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Mercado ainda não entendeu por que Neoenergia pagou (muito) caro pela CEB-D

06 dez 2020, 17:26 - atualizado em 06 dez 2020, 17:26
Neoenergia NEOE3
Charada: Neoenergia pagou R$ 1 bilhão além do valor justo da CEB-D, segundo a Ágora (Imagem: Linkedin/Neoenergia)

A Neoenergia (NEOE3) parece disposta a crescer a qualquer preço – literalmente. Os analistas ainda tentam entender por que a companhia pagou R$ 2,52 bilhões pela CEB-D, a companhia de distribuição elétrica de Brasília, no leilão de venda realizado na última sexta-feira (4).

O argumento de que o preço final resultou da forte concorrência com a CPFL (CPFE3) na última fase do leilão – o dos lances viva-voz – não convence os analistas. O motivo é que o lance inicial da Neoenergia já foi maior que o considerado justo pelos analistas.

É o caso da Ágora Investimentos. A gestora defende que o valor justo da CEB-D era de R$ 1,5 bilhão, bem próximo aos lance mínimo de R$ 1,42 bilhão determinado pelos vendedores. “Pelos nossos cálculos, o preço mínimo estabelecida já implicava uma avaliação bastante elevada”, afirmam Francisco Navarrete e Ricardo França, que assinam o relatório.

Sinais negativos

Quando os lances iniciais foram revelados, a Equatorial (EQTL3) foi a única que chegou perto do calculado pela Ágora, com uma proposta de R$ 1,49 bilhão. A CPFL ofereceu R$ 1,95 bilhão. Mas coube à Neoenergia largar na frente, com R$ 2,22 bilhões. Passando à etapa final, com lances pelo viva-voz, CPFL e Neoenergia disputaram a empresa brasiliense até a vitória da última.

Para a Ágora, contudo, não há motivos para festejar. Primeiro, porque a CEB-D possui dívidas fiscais que somavam R$ 571 milhões em setembro. Segundo, porque a candidata natural a comprar a distribuidora era a Enel, que já abastece Goiás e, portanto, detém uma rede de distribuição que, literalmente, cerca o Distrito Federal. Mas a Enel sequer deu as caras no leilão.

“Sem ter ouvido ainda os potenciais geradores de valor e sinergias que a administração prevê, vemos este evento como negativo para a Neoenergia”, sentenciam os analistas da Ágora. Pelo visto, a companhia terá muito a explicar nos próximos dias.

 

Diretor de Redação do Money Times
Ingressou no Money Times em 2019, tendo atuado como repórter e editor. Formado em Jornalismo pela ECA/USP em 2000, é mestre em Ciência Política pela FLCH/USP e possui MBA em Derivativos e Informações Econômicas pela FIA/BM&F Bovespa. Iniciou na grande imprensa em 2000, como repórter no InvestNews da Gazeta Mercantil. Desde então, escreveu sobre economia, política, negócios e finanças para a Agência Estado, Exame.com, IstoÉ Dinheiro e O Financista, entre outros.
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