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JPMorgan mostra por que é dono do jogo; confira os destaques dos bancões americanos na estreia da temporada de balanços

13 out 2023, 13:56 - atualizado em 13 out 2023, 14:04
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JPMorgan bate o consenso de Wall Street, com aumento de lucro anual de 35%  (Imagem: Reuters/Brendan McDermid)

A sexta-feira 13 pode ser sinônimo de azar para alguns, mas não para o JPMorgan & Chase. O banco americano reportou resultados trimestrais contundentes, desmantelando temores de que o credor fosse enfrentar maiores obstáculos devido ao ambiente de juros restritivos.

Não foi isso que aconteceu. Entre julho e setembro, o JP obteve lucro de US$ 13,2 bilhões, 35% a mais do que o registrado no mesmo período de 2022. A receita, por sua vez, foi de US$ 40,7 bilhões, denotando crescimento de 21% no confronto anual.

Com números largamente acima das expectativas, as ações do JPMorgan & Chase sobem cerca de 3,8% no início desta tarde.



Para William Castro Alves, estrategista da Avenue, o desempenho do maior banco em ativos do mundo atesta a resiliência da economia americana.

Embora taxas de diversos produtos de crédito tenham subido, isso ainda não se traduziu em uma queda no volume das operações; além disso, a provisão para devedores duvidosos não aumentou no ritmo que o mercado esperava e o custo de captação no mercado ainda permaneceu baixo.

Ao fim e ao cabo, esse “alinhamento de estrelas” deu ao JP as condições necessárias para remunerar mais as suas operações de crédito.

Com o spread nas alturas, o JPMorgan arrematou US$ 22,9 bilhões em receita líquida de juros, isto é, a diferença do quanto o banco ganha com produtos de empréstimos e o quanto ele paga para manter o depósito de seus clientes.

A cifra é 5% superior ao registrado no trimestre anterior e 30% superior ao mesmo período de 2022. Excluindo a compra do First Republic Bank (FRC), feita em abril deste ano, o ganho anual seria de 21%.

Em nota, James Dimon, CEO do JPMorgan, não enxerga esse ‘céu de brigadeiro’ permanecendo para sempre. Ele diz que as receitas líquidas de juros excepcionalmente altas e baixa inadimplência dos empréstimos devem ser corrigidas, dado o mantra de juros mais altos.

Sobre o comentário do CEO do JP, William Castro Alves nota que, apesar da expectativa pela normalização dos spreads, o banco elevou a sua expectativa de receita líquida de juros para uma janela entre US$ 88,5 bilhões a US$ 89 bilhões, ante o dado prévio de US$ 87 bilhões.

Em outro momento do seu comentário, Dimon fez menção às crises geopolíticas que se acumulam no mundo. “Este pode ser o momento mais perigoso que o mundo já viu em décadas. Embora esperemos o melhor, preparamos a empresa para uma ampla gama de resultados”, disse o CEO.

Além do JPMorgan, Citigroup (C) e Wells Fargo (WFC) também apresentaram resultados fortes, através da maior remuneração com juros. Confira os destaques.

  • Resultados dos grandes bancos americanos: Números podem puxar bolsas para cima? Saiba mais no Giro do Mercado desta sexta-feira (13), clique aqui e assista

Citigroup tem número de dar inveja a Goldman e Morgan Stanley

O Citigroup obteve um lucro líquido de US$ 3,5 bilhões em relação a um ano atrás, enquanto o lucro por ação permaneceu estável em US$ 1,63; a receita total foi de US$ 20,1 bilhões, crescimento de 9% na base anual.

Os números vieram acima da expectativa de Wall Street, fazendo com que as ações do banco subam 2,68%.

Um das grandes surpresas deste trimestre para o Citigroup foi a apresentação de melhores resultados para taxas cobradas por serviços dentro do seu braço de investimento.

Em relação ao mesmo período de 2022, a receita obtida com as taxas subiu 34%, o que poderia cair muito bem para concorrentes altamente expostos ao segmento de investimentos, como Goldman Sachs (GS) e Morgan Stanley (MS). Os credores, que reportarão seus resultados na semana que vem, permanecem pressionados pela falta de apetite no mercado de capitais.

Em reflexo de um ambiente de juros mais restritivo, o terceiro maior banco dos EUA aumentou a sua provisão para devedores duvidosos (PDD), mas identificou níveis de inadimplência ainda abaixo na comparação com a média histórica.

A PDD do Citigroup aumentou de US$ 16,3 bilhões no terceiro trimestre de 2022 para US$ 17,6 bilhões neste.

Assim como o JPMorgan, a menor inadimplência e a manutenção do volume da operação de crédito fizeram o Citi elevar as suas estimativas para a receita líquida de juros. Para o fim de 2023, a importante métrica de lucratividade foi elevada para US$ 47,5 bilhões, excluindo mercados.

Wells Fargo vê lucro crescer 60% no ano

O Wells Fargo também apresentou resultados para lá de consistentes, levando as ações a uma alta de 2% no início desta tarde.

O credor obteve um lucro de US$ 5,77 bilhões no trimestre, um crescimento de 61% na comparação anual; a receita, também acima do consenso, foi de US$ 20.11 bilhões.

O CEO do banco, Charlie Scharf, atribuiu o resultado ao aumento da receita líquida de juros, menores perdas operacionais e uma economia ainda bastante resiliente. Em contrapartida, Scharf vislumbra alguns sinais de desaceleração, principalmente sobre o balanço de empréstimos da instituição.

Do lado negativo, o credor viu o número de depósitos colocados na instituição diminuir de US$ 1,41 trilhão para US$ 1,34 trilhão. Uma tendência, no entanto, que também se pode observar nos balanços dos outros bancos.

Adiante, o Wells Fargo antecipa um aumento de 16% na receita líquida de juros anual, ante os US$ 45 bilhões observados em 2022. A expectativa é superior aos 14% previamente mencionados no guidance da empresa.

Estagiário
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.
Jorge Fofano é estudante de jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. No Money Times, cobre os mercados acionários internacionais e de petróleo.