Juros futuros têm tímida alta na esteira de títulos dos EUA
A curva de juros futuros acompanhou a abertura dos títulos do Tesouro dos EUA e fechou em leve alta em todos os vencimentos.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 2 pontos-base e fechou a 13,935%, ante 13,915% do fechamento anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 14,410% ante 14,355% do fechamento anterior, avanço de 5 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, avançou 4 pontos-base e terminou o dia a 14,635% ante 14,595% do fechamento da última segunda-feira (20).
O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, subiram com a escalada de tensões geopolíticas.
Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,261% ante 4,215% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,626%, de 4,598% ontem.
O que mexeu com os DIs hoje?
O avanço na curva de juros acompanhou o recuo nos rendimentos os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, em meio a continuidade das tensões no Oriente Médio.
A guerra, que entrou no décimo dia consecutivo de ataques diretos entre Estados Unidos e Irã, segue nos holofotes com relatos de que Teerã recebeu uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de dez dias.
Além disso, o grupo extremista Houthis, aliado do Irã, ameaçou interromper o fluxo no Estreito de Bab-el-Mandeb, um dia após anuncar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando o conflito e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio para além do Golfo Pérsico.
Com as tensões elevadas, o barril do Brent para setembro subiu mais de 2% e fechou cotado a US$ 91,01 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior fechamento desde 10 de junho.
Profissional ouvido pela Reuters também chamou a atenção ainda para os “volumes baixíssimos” negociados na sessão, em um período de férias de meio de ano que costuma afetar as mesas de operação. A agenda de indicadores econômicos esvaziada no Brasil e nos EUA também contribuiu para a liquidez menor.
O mercado, por sua vez, seguiu mostrando os investidores posicionados para um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas divididos sobre o encontro de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Na atualização mais recente, a precificação das Opções do Copom negociadas na B3 apontavam 78% de chance de redução de 25 pontos-base na Selic em agosto, contra 18,98% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25% ao ano.