MARA Holdings abre possibilidade de vender seus bitcoins (BTC) em documento enviado à SEC
A MARA Holdings, a maior mineradora de bitcoin (BTC) listada em bolsa e com maior caixa em BTC, ampliou sua política de tesouraria para 2026 para incluir a possibilidade de venda de suas reservas acumuladas da criptomoeda, segundo um documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC) na segunda-feira (2).
A revisão da política marca uma mudança da abordagem histórica da empresa de manter os bitcoins minerados como investimento de longo prazo, mesma visão das bitcoin treasury companies.
Além disso, o anúncio acontece um ano após a estratégia ativa de gestão de ativos digitais apresentar resultados financeiros mistos: por um lado, as receitas geradas com juros foram positivas, mas as perdas com operações de trading e quedas significativas por marcação a mercado pesaram no balanço.
“Na segunda metade de 2025, alteramos nossa estratégia de gestão de ativos digitais para permitir a venda de bitcoin gerado pelas operações e, em 2026, ampliamos a estratégia para autorizar a venda de bitcoin mantido em nosso balanço”, escreveu a MARA no documento.
“Assim, podemos manter bitcoin para fins de investimento de longo prazo e comprar ou vender bitcoin ocasionalmente, sujeito às condições de mercado e às nossas prioridades de alocação de capital”.
De acordo com o documento da SEC, a estratégia de gestão de ativos digitais da MARA abrange posições de tesouraria, operações de empréstimo, atividades de negociação e captação com garantia.
As reservas da MARA Holdings em bitcoin (BTC)
Em 31 de dezembro de 2025, aproximadamente 28% das suas 53.822 unidades de BTC estavam alocadas nessa estratégia, incluindo 9.377 BTC emprestados (lending) a contrapartes e 5.938 BTC dados como garantia em linhas de crédito que totalizam US$ 350 milhões.
Os bitcoins emprestados geraram US$ 32,1 milhões em receita de juros.
Vale destacar que o movimento mais amplo da MARA para ativar sua tesouraria enfrentou dificuldades em 2025. A empresa informou ter registrado uma redução de US$ 422,2 milhões no valor justo de suas participações em bitcoin no ano, principalmente devido à queda no preço de mercado da criptomoeda.
Ao mesmo tempo, uma conta de gestão separada financiada com 2.000 BTC na Two Prime, criada no segundo trimestre para implementar estratégias estruturadas de negociação e hedge, registrou prejuízo líquido de US$ 22,1 milhões.
A MARA minerou 8.799 BTC em 2025, uma queda de 7% em relação aos 9.430 BTC produzidos no ano anterior. A empresa atribuiu o recuo ao evento de halving de abril de 2024 e ao aumento da dificuldade da rede, mesmo com a expansão de seu hashrate energizado para 66,4 EH/s.