Prévias Operacionais

Copa do Mundo e crédito mais restrito pesam sobre construtoras no 2T26, diz Safra; veja as ‘vencedoras’

21 jul 2026, 9:48 - atualizado em 21 jul 2026, 9:53
construtoras construção civil (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto)
Copa do Mundo e crédito mais restrito pesam sobre construtoras no 2T26, diz Safra; veja as 'vencedoras' (Imagem: JONGHO SHIN/istockphoto/Montagem Money Times)

As prévias operacionais das construtoras referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26) vieram abaixo do esperado, refletindo um ambiente macroeconômico mais desafiador, com pressões inflacionárias e fatores sazonais, segundo avaliação do Safra.

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Em relatório, o banco afirmou que grande parte das incorporadoras apresentou números mais fracos do que o previsto em um período considerado “atípico” e impactado, em parte, pela Copa do Mundo em junho, que reduziu o fluxo de clientes em estandes de vendas.

De acordo com os analistas, no segmento de baixa renda, por exemplo, que é atendido principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), as empresas registraram a desaceleração mais acentuada na velocidade de comercialização.

Segundo o Safra, além do fator sazonal, o desempenho também foi prejudicado pelo endurecimento da política de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, que reduziu em cerca de 300 pontos-base o comprometimento máximo de renda dos compradores.

Ainda assim, o banco acredita que o cenário pode melhorar nos próximos meses, já que a Caixa pode reverter essa medida, enquanto o Conselho Curador do FGTS deve discutir, em reunião marcada para 28 de julho, uma redução das taxas de financiamento para as faixas 3 e 4 do MCMV, o que tende a favorecer a demanda.

Baixa renda perde ritmo

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Pelas contas do Safra, os lançamentos consolidados das construtoras de baixa renda recuaram 1% na comparação anual e ficaram 5% abaixo das projeções.

Já as vendas líquidas avançaram apenas 2% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ficaram 7% abaixo das expectativas.

Com isso, a velocidade de comercialização (VSO) consolidada do segmento caiu para 24,2%, uma redução de 2,2 pontos percentuais ante igual intervalo de 2025.

Parte desse movimento, segundo o relatório, ocorreu pela redução da atividade de lançamentos em São Paulo, após a suspensão inicial de alvarás de construção.

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Entre as empresas acompanhadas pelo banco, a Tenda (TEND3) apresentou a maior desaceleração na VSO. O índice recuou para 24,4% entre abril e junho, queda de 3,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior.

Já a Direcional (DIRR3) surpreendeu positivamente na geração de caixa, mas teve comercialização abaixo do esperado, impactada pelo desempenho mais fraco da Riva e pela maior participação de sócios minoritários nos empreendimentos.

A Plano & Plano (PLPL3), por sua vez, melhorou sua VSO na comparação trimestral, embora continue registrando o menor indicador entre as empresas listadas acompanhadas pelo Safra.

EmpresaLançamentos realizados no 2T26vs. esperadoVendas líquidas realizadas no 2T26vs. esperadoVSO realizada no 2T26vs. esperado
Cury (CURY3)R$ 1,94 bi+1%R$ 1,75 bi-5%38,6%-2,3 p.p.
Tenda (TEND3)R$ 1,77 bi-2%R$ 1,40 bi-9%24,4%-1,9 p.p.
Direcional (DIRR3)R$ 1,57 bi-17%R$ 1,37 bi-12%23,6%-1,6 p.p.
MRV&Co (MRVE3)R$ 2,95 bi-5%R$ 2,75 bi-6%21,2%-1,5 p.p.
Plano&Plano (PLPL3)R$ 781 mi+6%R$ 828 mi+1%19,3%0 p.p.

Médio e alto padrão seguem resilientes

No segmento de média e alta renda, o banco considera que os resultados foram relativamente sólidos, especialmente nos lançamentos, que cresceram 3% na comparação anual e superaram em 5% as estimativas.

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As vendas líquidas, por outro lado, recuaram 2% e ficaram levemente abaixo das projeções dos analistas da casa.

A avaliação do Safra é a de que os novos empreendimentos continuaram apresentando boa absorção, com índice médio de vendas sobre oferta próximo de 36%.

Por outro lado, o indicador médio de vendas sobre estoque ficou ao redor de 10%, com queda sequencial de 1,3 ponto percentual.

Segundo o banco, inclusive, o estoque consolidado das empresas sob cobertura avançou 8% no trimestre e 23% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 25,6 bilhões.

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A leitura é de que o aumento dos inventários reforça as preocupações do mercado com uma desaceleração mais persistente das vendas de estoque, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Moura Dubeux e Cyrela se destacam

De acordo com o Safra, entre as incorporadoras de média e alta renda, a Moura Dubeux (MDNE3) foi o principal destaque do 2T26. A companhia registrou vendas 13% acima das estimativas e alcançou velocidade de vendas de 21%, a mais elevada entre seus pares.

A Cyrela (CYRE3) também apresentou desempenho positivo, com expansão de 18% nas vendas na comparação trimestral, impulsionado pelo avanço de 24% nas vendas performadas de estoque.

Na outra ponta, o banco apontou que a Even (EVEN3) foi a maior decepção do período, com vendas cerca de 45% abaixo das expectativas.

EmpresaLançamentos realizados no 2T26vs. esperadoVendas líquidas realizadas no 2T26vs. esperadoVSO realizada no 2T26vs. esperado
Moura Dubeux (MDNE3)R$ 1,01 bi+5%R$ 1,02 bi+13%20,9%+2,2 p.p.
Eztec (EZTC3)R$ 773 mi+8%R$ 578 mi-10%14,8%-1,9 p.p.
Cyrela (CYRE3)R$ 3,84 bi+9%R$ 2,56 bi0%16,9%-0,4 p.p.
Even (EVEN3)R$ 281 mi-26%R$ 156 mi-45%4,4%-3,4 p.p.
Lavvi (LAVV3)R$ 848 mi-1%R$ 545 mi-5%18,5%-1,2 p.p.
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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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