Juros Futuros

Juros futuros caem com leilão do Tesouro, quadro eleitoral e alívio nos Treasuries

08 out 2026, 19:23 - atualizado em 08 out 2026, 19:24
selic - corte de juros - copom - bano central
(Imagem: inkdrop)

Os juros futuros fecharam em forte queda nesta quinta-feira (8), com suporte de um combo de fatores que chegou a reduzir os trechos longos em até 20 pontos-base. Principal indutor, o maior leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional desde 2020, ao invés de pressionar a curva, acabou por aliviar as taxas, dado que o risco adicionado ao mercado foi menor que o antecipado.

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Ainda sob o pano de fundo do ‘trade eleitoral’, a renda fixa local contou também com ajuda do exterior, após a curva de Treasuries ter invertido de alta para recuo. O retorno do título de 30 anos passou ao terreno negativo nesta tarde, na esteira de leilão bem-sucedido de papéis deste prazo, embora o petróleo tenha fechado com avanço superior a 4%.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,433%, no ajuste da véspera, a 13,451%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,43% no ajuste anterior a 12,320%, e o para janeiro de 2031 cedeu a 12,420%, de 12,589%.

O que mexeu com os DIs hoje?

As taxas aceleraram o ritmo de baixa no final da manhã, após o Tesouro anunciar os lotes do que foi o maior leilão de prefixados em volume financeiro neste ano e, também, desde dezembro de 2020, segundo cálculos da Warren Investimentos. A autoridade fiscal ofertou 35 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com colocação total do lote, e 7 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), das quais 5,82 milhões foram vendidas.

Expressiva, a oferta absorvida pelo mercado somou R$ 33,3 bilhões. Por outro lado, chamou a atenção de profissionais que o risco ao mercado não tenha acompanhado o volume: em US$ 1,32 milhão, o DV01 foi somente o terceiro maior deste ano. Com a expectativa de que o Tesouro fosse ainda mais ousado diante do ambiente mais favorável a risco, o leilão atuou nesta quinta como um vetor de queda, e não de pressão, sobre a curva de DIs.

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“O leilão acabou sendo menor que o esperado pelo mercado em termos de risco, e foi bastante concentrado nos vencimentos curtos. Existia uma expectativa de que o Tesouro aproveitaria o momento para emitir na parte longa da curva. Então este acabou sendo um leilão muito grande em financeiro, mas não tão grande em risco”, aponta o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital.

Do total de LTN ofertadas, 20 milhões tinham vencimento em 2028 e 13 milhões, em julho de 2029, com apenas 2 milhões vencendo em janeiro de 2032. Já nas NTN-F, o lote total de 1,5 milhão de títulos previstos para 2037 foi absorvido, mas a colocação também se concentrou em horizontes mais próximos – o mercado absorveu 4,178 milhões de papéis para janeiro de 2031.

Sob anonimato, um estrategista relatou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que, ao conversar com fundos e a mesa de renda fixa de sua instituição, “a percepção é que o Tesouro seria ainda mais agressivo no leilão de hoje [quinta-feira]” e, com atuação mais moderada, os DIs passaram a recuar após a divulgação dos lotes. A queda, diz ele, foi amplificada após a moderação dos Treasuries.

Além disso, um trader de outra casa afirmou que a melhora da perspectiva fiscal, motivada pela precificação do mercado de que Flávio Bolsonaro deve vencer as eleições presidenciais, ainda tem trazido fluxo para a renda fixa brasileira.

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Especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini também avalia que a montagem de posições após o primeiro turno ainda não acabou, embora os juros futuros já tenham devolvido bastante prêmio esta semana. O especialista, porém, dá pouco peso à primeira pesquisa de segundo turno que deve ser publicada nesta quinta para a descompressão dos DIs na sessão. A Datafolha tem previsão de divulgação após 18h.

“O cenário-base está tão favorável para a oposição que resultados de pesquisas serão menos relevantes agora, a menos que aconteça algum escândalo ou algo que mude a percepção do público e faça preço. Mas, no geral, o mercado está menos sensível a pesquisas”, comentou Shahini.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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