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JP Morgan aponta ações favoritas no setor imobiliário e vê potencial de alta de até 55%

10 jun 2026, 14:57 - atualizado em 10 jun 2026, 14:58
construtoras construção civil (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto)
JP Morgan aponta ações favoritas no setor imobiliário e vê potencial de alta de até 62 (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto/Montagem Money Times)

O JP Morgan elevou as recomendações para as ações de Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) para overweight (equivalente à compra), destacando que está mais otimista com as incorporadoras de habitação popular e mais cauteloso com empresas expostas à média e alta renda.

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Paralelamente, o banco rebaixou MRV (MRVE3) para neutra, enquanto manteve inalteradas as indicações para Tenda (TEND3), Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) em compra, neutra e neutra, respectivamente.

Em relatório a que o Money Times teve acesso, a casa norte-americana apontou que a preferência pelas construtoras voltadas à baixa renda reflete o atual ambiente macroeconômico no Brasil, com juros elevados por tempo prolongado, bem como as avaliações atrativas dessas companhias.

Segundo o JP Morgan, os múltiplos de preço sobre lucro (P/L) das incorporadoras de habitação popular retornou para perto de 6,5 vezes estimado para 2026 e de 5,5 vezes para 2027, o que é considerado convidativo.

“Nossa escolha pelas empresas de baixa renda reflete o momento macroeconômico brasileiro, além dos valuations bem atrativos”, escreveram os analistas.

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Tenda segue como a principal aposta

Entre as companhias cobertas pelo banco, a Tenda permanece como a principal escolha (top pick) no setor.

O JP Morgan vê potencial de valorização (upside) de aproximadamente 54,8% para as ações, já que elevou o preço-alvo para R$ 48,50 ao fim deste ano, contra R$ 46 anteriormente.

De acordo com o relatório, a companhia negocia a um múltiplo P/L de 5,4 vezes para 2026, sendo o menor entre as empresas sob cobertura.

Além disso, a casa destaca que a construtora conseguiu aumentar seu preço médio de venda em 7,4% no primeiro trimestre (1T26) na comparação anual, um avanço superior à inflação medida pelo INCC.

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O banco, inclusive, projeta lucro líquido de R$ 679 milhões para a empresa este ano, valor cerca de 11% superior ao consenso de mercado.

O JP Morgan também cita que existe valor adicional relevante na Alea, subsidiária de casas pré-fabricadas da Tenda, que parte do mercado ainda enxerga como uma operação deficitária.



Direcional e Cury recebem upgrade

Já a Direcional teve a recomendação elevada para compra devido ao potencial de valorização estimado em aproximadamente 50,6%. O JP Morgan também aumentou o preço-alvo da ação para R$ 19 ao fim de 2026, versus R$ 18,50 anteriormente.

Os analistas destacaram as perspectivas de crescimento ligadas ao banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte e à parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) para o desenvolvimento de projetos habitacionais voltados à baixa renda no Nordeste.

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Segundo a casa norte-americana, essas duas iniciativas podem adicionar cerca de R$ 1 bilhão por ano em Valor Geral de Vendas (VGV) no curto e médio prazo.

Além disso, pelas estimativas do banco, o papel DIRR3 negocia a 6,8 vezes o lucro projetado para 2026 e a 6 vezes o esperado para 2027.



A Cury, por sua vez, passou a contar com indicação de compra após os resultados do primeiro trimestre reduzirem os riscos de novas revisões negativas de margem relacionadas à inflação dos custos de construção.

O JP vê potencial de valorização próximo de 43,7% para as ações, além de destacar o dividend yield estimado em cerca de 9% para este ano. O preço-alvo definido para a companhia é de R$ 43,50.

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MRV perde recomendação de compra

Na direção oposta, a MRV foi rebaixada para neutra por um principal motivo: a expectativa de novos prejuízos na Resia, subsidiária da companhia nos Estados Unidos (EUA).

O JP Morgan reduziu em 70% sua projeção de lucro por ação (LPA) para 2026 e em 35% para 2027, incorporando perdas adicionais relacionadas ao processo de desinvestimento da operação norte-americana.

De acordo com os analistas, a falta de visibilidade sobre os resultados futuros da Resia e as sucessivas revisões negativas de lucros dos últimos anos continuam pressionando a percepção dos investidores em relação à companhia.

Com isso, o preço-alvo da MRV foi reduzido de R$ 11 para R$ 7 por ação, o que representa potencial de valorização de cerca de 33,6%, o menor entre as empresas de baixa renda analisadas.

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Apesar dos problemas nos EUA, o JP avalia que a operação brasileira do grupo, concentrada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), segue apresentando evolução positiva.

A casa lembra, contudo, que a MRV continua sendo a empresa mais alavancada sob cobertura, o que a torna mais sensível à manutenção da taxa Selic em níveis elevados por mais tempo.



Cyrela e Eztec seguem neutras

Para Cyrela e Eztec, o JP Morgan manteve visão cautelosa, mas reduziu os preços-alvo de R$ 35,50 para R$ 29,50 e de R$ 20 para R$ 17, respectivamente.

Os analistas avaliam que os juros altos devem continuar pressionando a demanda por imóveis de média e alta renda, reduzindo a velocidade de vendas e limitando gatilhos para valorização das ações no curto prazo.

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No caso da Eztec, também pesam o elevado estoque de imóveis concluídos e os desafios para a monetização de ativos relevantes.

Após a revisão das estimativas, a ordem de preferência do JP Morgan para o setor passou a ser: Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3), Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3) e MRV (MRVE3).

Confira as recomendações:

EmpresaRecomendaçãoPreço atualPreço-alvo (dez/2026)Potencial de alta
Tenda (TEND3)Overweight (compra)R$ 31,34R$ 48,5054,8%
Direcional (DIRR3)Overweight (compra)R$ 12,62R$ 19,0050,6%
Cury (CURY3)Overweight (compra)R$ 30,28R$ 43,5043,7%
Cyrela (CYRE3)NeutraR$ 20,34R$ 29,5045,0%
Eztec (EZTC3)NeutraR$ 12,38R$ 17,0037,3%
MRV (MRVE3)NeutraR$ 5,24R$ 7,0033,6%

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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