Lula: Se Trump não quiser comprar nada de mim, simplesmente encontrarei clientes em outro lugar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil vai encontrar clientes em outras partes do mundo, caso os Estados Unidos não queiram fazer comércio com o País. Em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira (16), Lula disse ainda que conseguiu, durante o atual mandato, abrir 518 novos mercados internacionais e que, por isso, não vai ficar “de braços cruzados reclamando”.
“Se Trump não quiser comprar nada de mim, simplesmente encontrarei meus clientes em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para produtos brasileiros. Não ficarei de braços cruzados reclamando”, disse o presidente.
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Lula também voltou a fazer críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que uma mudança no cenário geopolítico é “urgente”. Segundo ele, não se deve permitir que a África e Oriente Médio sejam excluídos da entidade e que o Conselho de Segurança se tornou um “navio à deriva sem capitão”.
“Conversei com meus amigos Xi Jinping (primeiro-ministro da China), Vladimir Putin (presidente da Rússia) e Emmanuel Macron (presidente da França), instando-os a convocar uma reunião do Conselho de Segurança. Minha esperança era que Trump se reunisse com eles para discutir o assunto. Ninguém respondeu. É como se estivéssemos à deriva em alto-mar, num navio sem capitão”, declarou.
O presidente também disse ao jornal alemão que o secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar uma Assembleia Geral extraordinária para questionar as ações de Vladimir Putin contra a Ucrânia e de Trump contra o Oriente Médio.
“O que é inaceitável é que Trump inicie uma guerra com o Irã, e quem paga o preço dessa guerra são os pobres da África e da América Latina, que têm que gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, deveria convocar uma Assembleia Geral extraordinária o mais rápido possível para que Trump, Putin e os outros possam se explicar”, disse Lula.
O presidente disse ainda que Putin “não tinha o direito” de invadir a Ucrânia e que Trump não deveria intervir militarmente na Venezuela e nem ameaçar Cuba. O presidente voltou a dizer que a América Latina é uma “zona de paz”.
Fertilizantes
Na entrevista, Lula também afirmou que o Brasil está tentando reconstruir a indústria de fertilizantes para não se tornar “dependente” de outros países no setor. O petista disse ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro fechou fábricas de fertilizantes e que o setor deveria ter sido impulsionado no passado.
“Desde o início da guerra na Ucrânia, temos enfrentado problemas com o fornecimento de fertilizantes. Deveríamos ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. Em vez disso, o governo do meu antecessor fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora, estamos tentando reconstruir nossa própria indústria. Não podemos nos tornar dependentes de outros”, declarou.
Sobre o conflito no Oriente Médio, deflagrado no final de fevereiro quando uma ação coordenada por Estados Unidos e Israel culminou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, Lula disse que o governo tomou medidas para evitar que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. As medidas se tratam de subsídios anunciados pelo Planalto para mitigar os efeitos da guerra.
“Esta guerra contra o Irã levou a um aumento de 35% nos preços da gasolina nos EUA. Aqui no Brasil, tomamos medidas para evitar que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. É assim que evitamos que a guerra impacte o almoço dos brasileiros”, afirmou.