Internacional

Jurista sul-africana Navi Pillay ganha o Nobel da Paz de 2026 por décadas de defesa dos direitos humanos e da justiça internacional

09 out 2026, 8:22 - atualizado em 09 out 2026, 8:24
Navi Pillay é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.
Navi Pillay é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. (Foto: Getty Images)

“Se você vir que um número da Noruega está te ligando, atenda, por favor.” Esta foi a mensagem do presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, ao anunciar a jurista sul-africana Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.

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Ser avisada diretamente pelo comitê ou descobrir a notícia por amigos ou pela imprensa não muda o fato de que Pillay, aos 85 anos, foi reconhecida com o Nobel “por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.

Embora o Comitê Nobel tenha demorado um pouco para localizá-la, a notícia se espalhou rapidamente e Navi Pillay já sabe que é a Nobel da Paz de 2026.

“Achei que fosse uma brincadeira”, disse ela em um discurso improvisado na manhã desta sexta-feira (9) em Nuremberg, na Alemanha. “Mas, como advogada e juíza, ainda preciso verificar se isso é verdade.”

Ao mesmo tempo em que a decisão do Comitê Nobel foi elogiada pela União Europeia e pela Anistia Internacional, é provável que seja alvo de críticas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

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Ao receber a notícia, Navi Pillay celebrou o fato de estar cercada por amigos e colegas que atuam na defesa dos direitos humanos e lembrou seu trabalho mais recente. “A última coisa que fiz foi entregar o relatório sobre Gaza, classificando o que aconteceu ali como genocídio”, afirmou.

O caminho de Navi Pillay até o Nobel da Paz

Filha de um motorista de ônibus e criada em uma área pobre da comunidade indiana de Durban, na África do Sul, Navanethem “Navi” Pillay nasceu em 1941 e iniciou sua atuação em defesa dos direitos humanos em meio ao regime racista do apartheid.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia na África do Sul. Também foi a primeira mulher não branca nomeada juíza da Alta Corte sul-africana.

Depois de defender Nelson Mandela e diversos outros opositores do apartheid, Navi Pillay foi eleita juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

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Ela atuou na corte por oito anos, sendo quatro deles na presidência do tribunal.

Entre 2021 e 2025, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado.

Atualmente, integra a Corte Internacional de Justiça no processo em que o governo de Mianmar é acusado de genocídio.

Quinta sul-africana a receber o Nobel da Paz

Antes de Navi Pillay, outros quatro sul-africanos receberam o Nobel da Paz.

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O primeiro Nobel da Paz da África do Sul data de 1961, quando o comitê premiou o líder anti-apartheid Albert Luthuli.

Em 1984, o arcebispo Desmond Tutu foi laureado pela luta contra o apartheid e pela promoção dos direitos humanos.

Nove anos depois, em 1993, Frederik de Klerk e Nelson Mandela dividiram o prêmio. Mandela foi reconhecido por sua luta contra o apartheid. Já De Klerk foi homenageado por seu papel nas negociações que levaram ao fim do regime racista, à libertação de presos políticos e à transição democrática da África do Sul.

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