Mercado Livre perde posto de empresa mais valiosa da América Latina para Petrobras e Itaú; veja ranking
O Mercado Livre (MELI34) perdeu a coroa de empresa mais valiosa da América Latina após cair duas posições no ranking, assumidas pelo Itaú Unibanco (ITUB4) e pela Petrobras (PETR4), mostra estudo da Elos Ayta.
A gigante argentina do e-commerce dominava o primeiro lugar desde agosto de 2024, mas perdeu a posição em meio a uma retomada, ainda que parcial, do protagonismo dos setores tradicionais, como energia e financeiro, aponta o estudo.
A coroa agora é da Petrobras, que retomou o posto com valor de mercado de US$ 100,9 bilhões, após adicionar US$ 26,3 bilhões desde o fim de 2025. Se trata da maior expansão absoluta entre todas as companhias latino-americanas no período, mostra o levantamento.
Já a segunda posição fica com o Itaú, que avançou US$ 22,1 bilhões, atingindo US$ 97,8 bilhões.
No caso do Mercado Livre, houve uma perda de US$ 7,6 bilhões em valor de mercado em 2026, recuando para US$ 94,5 bilhões.
“A correção interrompe um ciclo iniciado em 1º de agosto de 2024, quando a companhia havia ultrapassado a Petrobras e inaugurado uma fase simbólica de domínio das empresas de tecnologia na região”, diz a Elos Ayta.
Ranking

O estudo mapeou ainda que apenas duas empresas perderam valor de mercado no ano, sendo elas Mercado Livre e Nu Holdings, com queda de US$ 2,65 bilhões. Já do lado positivo, além de Petrobras e Itaú, destaque para Vale (alta de US$ 16,4 bilhões), BTG Pactual (US$ 15,5 bilhões) e Grupo México (US$ 19,1 bilhões).
“Por trás dessa valorização das companhias brasileiras há também um fator cambial decisivo. A desvalorização de 6,16% do dólar em 2026 inflou automaticamente os valores de mercado quando convertidos para a moeda americana, amplificando a percepção de ganho de valor das empresas listadas na B3”, coloca o estudo.
Resultados do Mercado Livre no radar
O Mercado Livre divulga seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira (24). Para o BTG Pactual, a principal variável de curto prazo para monitorar é o crescimento do GMV (volume bruto de mercadorias) e sua qualidade, com foco em avaliar se o crescimento está se tornando mais eficiente.
“A discussão concentra-se em quatro temas que devem receber maior atenção do mercado nos resultados, mantendo uma visão estruturalmente construtiva. O principal ponto é determinar se a companhia continua avançando na curva de investimentos ou se começa a monetizar o que já construiu”, ponderam os analistas.
No último trimestre, o take rate de 3P (marketplace) foi de 21,1%, levemente menor em base anual devido a investimentos em frete grátis e maior intensidade competitiva, com receitas de publicidade, fidelidade e taxas compensando parcialmente a menor receita de frete como percentual do GMV.
A redução do limite para frete grátis foi reiterada como investimento de longo prazo em frequência, retenção e amplitude de categorias, com impacto relevante na take rate no Brasil.
“A análise inclui crescimento do GMV versus evolução da take rate, penetração de publicidade, receita de frete e crescimento de compradores, sendo que crescimento acima de 30% no Brasil com estabilização do take rate indicaria normalização dos reinvestimentos”, diz o BTG.