Crédito Privado

Mais seletivo e exigente: Itaú BBA vê nova dinâmica para crédito privado em 2026

17 abr 2026, 16:37 - atualizado em 17 abr 2026, 16:37
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(Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

O mercado de crédito privado no Brasil deixou para trás o risco de deterioração generalizada e entrou em uma fase marcada por maior seletividade entre empresas e setores, segundo relatório do Itaú BBA.

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Após a temporada de resultados do quarto trimestre de 2025, o banco aponta que o cenário atual é menos homogêneo e mais dependente da qualidade individual dos emissores.

Com isso, o desempenho das companhias passou a depender mais de fatores como previsibilidade de receita, disciplina de capital e capacidade de atravessar ciclos intensos de investimento sem comprometer a liquidez.

Setores defensivos seguem resilientes

Entre os segmentos mais estáveis, o relatório destaca os setores regulados e contratuais, como energia elétrica e concessões rodoviárias.

No setor elétrico, o ambiente foi considerado “estruturalmente mais estável” em 2025, com destaque para empresas com receitas previsíveis. Ainda assim, houve aumento relevante de curtailment — cortes na geração — com níveis médios de 23,1% na eólica e 23,8% na solar no quarto trimestre de 2025, segundo dados citados pelo banco.

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Já no segmento de concessões rodoviárias, o desempenho operacional seguiu positivo, com crescimento do tráfego. O Índice ABCR, que mede o tráfego em rodovias pedagiadas, avançou 2,5% em 2025, sustentado por alta de 2,6% em veículos leves e 2,3% em pesados. Apesar disso, o BBA ressalta que o setor segue dependente de investimentos elevados e sensível ao custo de capital.

No mercado imobiliário, o relatório aponta uma clara divisão: o segmento econômico segue favorecido pelo programa habitacional, enquanto média e alta renda enfrentam um ambiente mais desafiador, com maior pressão sobre estoques e margens.

Cíclicos mostram maior dispersão

Nos setores mais ligados ao ciclo econômico, 2025 foi marcado por maior heterogeneidade de resultados.

No setor de açúcar e etanol, a produção no Centro-Sul caiu. A moagem atingiu 603,67 milhões de toneladas na safra 2025/26, queda de 2,21% na comparação anual, enquanto o ATR (medida de quanto açúcar pode ser extraído da cana-de-açúcar) recuou para 138,25 kg/t, refletindo perda de produtividade.

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Ainda assim, o mix mais açucareiro ajudou a sustentar receitas, com produção de açúcar somando 40,25 milhões de toneladas (+0,71%), enquanto o etanol caiu 4,21%, para 32,96 bilhões de litros.

Na mineração, o minério de ferro continuou sustentando a geração de caixa, mas o aço permaneceu pressionado por importações. Já em óleo e gás, o desempenho passou a depender mais de eficiência operacional do que apenas dos preços internacionais.

O setor de papel e celulose registrou volumes fortes, mas preços ainda desafiadores, enquanto proteínas começaram a mostrar melhora, com exportações robustas e custos mais baixos de ração.

Liquidez e execução entram no centro da análise

De forma geral, o Itaú BBA destaca que o mercado passou a dar mais peso à qualidade financeira das empresas.

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“Liquidez, execução e alocação de capital ganham peso crescente na diferenciação entre emissores”, afirma a equipe no relatório.

Empresas com receitas mais estáveis, escala e dívida alongada tendem a se destacar. Por outro lado, companhias que dependem de desalavancagem, venda de ativos ou recuperação de margens seguem sob maior escrutínio.

Tendências para 2026

Para 2026, o banco projeta um cenário ainda seletivo, com alguns vetores principais no radar dos investidores.

No setor sucroenergético, a expectativa é mais positiva para o etanol, impulsionado pelo efeito cheio da mistura obrigatória de 30% na gasolina (E30). A produção pode atingir cerca de 40 bilhões de litros na safra 2026/27, segundo estimativas citadas no relatório.

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Por outro lado, o avanço do etanol de milho, que já representa mais de 22% da produção nacional e deve crescer cerca de 20%, tende a aumentar a oferta e limitar a alta de preços.

Em concessões e infraestrutura, o cenário segue construtivo, mas com maior seletividade. “Embora o pano de fundo setorial continue positivo, a diferenciação entre concessionárias deverá permanecer elevada”, aponta o banco.

No setor elétrico, a agenda regulatória avançou com a renovação de concessões, reduzindo riscos institucionais. Ainda assim, o foco do mercado deve permanecer na execução de investimentos e na gestão do balanço.

Um mercado mais exigente

A principal conclusão do Itaú BBA é que o crédito privado entrou em uma nova fase, em que não basta estar no setor certo, é preciso ter execução e disciplina financeira.

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“Nos casos em que a tese depende de desalavancagem, monetização de ativos ou normalização de margens, o foco do mercado tende a permanecer concentrado na conversão de resultado operacional em caixa”, diz o banco no relatório.

Com juros ainda elevados e ciclos de investimento intensos, 2026 deve consolidar um ambiente mais exigente para empresas e mais seletivo para investidores.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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