Lula vs Bolsonaro: Para clientes do JPMorgan, há um claro favorito; veja quem e quais ativos podem ser impactados
O cenário equilibrado e a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também se reflete na avaliação dos clientes do JP Morgan. Mas o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é o favorito na eleição 2026, na avaliação dos entrevistados pela pesquisa mensal em mercados emergentes com clientes da instituição financeira.
O último relatório do JPMorgan aponta que 59,7% dos entrevistados acreditam na vitória do senador e 40,3% na reeleição de Lula.
Os investidores acreditam que o câmbio e as taxas são os mais impactados pelas eleições. Para 47%, o câmbio será a classe de ativos que experimentará os maiores movimentos com o cenário eleitoral.
“Títulos em moeda local (38%) e derivativos de taxa de juros (15%) são vistos como o segundo e terceiro ativos mais impactados. Praticamente nenhum investidor espera que crédito soberano ou corporativo seja a classe de ativos mais impactada”, aponta o relatório.
A maioria, 87% dos entrevistados, espera ver algumas medidas de consolidação fiscal pós-eleição. Mas quase metade, ou 47%, aponta “medidas moderadas” que devem trazer algum resultado fiscal entre 0,5% e 1,5% do PIB nos esforços de consolidação para 2027.
Para 39%, medidas fiscais mais amenas devem ser tomadas pelo eleito, com impacto de 0,5% no PIB nos esforços de consolidação para 2027. Praticamente nenhum investidor, apenas 1%, espera esforços de consolidação fiscal acima de 1,5% do PIB em 2027.
Já 6% dos investidores não esperam anúncios que impactem substancialmente o déficit fiscal, enquanto 7% esperam anúncios que serão fiscalmente expansionistas, sem esforço para reduzir o déficit.
O que dizem as pesquisas
No relatório, a instituição financeira cita a disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, cenário diferente da avaliação com os agentes de mercado entrevistados e dos mercados preditivos no exterior.
“A maioria das simulações de segundo turno mostra os dois empatados dentro da margem de erro, enquanto os mercados preditivos indicam maiores chances de mudança de governo”, aponta.
“Uma vitória no primeiro turno não é nosso cenário base, mas tornou-se mais plausível à medida que o apoio nas pesquisas a outros candidatos diminuiu”.
O JPMorgan cita também a grande quantidade de institutos e de pesquisas eleitorais, “com uma dispersão relativamente ampla de resultados”, o que cria dificuldades de definir com precisão as opiniões do eleitorado.
No entanto, o documento mostra quais os levantamentos que obtiveram a menor diferença entre a pesquisa final de 2022 e o resultado final dos candidatos no primeiro turno na eleição passada.
O MDA obteve uma diferença de 1,5 ponto porcentual, o AtlasIntel, 1,7 ponto e o PoderData, 2,2 pontos de diferença média por candidato.
“Em geral, o método mais recente de questionário online parece apresentar melhores resultados para a oposição, enquanto as outras metodologias frequentemente favorecem o titular”, aponta.
Congresso fragmentado
Ainda segundo o relatório, o eleito “precisará governar com o apoio de um Congresso fragmentado” e a disputa pelo Senado merece nas eleições 2026 atenção especial, já que cabe à Casa Alta do Legislativo aprovar nomeações de diretores do Banco Central, de agências reguladoras e, principalmente, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nesse contexto político, a próxima administração enfrentará uma agenda exigente: internamente, aumento da dívida pública e uma economia enfraquecida e de baixa produtividade”, aponta.
“Por um lado, o presidente Lula se beneficia de uma baixa taxa de desemprego e de uma inflação relativamente contida; por outro, Flávio Bolsonaro obtém pontuação superior à de Lula nas principais preocupações do eleitorado, como a percepção de capacidade para combater o crime. Esse cenário fez de uma revanche entre lulistas e bolsonaristas o cenário base desde o início”, completa o JPMorgan.