Eleições 2026

Eleição pode ser definida no primeiro turno e, se Flávio Bolsonaro for eleito, será presidente impopular, diz Mauricio Moura, do Zaftra

29 set 2026, 18:09
Mauricio Moura, do Zaftra Fund: eleição pode ser definida no primeiro turno (Divulgação/Market Makers)

O cenário-base para Mauricio Moura, sócio do Zaftra Fund e fundador do Instituto Ideia, é de a eleição presidencial brasileira caminhar para ser definida em um segundo turno. Mas, segundo ele, a possibilidade de definição em um primeiro turno no próximo domingo (4) “não é nada desprezível” e depende de alguns fatores ligados ao fenômeno do “não-voto“, soma de votos brancos, nulos e abstenções.

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“Se esse não-voto chegar a uma zona entre 31% e 32%, a probabilidade é muito alta de a eleição ser definida no primeiro turno”, disse Moura, no TAG Summit 2026, organizado pelo Market Makers nesta terça-feira (29).

Nesse cenário, tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) são os nomes com chances de vitória. Mas o senador de oposição tem um favoritismo graças a dois fatores, segundo o executivo. O primeiro é o “antipetismo de chegada“, com o crescimento dos candidatos mais viáveis contra o Lula ou indicados pelo petista, na reta final do primeiro turno e com votos de adversários aliados ideologicamente, o que ocorre desde 2014.

“O potencial do antipetismo de chegada é maior agora, e o Flávio tende a ganhar mais, porque todos os principais adversários são de oposição”, disse.

Outro fator é o perfil do eleitor que fomentará o nível de abstenção. Cerca de 20% dos que não votam são de baixa renda e de baixa escolaridade. “Em 2022, 5 milhões de analfabetos não apareceram, isso sempre impacta o PT, que perde de 1,5 ponto a 2,5 pontos dos votos pela abstenção”, afirmou Moura.

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Por outro lado, outros fatores favorecem Lula na reta final para vencer no primeiro turno. O nível de energia é baixo da campanha de Flávio e, na avaliação do sócio do Zaftra, o senador é um candidato com muito menos engajamento e popularidade do que o pai, Jair Bolsonaro.

Outro fator a ser explorado pela campanha de Lula é colar ao máximo em quem aprova seu governo, em torno de 46% no geral, e aumentar essa aprovação na reta final de campanha. “Para Lula chegar bem ao segundo turno, precisa fazer pelo menos 4 pontos a mais do que o segundo colocado e ter mais de 49% dos válidos. Se fizer entre 45% a 47% vai ser muito difícil”, afirmou.

Flávio impopular

Se Flávio Bolsonaro for eleito, independente de qual turno isso ocorrer, ele será um presidente rapidamente impopular e que tende a cair na mão do Centrão e do Congresso, segundo o sócio do Zaftra, fundo que começou a operar em abril de 2023 e que, pela primeira vez, atua nas eleições presidenciais brasileiras.

“Se Flávio ganhar, vai ter um certo otimismo do mercado, inclusive do estrangeiro, mas a dificuldade é ele entregar. Se eleito, ele vai ser um presidente rapidamente impopular, com metade contra logo na largada e com uma maior parte da coalizão que o ajudará a ser eleito sem boa vontade com ele”, disse Moura “Um presidente impopular fica na não da política, que hoje está na mão do Centrão”.

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Na avaliação do executivo, as três semanas de campanha do eventual segundo turno serão “pesadas” e com os dois lados “partindo para o tudo ou nada”. Acusações, fake news e ausência de um debate de propostas balizarão o possível embate entre Lula e Flávio Bolsonaro. “Isso pode aumentar a abstenção no segundo turno, ainda mais porque os dois são muito rejeitados”, afirmou.

Mercado desconectado do mundo real

A euforia com a vitória de um candidato de oposição a Lula, que traz movimentos pontuais de preços de ativos com a subida ou queda do presidente, é um dos sinais da desconexão do mercado com o mundo real, segundo Moura.

“O mercado é muito desconectado do mundo real. Assim como o que o mercado percebe o que é bom para a economia e o que a opinião pública percebe para a economia é completamente diferente”, concluiu.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.

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