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Mais informações sobre a relação do pesquisador da Ethereum e a Coreia do Norte

03/12/2019 - 17:28
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
A Coreia do Norte é conhecida por suas leis altamente restritas; o pesquisador Virgil Griffith tentou apresentar novas possibilidades de o país aderir a tecnologia de blockchain, mas os Estados Unidos não gostaram nada dessa ideia (Imagem: Pixabay)

As autoridades norte-americanas prenderam Virgil Griffith, pesquisador da Ethereum, no Aeroporto de Los Angeles na última sexta-feira, 29, acusado de conspiração ao ajudar a Coreia do Norte a evitar sanções.

As autoridades alegam que Griffith viajou para a Coreia do Norte para fornecer uma apresentação, dando aconselhamento técnico de como usar criptoativos e a tecnologia de blockchain para escapar de sanções.

Alegam que Griffith violou a Lei Internacional e Emergencial de Poderes Econômicos (IEEPA, na sigla em inglês), que proíbe os cidadãos de exportar bens, serviços ou tecnologias para países sancionados sem aprovação do Departamento do Tesouro.

“Virgil Griffith forneceu informações altamente técnicas para a Coreia do Norte, sabendo que essas informações poderiam ser utilizadas para ajudar a Coreia do Norte a lavar dinheiro e evitar sanções”, afirmou o procurador federal norte-americano Geoffrey S. Berman em uma declaração.

“Ao fazê-lo, Griffith comprometeu as sanções que tanto o Congresso como o presidente aprovaram para pôr pressão máxima no regime perigoso da Coreia do Norte.”

A ida do pesquisador à Coreia do Norte foi para uma apresentação intitulada “Blockchain e Paz”, que enfatiza o uso da tecnologia de blockchain e de criptoativos (Imagem: Pixabay)

“Blockchain e Paz”

O pesquisador e desenvolvedor da Ethereum anunciou sua intenção de “ir de férias” para a Coreia do Norte em um tuíte, no dia 19 de janeiro, ao qual o criador da Ethereum Vitalik Buterin respondeu: “aproveite!”.

Mas a viagem não foi de férias comuns, pois Griffith admitiu ao FBI que a permissão para entrar na Coreia do Norte foi negada pelo Departamento de Estado dos EUA. Griffith conseguiu entrar no país pela China em abril com um visto em papel adquirido de uma missão diplomática em Nova York.

Na conferência de criptoativos na capital de Pyongyang, Griffith apresentou uma palestra, chamada “Blockchain e Paz”, enfatizada pelas autoridades como “uma possível aplicação de lavagem de dinheiro e evasão de sanções pela tecnologia de criptoativos e de blockchain”.

Depois, ele fez uma transferência simbólica de um ether para a Coreia do Sul, enviando várias mensagens de texto com detalhes de suas ações, o que sugere que ele tinha completa consciência de que estava burlando sanções internacionais.

Uma violação da IEEPA resulta em uma sentença máxima de 20 anos de prisão. Por conta das sérias acusações contra Griffith, a comunidade da Ethereum está dividida, em que alguns apoiam seus esforços e outros criticam sua ingenuidade.

Virgil Griffith é descrito como um “hacker de culto”, pois possui uma série de características que o qualificam como um “nerd com suavidade de James Bond” (Imagem: CoinDesk)

Um hacker de culto

Em um perfil do New York Times ligado a seu site pessoal, Griffith, um cidadão americano que vive em Cingapura, é descrito como “um hacker de culto que combina ‘nerdice’ com uma suavidade de James Bond”.

O pesquisador de 36 anos de idade tem um histórico de embarcar em campanhas ambiciosas de tratado de paz, se empenhando em reconciliar a Ethereum com a finança islâmica sob a lei Xaria, além de resolver diferenças com a equipe por trás da Ethereum Classic.

Antes de entrar para a Equipe de Projetos Especiais da Ethereum, Griffith criou uma ferramenta nociva chamada de WikiScanner, que compara endereços de IP para expor os invasores de edições anônimas na Wikipédia.

Porém, dessa vez, ele exagerou nessa malícia. A Ethereum Foundation tentou se distanciar da aventura norte-coreana de Griffith, dizendo que foi “uma viagem pessoal que muitos foram contra”.

Outros desenvolvedores também lamentaram sua imprudência, e Nick Johnson disse que é provável que as boas intenções de Griffith tenham consequências extremas.

“Ao viajar para a Coreia do Norte, mesmo sendo aconselhado a não fazê-lo, e depois conversar com o FBI sobre isso sem a presença de um advogado foi algo muito ingênuo, e as consequências pessoais para Virgil serão possivelmente extremas. Mas eu acredito muito que o empenho dele foi bem-intencionado.”

O advogado cripto Preston Byrne entrou no coro dos críticos com visões menos simpáticas, considerando o contratempo como uma “terrível falha de governança pela Ethereum Foundation e a Enterprise Ethereum Alliance”.

No entanto, Vitalik Buterin lançou uma petição em seu Twitter e fez um apelo fervoroso pela liberdade de Griffith, afirmando que “uma mentalidade aberta e geopolítica é uma virtude”, e que essa virtude foi compensada em outros contextos, como a “melhoria nas relações com a Ethereum Classic, Hyperledger, entre outras”.

Em sua própria defesa, aparentemente Griffith contou ao FBI que a apresentação só contém conceitos sobre blockchain e criptoativos que podem ser encontrados on-line, uma explicação que ressoou com várias figuras de mentalidade libertária, como o programador John McAfee, que sugere que uma repressão criminal, nesse caso, poderia resultar em precedentes perigosos por “considerar que informações disponíveis publicamente sejam um segredo de estado”.

Griffiths vai ser representado pelo advogado Brian Klein. O pesquisador foi liberado da prisão e aguarda julgamento.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 31/05/2020 - 15:00