JBS (JBSS3) reforça fundamentos e potencial de valorização em Investor Day, dizem bancos
O Investor Day da JBS (JBSS3), realizado na segunda-feira (15) em Nova York, reforçou entre analistas de mercado a percepção de que a companhia combina fundamentos sólidos de longo prazo com um cenário ainda pressionado no curto prazo, especialmente nas operações nos Estados Unidos.
Relatórios divulgados por Itaú BBA e Bradesco BBI destacam que o principal ponto de atenção segue sendo a divisão de carne bovina nos Estados Unidos, afetada pela oferta restrita de gado.
Apesar disso, as instituições avaliam que há espaço para recuperação gradual de margens mesmo antes de uma recomposição completa do ciclo pecuário. Segundo o Bradesco BBI, parte relevante do desequilíbrio atual entre oferta e demanda — estimado em cerca de 6 milhões de cabeças por ano — pode ser reduzido por ajustes de capacidade e pela possível retomada de fluxos de gado do México.
Nesse contexto, a JBS indicou iniciativas voltadas à melhora de rentabilidade. A companhia projeta ganho de aproximadamente três pontos percentuais nas margens da operação de carne bovina nos Estados Unidos até 2027, impulsionado principalmente por melhor execução comercial, ganhos de eficiência e aumento da participação de produtos com maior valor agregado.
No segmento de aves, os relatórios apontam um início de 2026 mais fraco, com aumento de oferta e preços pouco responsivos. O Bradesco BBI, no entanto, vê melhora ao longo do segundo semestre, à medida que a produção se ajusta e a demanda do food service ganha tração.
A estratégia de migração para um portfólio com maior valor agregado, incluindo produtos preparados e marcas próprias, também aparece como um dos principais pilares para reduzir a volatilidade típica do negócio de commodities.
No Brasil, a Seara surge como um dos principais vetores positivos. O Itaú BBA destaca o fortalecimento da marca e os ganhos de participação de mercado, enquanto o Bradesco BBI aponta que ainda há cerca de 8% de crescimento de volume a ser capturado com base no ciclo de investimentos realizado entre 2021 e 2025, sem necessidade de novos aportes relevantes no curto prazo.
Outro ponto de destaque é a diversificação geográfica e de portfólio. A atuação em diferentes proteínas e mercados é vista como um fator relevante para reduzir a volatilidade dos resultados e compensar ciclos adversos em regiões específicas.
Do ponto de vista financeiro, o Bradesco BBI ressalta a disciplina na alocação de capital, com a redução do plano de investimentos para 2026 de US$ 2,4 bilhões para US$ 2,0 bilhões, movimento associado ao controle da alavancagem e à priorização de projetos de maior retorno.
Em termos de valuation, os analistas apontam que as ações da JBS seguem negociando com desconto em relação aos pares globais. O Itaú BBA estima múltiplos ao redor de 6 vezes EV/EBITDA, abaixo da faixa histórica do setor.
Para o Bradesco BBI, esse desconto não reflete adequadamente as melhorias operacionais em curso nem o potencial de geração de lucros em um cenário normalizado, o que sustentaria espaço para uma reprecificação mais relevante das ações.
Outro ponto destacado é o efeito da listagem nos Estados Unidos. Segundo os relatórios, o movimento já resultou em maior liquidez e diversificação da base acionária, ao mesmo tempo em que abre caminho para inclusão em índices internacionais, o que pode funcionar como catalisador adicional de valorização.
As recomendações seguem positivas. O Itaú BBA mantém classificação outperform, com preço-alvo de US$ 18, o que implica potencial de alta próximo de 48%.
O Bradesco BBI também recomenda outperform e vê um upside ainda mais expressivo, próximo de 80%.
Na avaliação das instituições, o Investor Day reforçou a leitura de que a JBS atravessa um momento de transição: ainda pressionada por fatores cíclicos no curto prazo, mas com iniciativas operacionais, crescimento já contratado em algumas divisões e gatilhos de mercado que podem destravar valor ao longo dos próximos anos.
*Com supervisão de Vitor Azevedo