M. Dias Branco (MDIA3) derrete após 4T25; BTG aponta ‘longo caminho de volta’ e XP vê sinais mistos
As ações da M. Dias Branco (MDIA3) tombavam 13% por volta de 10h35 desta sexta-feira (27), cotadas a R$ 22,85, após os resultados divulgados para o quarto trimestre (4T25).
Para o BTG Pactual, que mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 28 para a ação, os resultados seguem refletindo um padrão observado nos últimos anos: o desafio de equilibrar preservação de market share com rentabilidade permanece.
Segundo os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, desde 2025, a companhia passou a comunicar com mais clareza a mudança de estratégia: priorizar crescimento de volume para recuperar alavancagem operacional. No 4T25, assim como no 3T25, isso começou a aparecer nos números.
Os volumes cresceram 10% na comparação anual, e o market share avançou na comparação trimestral. No entanto, as margens operacionais continuam muito baixas — apenas superando os níveis do quarto trimestre da pandemia, quando os custos estavam pressionados.
Os custos para recuperar espaço nas gôndolas estão se mostrando maiores do que o inicialmente esperado.
O banco tem caracterizado a M. Dias como uma tese do tipo “prove que consegue” (show me). A administração está reformulando a estratégia comercial e a companhia entra agora em uma fase mais desafiadora: reconstruir o market share perdido nos anos em que priorizou margens, buscando melhorar sua posição competitiva no longo prazo.
“A execução será determinante para avaliar se a empresa conseguirá entregar resultados de forma consistente — e a que custo. Por ora, entendemos que nossas estimativas de curto prazo parecem excessivamente otimistas, enquanto nossa projeção de margem EBITDA de 15% no longo prazo parece distante de ser alcançada”, explicam.
A visão da XP para MDIA3
Na avaliação da XP Investimentos, os resultados do 4T25 da M. Dias Branco trouxeram sinais mistos. Embora a receita tenha surpreendido positivamente, com alta de 9% na comparação anual e volumes avançando 10% — movimento visto como importante na recuperação de market share —, a rentabilidade ficou abaixo do esperado. Os analistas contam com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 27,90.
A margem bruta recuou no trimestre, pressionada por custos de matérias-primas menos favoráveis e menores subvenções, enquanto as despesas com vendas e administrativas vieram acima das estimativas.
Com isso, o Ebitda e o lucro líquido ficaram bem abaixo das projeções da casa, o que deve pesar sobre as ações no curto prazo, apesar dos avanços em volume. A queima de caixa de R$ 150 milhões também foi melhor do que o projetado pela XP (R$ 345 milhões), embora insuficiente para gerar um sentimento positivo.