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Investimento em letras do BRB corre risco de “virar pó” após crise envolvendo Banco Master

19 fev 2026, 14:01 - atualizado em 19 fev 2026, 14:01
Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB)
Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB) - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A crise no BRB após os negócios com o Banco Master ameaça os investidores que aplicaram nos títulos de dívida mais arriscados do banco estatal de Brasília. São R$ 3,4 bilhões em letras financeiras subordinadas no balanço, que a instituição usa para compor o capital mínimo necessário para operar.

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O risco agora é que o rombo financeiro dispare os gatilhos que podem levar o Banco Central a determinar o cancelamento da dívida para absorver o prejuízo. Na prática, isso significa que esses títulos podem “evaporar” da noite para o dia.

Ainda não se sabe a extensão do prejuízo do BRB com a compra de carteiras supostamente fraudulentas do Master. Mas o BC já determinou que o banco faça uma provisão de pelo menos R$ 2,6 bilhões, de acordo com o jornal Valor Econômico.

O desfecho para o investidor das letras subordinadas dependerá da solução para o plano de recuperação do banco.

Procurado, o BRB não comentou o assunto até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

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BRB e as letras financeiras subordinadas 

As letras financeiras subordinadas são instrumentos relativamente novos no mercado brasileiro. Como sugere o nome, elas se subordinam a outras dívidas. Ou seja, caso o banco enfrente problemas, os investidores ficam por último na fila dos credores. 

A possibilidade de cancelamento desses papéis para absorver perdas surgiu como uma reação à crise financeira de 2008. 

Essa seria uma situação inédita no mercado brasileiro. Mas já existe pelo menos um precedente internacional: na aquisição forçada do Credit Suisse pelo UBS, investidores de títulos semelhantes perderam todo o valor investido. 

Destinadas a investidores qualificados — como fundos de investimento e de pensão —, as letras financeiras subordinadas oferecem uma rentabilidade generosa. No caso do BRB, a taxa chega a até 165% do CDI, de acordo com os dados do balanço de junho, o último que o banco publicou. 

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Para o banco, a grande vantagem da emissão de letras financeiras subordinadas é justamente a possibilidade de usar os recursos para compor o capital. Isso não é permitido, por exemplo, com os certificados de depósito bancário (CDBs) tradicionais. 

A documentação disponível no site do BRB estabelece que as letras subordinadas podem ser canceladas caso haja uma intervenção do BC ou resgate do banco. 

Outra forma de os títulos “virarem pó” é se o índice de capital principal do banco cair abaixo de certos limites. No caso das letras financeiras que fazem parte do chamado Nível I, esse limite é 5,125%. Nas de Nível II, o limite é 4,5%. Para efeito de comparação, em junho, o índice de capital principal do BRB estava em 8,07%, acima desses limites.

BRB e Master

Vale lembrar que a emissão de todas as letras financeiras subordinadas do banco estatal de Brasília ocorreu antes do anúncio da tentativa de compra do Master. 

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O BC rejeitou a operação, mas no fim do ano passado veio a público a informação de que o BRB havia comprado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Master. 

O banco estatal informou, na época, que recuperou a maior parte dos valores, mas ainda não deu detalhes sobre as eventuais perdas. 

No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um plano para recompor o balanço e reforçar a liquidez em até 180 dias. 

Assista também: Caso Master exposto: falhas, fraudes e alertas para o investidor

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Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista
Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

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