Lula diz que regulamentação das bets ‘não deu certo’ e que, por isso, houve proibição
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que a regulamentação das apostas online feita no seu governo “não deu certo”, e, por isso, as bets foram proibidas em Medida Provisória (MP) assinada pelo petista na última sexta-feira.
“Desde que entramos no governo, tentamos regulamentar, mas se não desse certo, íamos fechar. Não deu certo”, declarou em entrevista à Band que foi ao ar na noite deste domingo (27), no programa Canal Livre, pela BandNews TV.
As bets foram legalizadas em 2018 durante o governo de Michel Temer.
“Resolvi acabar, porque senão a bet acaba com o Brasil. E eu não vou permitir que o povo pobre seja responsável de segurar a luxúria dos clubes”, disse Lula, que classificou como “mentira” a alegação de que o fim das bets vai acabar com o futebol no País.
Sem pânico com dívida pública
Na entrevista, Lula disse que a dívida pública não lhe provoca “pânico” e que é irreal, mencionando também as reservas internacionais do País que chegariam a US$ 370 bilhões.
Lula imputou a quantia à definição de 2005 de juntar reservas, ainda em seu primeiro governo. O presidente declarou que o valor é um “colchão de sustentação da economia brasileira”.
Ele garantiu, no entanto, que a dívida lhe causa preocupação e que tem a intenção de diminuí-la em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), conservando as despesas que acha indispensáveis.
“Eu não gosto de dever mais do que eu recebo, não gosto. E a gente vai diminuir essa dívida pública com relação ao PIB, primeiro fazendo os gastos que são necessários fazer”, prometeu Lula.
O candidato do PT à reeleição admite confiar na redução dos juros e disse que isso é necessário para o crescimento da economia.
Sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula disse que a definição das obras leva em conta as demandas de governadores e prefeitos. “O PAC eu chamo os governadores, chamo o prefeito e digo o que é importante no seu estado e no seu município. E aquilo a gente vai fazer”, afirmou.
Boa relação com trump
Sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula disse que tem boa relação, mas que o “pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim”.
“Eu me dou bem com o Trump. Toda vez que eu converso com ele, nós nos damos muito bem. O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim”, afirmou Lula.
E acrescentou: “Eu digo para ele que o Marco Rubio não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, ele é um antilatino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas.”
Minerais críticos
Lula também disse que o Brasil deve investir em tecnologia para que “não fique devendo nada ao mundo” e voltou a defender que os minerais críticos sejam industrializados em território nacional. “Nós não vamos exportar mais as nossas riquezas do jeito que eram exportados”
“A gente quer processar aqui, quer industrializar aqui, fazer processo de transformação aqui, por isso nós vamos formar milhares e milhares de jovens preparados para tratar dessa nova fonte de riqueza para esse País. Vamos aproveitar essas chances para fazer esse País virar um País de classe média.”
Inteligência artificial ‘que fale português’
Lula também defendeu que é preciso começar a pensar em como fazer uma revolução digital e uma discussão sobre a inteligência artificial (IA) no Brasil.
“Não quero ficar dependendo da inteligência artificial chinesa, muito menos americana. Eu quero saber se é possível a gente criar uma. Eu desafiei há dois anos atrás o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia: vamos construir uma inteligência artificial que fale português.”