JP Morgan aponta ações favoritas no setor imobiliário e vê potencial de alta de até 55%
O JP Morgan elevou as recomendações para as ações de Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) para overweight (equivalente à compra), destacando que está mais otimista com as incorporadoras de habitação popular e mais cauteloso com empresas expostas à média e alta renda.
Paralelamente, o banco rebaixou MRV (MRVE3) para neutra, enquanto manteve inalteradas as indicações para Tenda (TEND3), Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) em compra, neutra e neutra, respectivamente.
Em relatório a que o Money Times teve acesso, a casa norte-americana apontou que a preferência pelas construtoras voltadas à baixa renda reflete o atual ambiente macroeconômico no Brasil, com juros elevados por tempo prolongado, bem como as avaliações atrativas dessas companhias.
Segundo o JP Morgan, os múltiplos de preço sobre lucro (P/L) das incorporadoras de habitação popular retornou para perto de 6,5 vezes estimado para 2026 e de 5,5 vezes para 2027, o que é considerado convidativo.
“Nossa escolha pelas empresas de baixa renda reflete o momento macroeconômico brasileiro, além dos valuations bem atrativos”, escreveram os analistas.
Tenda segue como a principal aposta
Entre as companhias cobertas pelo banco, a Tenda permanece como a principal escolha (top pick) no setor.
O JP Morgan vê potencial de valorização (upside) de aproximadamente 54,8% para as ações, já que elevou o preço-alvo para R$ 48,50 ao fim deste ano, contra R$ 46 anteriormente.
De acordo com o relatório, a companhia negocia a um múltiplo P/L de 5,4 vezes para 2026, sendo o menor entre as empresas sob cobertura.
Além disso, a casa destaca que a construtora conseguiu aumentar seu preço médio de venda em 7,4% no primeiro trimestre (1T26) na comparação anual, um avanço superior à inflação medida pelo INCC.
O banco, inclusive, projeta lucro líquido de R$ 679 milhões para a empresa este ano, valor cerca de 11% superior ao consenso de mercado.
O JP Morgan também cita que existe valor adicional relevante na Alea, subsidiária de casas pré-fabricadas da Tenda, que parte do mercado ainda enxerga como uma operação deficitária.
Direcional e Cury recebem upgrade
Já a Direcional teve a recomendação elevada para compra devido ao potencial de valorização estimado em aproximadamente 50,6%. O JP Morgan também aumentou o preço-alvo da ação para R$ 19 ao fim de 2026, versus R$ 18,50 anteriormente.
Os analistas destacaram as perspectivas de crescimento ligadas ao banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte e à parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) para o desenvolvimento de projetos habitacionais voltados à baixa renda no Nordeste.
Segundo a casa norte-americana, essas duas iniciativas podem adicionar cerca de R$ 1 bilhão por ano em Valor Geral de Vendas (VGV) no curto e médio prazo.
Além disso, pelas estimativas do banco, o papel DIRR3 negocia a 6,8 vezes o lucro projetado para 2026 e a 6 vezes o esperado para 2027.
A Cury, por sua vez, passou a contar com indicação de compra após os resultados do primeiro trimestre reduzirem os riscos de novas revisões negativas de margem relacionadas à inflação dos custos de construção.
O JP vê potencial de valorização próximo de 43,7% para as ações, além de destacar o dividend yield estimado em cerca de 9% para este ano. O preço-alvo definido para a companhia é de R$ 43,50.
MRV perde recomendação de compra
Na direção oposta, a MRV foi rebaixada para neutra por um principal motivo: a expectativa de novos prejuízos na Resia, subsidiária da companhia nos Estados Unidos (EUA).
O JP Morgan reduziu em 70% sua projeção de lucro por ação (LPA) para 2026 e em 35% para 2027, incorporando perdas adicionais relacionadas ao processo de desinvestimento da operação norte-americana.
De acordo com os analistas, a falta de visibilidade sobre os resultados futuros da Resia e as sucessivas revisões negativas de lucros dos últimos anos continuam pressionando a percepção dos investidores em relação à companhia.
Com isso, o preço-alvo da MRV foi reduzido de R$ 11 para R$ 7 por ação, o que representa potencial de valorização de cerca de 33,6%, o menor entre as empresas de baixa renda analisadas.
Apesar dos problemas nos EUA, o JP avalia que a operação brasileira do grupo, concentrada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), segue apresentando evolução positiva.
A casa lembra, contudo, que a MRV continua sendo a empresa mais alavancada sob cobertura, o que a torna mais sensível à manutenção da taxa Selic em níveis elevados por mais tempo.
Cyrela e Eztec seguem neutras
Para Cyrela e Eztec, o JP Morgan manteve visão cautelosa, mas reduziu os preços-alvo de R$ 35,50 para R$ 29,50 e de R$ 20 para R$ 17, respectivamente.
Os analistas avaliam que os juros altos devem continuar pressionando a demanda por imóveis de média e alta renda, reduzindo a velocidade de vendas e limitando gatilhos para valorização das ações no curto prazo.
No caso da Eztec, também pesam o elevado estoque de imóveis concluídos e os desafios para a monetização de ativos relevantes.
Após a revisão das estimativas, a ordem de preferência do JP Morgan para o setor passou a ser: Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3), Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3) e MRV (MRVE3).
Confira as recomendações:
| Empresa | Recomendação | Preço atual | Preço-alvo (dez/2026) | Potencial de alta |
|---|---|---|---|---|
| Tenda (TEND3) | Overweight (compra) | R$ 31,34 | R$ 48,50 | 54,8% |
| Direcional (DIRR3) | Overweight (compra) | R$ 12,62 | R$ 19,00 | 50,6% |
| Cury (CURY3) | Overweight (compra) | R$ 30,28 | R$ 43,50 | 43,7% |
| Cyrela (CYRE3) | Neutra | R$ 20,34 | R$ 29,50 | 45,0% |
| Eztec (EZTC3) | Neutra | R$ 12,38 | R$ 17,00 | 37,3% |
| MRV (MRVE3) | Neutra | R$ 5,24 | R$ 7,00 | 33,6% |