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Juros futuros voltam a disparar e sobem até 45 pontos-base com choque inflacionário no radar

20 mar 2026, 15:51 - atualizado em 20 mar 2026, 15:51
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(Imagem: Shutterstock)

A curva de juros futuros brasileira voltaram a disparar nesta sexta-feira (20), com altas próximas a 45 pontos-base nos vértices de médio prazo, em uma nova onda de aversão a risco global. Os possíveis choques inflacionários e efeitos nas trajetórias de juros globais estão no foco das preocupações dos investidores.

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Por volta de 15h (horário de Brasília), a taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subia 14,255% ante 14,095% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa bateu máxima a 14,310%, uma alta de 18 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, operava a 13,985% de 13,675% do fechamento anterior. Na máxima intradia, o DI subiu a 14,130%, alta de 45 pontos-base.

Já DI para janeiro de 2036, de longo prazo, operava a 14,010% ante 13,910% do fechamento da véspera, após bater subir 23 pontos-base, a 14,135%, na máxima intradia.

O movimento também acompanha o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também operam em alta. O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – subia a 3,894% de 3,833% do ajuste anterior, no mesmo horário. Já o retorno do título de dez anos  – referência global para decisões de investimento – a 4,386% ante 4,285% da véspera.

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De olho nos efeitos do conflito no Irã

Desde ontem (19), os agentes têm reavaliado as expectativas para a trajetória dos juros nas maiores economias do mundo, em meio à crescente preocupação de novos choques inflacionários derivados do conflito no Oriente Médio, ainda sem perspectiva de um cessar-fogo.

A apreensão dos investidores foi alimentada por alertas dos Bancos Centrais. Na véspera, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo e alguns membros do Comitê de Política Monetária já levantaram a possibilidade de um aumento nos juros a frente.  

O Banco Central da Europa (BCE), na mesma linha, disse que o salto nos preços da energia elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6% – acima de sua meta de 2% – mas disse que o impacto de longo prazo ainda não está claro. 

Em reação, o mercado zerou as apostas de um corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. No início da tarde de hoje, os traders voltaram a precificar julho de 2027 como o mês mais provável para a retomada de uma flexibilização monetária. Pela manhã, a probabilidade era maior em setembro do ano que vem.

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Para a próxima decisão do Fed, em abril, a aposta majoritária segue de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A ferramenta do CME Group, porém, já aponta 12,4% de chance de uma alta de 0,25 ponto percentual, o que levaria o Fed Funds para o intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano.

Já a curva a termo brasileira precificava, nesta manhã, 84% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic, contra 16% de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano.

No mercado, porém, alguns agentes ouvidos pela Reuters ponderam que um corte de 50 pontos-base não está totalmente descartado, já que a incerteza sobre o andamento da guerra e seus impactos nos países é grande.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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