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Marcello Cestari: O mundo busca uma alternativa ao dólar e o ouro reage — mas por que o bitcoin (BTC) ainda não é opção?

11 fev 2026, 16:27 - atualizado em 11 fev 2026, 16:27
Bitcoin (BTC) espera sua hora de substituir o dólar (Imagem Copilot)
Bitcoin (BTC) espera sua hora de substituir o dólar (Imagem Copilot)

Salve, salve, meus entusiastas do mercado cripto! Hoje vamos falar do que tem sido um dos temas mais quentes do momento: a mudança de paradigma do mundo em relação ao dólar — e por que o bitcoin (BTC) ainda não virou uma alternativa.

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Vamos voltar alguns passos. Em 1944, os Estados Unidos se tornaram o fornecedor global de ativos financeiros seguros.

No acordo de Bretton Woods, apenas o dólar americano era conversível em ouro. As demais moedas se conectavam ao metal de forma indireta, por meio de câmbios fixos contra o dólar.

O resultado foi simples e poderoso: os EUA viraram o “banqueiro do mundo”, responsáveis por fornecer ativos seguros denominados em dólar para o resto do planeta.

Na época, os EUA detinham cerca de 70% do ouro mundial e respondiam por 50% da produção industrial global. Bancos centrais precisavam de ouro como referência e de dólares para reconstruir suas economias. Não havia alternativa.

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Nem todo mundo aceitou esse arranjo de bom grado.

O presidente francês Charles de Gaulle enxergava Bretton Woods como a origem do chamado “privilégio exorbitante” dos EUA: a capacidade de se endividar em sua própria moeda, sem custo real. Na prática, emitir Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) passou a ser uma forma moderna de senhoriagem — um imposto invisível pago pelo resto do mundo.

Mais do que isso, assessores franceses alertavam: o sistema era insustentável. Se o mundo inteiro precisasse de dólares, os EUA inevitavelmente teriam que rodar déficits crescentes — e, em algum momento, o dólar teria que ser desvalorizado em relação ao ouro.

“Privilégio exorbitante” do dólar e a reação do mundo

A França decidiu agir.

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Nos anos 1960, o país começou a converter sistematicamente os dólares acumulados por seus exportadores em ouro, à taxa oficial de Bretton Woods. Mas foi além: lançou a “Operação Esvaziar os Bolsos”, trazendo fisicamente o ouro de volta para território francês.

Durante anos, isso foi feito de forma discreta. Até que, em agosto de 1971, a França enviou um destroyer militar ao porto de Nova York para buscar cerca de US$ 200 milhões em ouro.

Não era um ato de guerra, mas foi um ataque direto ao dólar.

Dias depois, Richard Nixon anunciou o fim da conversibilidade do dólar em ouro. O motivo era menos ideológico e mais prático: os cofres americanos estavam vazios, drenados por déficits para financiar a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria e o programa Great Society.

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Dois anos depois, o sistema de câmbio fixo ruiu oficialmente. Bretton Woods havia acabado.

Mas o domínio do dólar, não.

Mesmo sem ouro por trás, o mundo continuou usando o dólar como principal moeda de reserva. O motivo era estrutural: os EUA tinham (e ainda têm) os maiores e mais líquidos mercados financeiros, forte proteção à propriedade privada e instituições confiáveis.

O ouro, no fim das contas, era quase um detalhe.

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Só que esse equilíbrio começa a dar sinais de desgaste

Treasuries já não funcionam como porto seguro automático. Instituições globais passaram a questionar a previsibilidade do governo americano. E países como a China já orientam seus bancos a reduzir exposição à dívida dos EUA.

O ponto é simples: a confiança no dólar está sendo testada.

E aqui entra o paradoxo das criptomoedas.

Depois de anos sendo ignorados, nós, entusiastas do mercado cripto, estamos certos sobre o diagnóstico macro: déficits crescentes geram abuso do privilégio monetário, erosão da confiança institucional e, consequentemente, uma busca global por uma nova reserva de valor.

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Mas erramos no timing do preço.

Enquanto o ouro subiu cerca de 74% no último ano, o bitcoin caiu aproximadamente 27%. O “ouro digital” não respondeu como muitos esperavam justamente no momento em que o mundo mais questiona o dólar.

Bizarro né?

Isso não invalida a tese do bitcoin. Mas mostra algo importante:

Por enquanto, bitcoin ainda é tratado mais como ativo de risco do que como reserva de valor sistêmica.

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O dólar virou moeda global não apenas por escassez ou lastro, mas porque era mais fácil de usar do que ouro. Bitcoin é ainda mais eficiente: digital, sem bancos, sem intermediários, sem fronteiras.

Em tese, o timing deveria ser perfeito.

Na prática, o mercado ainda não o enxerga como tal.

Talvez porque confiança monetária não se constrói apenas com código, mas com tempo, liquidez, estabilidade política e aceitação institucional ampla.

Enfim, existem vários outros argumentos e explicações para explicar o atual preço do Bitcoin, mas discutimos isso nas próximas edições.

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Forte abraço,

Marcello Calbo Cestari

Aviso obrigatório

Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.

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Analista e trader dos fundos de cripatoativos na Empiricus Gestão
Marcello Cestari é analista e trader responsável por todos os fundos de cripatoativos na Empiricus Gestão. É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp). Além de suas responsabilidades na gestora, compartilha regularmente sua expertise por meio da produção de conteúdos e análises aprofundadas sobre o mercado de criptoativos em seu Instagram.
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Marcello Cestari é analista e trader responsável por todos os fundos de cripatoativos na Empiricus Gestão. É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp). Além de suas responsabilidades na gestora, compartilha regularmente sua expertise por meio da produção de conteúdos e análises aprofundadas sobre o mercado de criptoativos em seu Instagram.
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