Capital, Pedro Gonzaga, é difícil imaginar que 2026 não seja um ano de desaceleração da atividade econômica.
“Isso já está, em alguma medida, contratado, especialmente no agronegócio. Embora se fale que o PIB e o setor agro devam se manter em níveis elevados, dificilmente o crescimento será tão forte quanto no ano passado”.
Além disso, a disparada dos juros já afeta outras atividades, em especial o varejo. Ações de empresas do setor, como C&A (CEAB3) e Renner (LREN3), chegaram a cair mais de 40%, diante de sinais de que os resultados do quarto trimestre serão fracos.
“Isso é perceptível tanto nos resultados das empresas quanto no desempenho das ações. Em algum grau, aumenta a cautela dos bancos na tomada de risco em linhas mais ligadas ao varejo”.
Os efeitos podem atingir a economia por dois canais. De um lado, as empresas — especialmente as médias — podem enfrentar vendas menores. Do outro, as pessoas físicas tendem a sofrer com aumento do desemprego ou com um crescimento salarial mais fraco do que o observado no ano passado.
A liquidação do Master e do Will Bank, que drenou mais de R$ 47 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito, também deve entrar na pauta, segundo o JPMorgan, além do avanço do empréstimo consignado para o setor privado.
“Deve ser um ano cheio para essa modalidade. Ela começou em abril e maio do ano passado e agora entra em 2026 desde janeiro, com os bancos mais confiantes”, destaca Gonzaga.
Além disso, os grandes bancos de varejo estão mais determinados a crescer nesse segmento.
“Ao longo do ano, pode haver uma solução para a questão das garantias, que ainda não estava totalmente pacificada no ano passado. Isso abre espaço para surpresas positivas pontuais”.
Para o Safra, o consumo das famílias tem perdido fôlego recentemente, e o consignado privado deve se tornar um importante motor para o crescimento do crédito ao consumidor.
“Até agora, os índices de inadimplência e o custo de risco (ex-BB) têm se comportado bem; porém, para nós, a qualidade dos ativos é um ponto de atenção para 2026”.
Veja o que esperar de cada banco
Itaú, a joia da coroa
Para o JPMorgan, o Itaú deve apresentar mais um resultado sem grandes surpresas — ou seja, números fortes.
Segundo os analistas, a sazonalidade e o maior número de dias úteis devem favorecer a receita líquida de juros (NII) com clientes, que deve crescer 5% na comparação sequencial, embora a margem líquida de juros (NIM) possa permanecer estável.
Ainda assim, o elevado pagamento de dividendos de R$ 23 bilhões no fim do ano deve representar um pequeno obstáculo para a NII a partir do primeiro trimestre de 2026. A companhia pagou os proventos em meados de dezembro, e não em fevereiro, como nos anos anteriores.
Para o Safra, a qualidade dos ativos segue estável, com NPL e custo de risco praticamente flat na comparação trimestral. Assim, o NII ajustado ao risco deve avançar 3% no período.
Na visão da Genial, o quarto trimestre deve trazer números sólidos, com lucro estimado em R$ 12,3 bilhões — alta de 12,9% na comparação anual.
A corretora também projeta retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 24,5%, avanço de 2,35 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, reforçando a posição do banco como o mais capitalizado e rentável entre os pares.
“A elevada rentabilidade segue sustentada por forte geração orgânica de capital, crescimento consistente das receitas de juros com clientes — em ritmo superior ao das despesas administrativas e provisões — e disciplina na alocação de capital”, afirma a casa, em relatório assinado por Eduardo Nishio e Ygor Bastos.]
| Lucro | Variação A/A | ROE | |
| JPMorgan | 12,365 | 24% | |
| XP | 12,1 | 11.8% | 24.3% |
| Safra | 12,3 | 13.2% | 24.6% |
| Genial | 12,3 bi | 12,90% | 24,50% |
Bradesco, mais recuperação pela frente?
O Bradesco divulga um resultado mais ‘leve’. Com a confiança do mercado em alta, a ação acumula valorização de 17% no ano e chegou a R$ 21,44, o maior patamar desde 2022.
A Genial, por exemplo, espera um quarto trimestre de evolução gradual da rentabilidade, sustentado pela continuidade da recuperação das receitas de juros e pela inadimplência sob controle.
“Esse ambiente mais favorável deve permitir ao banco combinar crescimento de lucro com avanços adicionais no processo de reestruturação operacional”.
