MBRF (MBRF3): JP Morgan enxerga efeitos positivos para preços com conflito no Irã
O JP Morgan avaliou os possíveis impactos do conflito envolvendo o Irã sobre as operações da MBRF (MBRF3) no Oriente Médio e concluiu que, no curto prazo, o cenário pode favorecer a companhia em termos de preços e volumes, mas alertou para riscos logísticos caso o conflito se prolongue. Os analistas recomendam compra (overweight) e preço-alvo de R$ 28,5o para a ação.
Segundo o banco, a região responde por cerca de 5% da receita da empresa, podendo alcançar entre 8% e 10% do Ebitda em 2026. Aproximadamente metade do frango consumido nos mercados halal do Oriente Médio é congelado e importado — majoritariamente do Brasil — o que reforça a relevância estratégica da região para as exportadoras brasileiras de proteína.
A MBRF utiliza o Estreito de Ormuz como principal rota logística para acessar seus mercados e unidades de processamento. Até o momento, apenas uma companhia de navegação interrompeu as operações na região, o que sugere impacto ainda limitado.
Na visão do JP Morgan, caso as restrições logísticas sejam temporárias, a empresa pode se beneficiar de preços domésticos mais fortes, especialmente por operar com estoques superiores aos de um importador típico, dado o tamanho de sua presença regional.
Por outro lado, se as disrupções persistirem por um período mais longo, a companhia pode enfrentar aumento nos custos de frete, com a necessidade de rotas alternativas, como via Mar Vermelho ou transporte terrestre, o que pressionaria a rentabilidade no médio e longo prazo.
Temor do mercado
Há no mercado financeiro temores de uma guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã. O conflito entrou em seu terceiro dia nesta segunda-feira e, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, não existe um prazo para terminar.
Trump não descartou o envio de tropas americanas ao conflito, enquanto o Irã revidou os ataques e voltou a bombardear o território de Israel e bases americanas em países do Oriente Médio.
O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz é o que mais preocupa os investidores, uma vez que representa 20% do fornecimento global de petróleo. Para a economista da Asa, Andressa Durão, o transporte no local parece ter sido significativamente interrompido e acende um alerta relevante para o mercado.
*Com Estadão Conteúdo