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Mansueto, do BTG, vê crescimento nos EUA impulsionado por IA, mas alerta para riscos geopolíticos e estagnação no petróleo

21 jan 2026, 11:15 - atualizado em 21 jan 2026, 9:05

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Em meio a um ano que já começa com tensões elevadas, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela pelo governo de Donald Trump e a disputa pela Groenlândia, o economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, pinta um quadro de resiliência para a economia global em 2026, mas com alertas para incertezas geopolíticas e limites na produção de commodities.

Durante painel no evento “Onde Investir em 2026”, promovido pelo portal Seu Dinheiro, parceiro do Money Times, Mansueto destacou como os mercados emergentes, incluindo o Brasil, podem continuar se beneficiando de uma diversificação de riscos, mesmo diante de tarifas elevadas nos EUA e conflitos internacionais persistentes.

Almeida afirma que 2025 foi um ano marcado por “ruído constante” que, surpreendentemente, não derrubou os mercados como previsto.

“O ‘Dia da Libertação’, em 2 de abril de 2025, com aumento generalizado de tarifas não só contra a China, mas contra aliados como México e Canadá, gerou muita incerteza. Vários bancos americanos previam recessão nos EUA”, lembrou o economista.

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No entanto, o efeito foi o oposto para os emergentes: “Houve diversificação de portfólios. O medo de recessão nos EUA não fortaleceu o dólar como esperado – o oposto aconteceu. Moedas emergentes, incluindo o real, se apreciaram, e bolsas subiram no Brasil, Chile, Colômbia e México”.

Para 2026, Mansueto prevê continuidade dessa dinâmica, impulsionada pela economia norte-americana. “No curto prazo, o que puxa o crescimento é o investimento em inteligência artificial – a cadeia toda: energia, data centers, software. Os EUA devem crescer cerca de 2%, o que é surpreendente pós-pandemia, diferente da Europa”, destaca.

Ele apontou para riscos inflacionários, como o impacto das tarifas (menor que o esperado) e um mercado de trabalho ainda aquecido, mas manteve otimismo: em cenário positivo, o Federal Reserve pode fazer mais dois cortes na taxa de juros, levando-a para cerca de 3%. No pior caso, apenas um corte, se a inflação se mostrar resiliente.

Geopolítica: interdependências globais como freio a escaladas

Os riscos geopolíticos dominam as preocupações de Mansueto para o ano. “Continuamos com ruído: Ucrânia desde 2022, Israel-Hamas, bombardeio no Irã, tensões EUA-China”, listou.

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No entanto, ele enfatizou um fator mitigante: as interdependências econômicas. “A China depende de exportações para os EUA, de terras raras… Isso faz o bom senso prevalecer muitas vezes”, afirmou.

Em 2025, esse contexto levou a uma alta simultânea nas bolsas americanas e no ouro – “sinal de diversificação de risco”, com bancos centrais, incluindo o do Brasil, comprando o metal precioso.

A captura de Maduro, no início de janeiro, foi minimizada pelo economista como impacto limitado nos mercados. “O preço do petróleo praticamente não mexeu. A intervenção de Trump visa aumentar a produção na Venezuela, mas há dúvidas”, disse Almeida.

Ele detalhou o colapso da infraestrutura local: a produção de petróleo venezuelana caiu de 4 milhões para cerca de 1 milhão de barris por dia. “Precisa de cerca de US$ 100 bilhões para recuperar. O óleo é pesado, caro de extrair, e os preços baixos – em torno de US$ 60 por barril – tornam inviável sem subsídios”.

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Para 2026, o petróleo deve permanecer estável entre US$ 55 e 60 por barril, sem grandes quedas que aliviem a inflação global, estima Almeida.

Benefícios para emergentes e lições para o Brasil

Almeida conectou o cenário internacional ao Brasil, argumentando que um dólar enfraquecido e a diversificação de portfólios favorecem os emergentes.

“Em 2025, terminamos com inflação a 4,3% e Selic a 15%, e mesmo assim a bolsa brasileira teve bom desempenho”, observou, sugerindo que 2026 pode repetir o padrão se os riscos globais não escalarem.

No entanto, ele alertou para o potencial contágio de incertezas nos EUA, como a discussão sobre a independência do Federal Reserve, que poderia enfraquecer o dólar ainda mais – “o que não é ruim para emergentes”.

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