A casa projeta lucro líquido de R$ 6,42 bilhões no 4T25, alta de 19% no ano, com expansão do ROE para 14,6%.
“Acreditamos que o Bradesco deve dar continuidade à sua agenda de reestruturação, com fechamento de agências, redução de headcount, digitalização gradual do varejo massificado, maior foco em clientes de alta renda e busca por ganhos adicionais de eficiência e agilidade operacional”.
Já a carteira de crédito expandida deve crescer 2,4% no trimestre e 7,9% no ano, muito próxima do topo do guidance anual de 8%, abrindo espaço para acelerar a reestruturação sem comprometer o controle de despesas.
Para a XP, os resultados do quarto trimestre devem confirmar as tendências observadas ao longo do ano: forte tração comercial impulsionando receitas, enquanto a qualidade dos ativos permanece sob controle.
“Esperamos que o trimestre reforce nossa visão de que o banco parece ligeiramente adiantado em relação ao cronograma de seu plano de turnaround, o que permite ao Bradesco usar parte desse ‘colchão’ para proteger o balanço”.
| Lucro 4T24 | Variação A/A | ROE | |
| JPMorgan | 6,6 | 15.5% | |
| XP | 6,3 | 18.3% | 15.3% |
| Safra | 6,4 | 18.8% | 13.9% |
| Genial | R$ 6,42 bi | 18,90% | 14,60% |
Banco do Brasil, novo tombo?
O Banco do Brasil é outra ação que estará nos holofotes. Analistas, em geral, esperam mais um tombo no lucro, com resultados ainda fracos, impactados principalmente pelo agronegócio.
“Por mais um trimestre, o crescimento das carteiras Corporate e Agro tende a desacelerar, possivelmente se aproximando da parte baixa do guidance, à medida que a qualidade de crédito permanece aquém do ideal”, escreveu a XP.
Já o JPMorgan afirma que, diante das expectativas baixas, há espaço para surpresas. “Qualquer sinal de inflexão no agronegócio pode animar o mercado”, diz o banco.
Para os analistas, o BB corre para implementar o programa de reperfilamento da dívida do agronegócio.
Por um lado, isso deve antecipar a formação de inadimplência até 2026; por outro, tende a impulsionar volumes maiores de renegociação.
“Isso também deve ser um fator positivo para o capital. As expectativas são de mais de R$ 20 bilhões em saldo reperfilado neste momento”.
Para 2026, o JPMorgan revisou as projeções para baixo, para R$ 23,8 bilhões, o que implica um ROE de 13%.
“Esperamos alguma desaceleração no crescimento dos empréstimos (JPMe de 5,8%) e também assumimos despesas gerais e administrativas ainda acima da inflação neste ano (6%)”.
| Lucro 4T24 | Variação A/A | ROE | |
| JPMorgan | 4,1 | ||
| XP | 4 | -57.8% | 8.8% |
| Safra | 3,8 | -59.9% | 8.4% |
Santander
Para o Santander, os analistas esperam mais resultados positivos, ainda que em linha com o terceiro trimestre. Segundo a XP, os números devem ser sustentados por maior apetite no segmento de Pessoa Física, especialmente em cartões de crédito para clientes de alta renda, crédito imobiliário e PMEs (pequenas e médias empresas).
“Este último segue como vetor relevante de crescimento, alavancando programas governamentais, em uma tendência que deve persistir em 2026”.
Em grandes empresas, a XP espera leve aceleração, ainda que já antecipando uma trajetória mais moderada em 2026. O autofinanciamento segue como motor relevante dentro do crédito ao consumo.
Já o JPMorgan avalia que os custos do banco podem surpreender positivamente. Com base nos dados do Banco Central até novembro, os bancos estrangeiros — dos quais o Santander representa cerca de 50% dos ativos — vêm ficando para trás em relação ao sistema no crescimento da carteira de crédito.
“Para 2026, isso pode gerar uma base de comparação mais fácil para o banco — ou seja, a folha de pagamento do INSS terá comparações mais favoráveis, enquanto a do setor privado tende a ganhar impulso”.
| Lucro 4T24 | Variação A/A | ROE | |
| JPMorgan | 4,1 | 17% | |
| XP | 4 | 5.8% | 15.3% |
| Safra | 4 | 5.8% | 17.5% |