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Mineração de bitcoin é sustentável?

10/11/2019 - 11:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
O grande investimento em fazendas de minerações é bom ou ruim para o meio ambiente? (Imagem: Pixabay)

Um relatório da CoinShares fornece uma nova compreensão do atual estado da indústria de mineração de bitcoins. Dentre as descobertas mais interessantes está a de que o setor de mineração global é ampla e ecologicamente correto por conta do uso difundido de energia renovável.

Essa descoberta contradiz muitos dos relatórios anteriores e pode ajudar a alterar a narrativa de que “o bitcoin é um desastre ambiental”.

O relatório bianual “Bitcoin Mining Network” foi compilado pelos pesquisadores Christopher Bendiksen e Samuel Gibbons da CoinShares.

Nele, fala-se sobre as tendências gerais de mineração de criptomoedas, o custo médio de operação por região, os tipos de energia usados para alimentar as fazendas de mineração, além da composição geral de mineradores ao redor do mundo.

CoinShares é uma empresa de investimentos famosa por sua oferta de produtos para negociação de criptoativos (Imagem: CoinShares)

CoinShares, da Global Advisors, é uma empresa de investimento e pesquisas de criptoativos situada em Londres.

É mais conhecida por sua oferta de produtos de investimento em exchanges de negociação de criptoativos, como rastreadores de bitcoin (COINXBT e COINXBE) e rastreadores de ether (COINETH e COINETHE).

Em 2018, a Global Advisors entrou em um consórcio de custodiante para investidores institucionais.

O domínio da energia renovável

O setor de mineração é dominado por mineradores localizados em regiões onde a energia hidrelétrica é mais barata, como na Escandinávia, Cáucaso, noroeste do Pacífico, leste do Canadá e sudoeste da China.

Fazendo uso da combinação de regiões de mineração globais assim como a entrada de energia renovável regional, a CoinShares descobriu que a indústria de mineração é bem sustentada por energia renovável.

Christopher Bendiksen, chefe de pesquisa da CoinShares, afirmou:

“Atualmente, nossa porcentagem aproximada de geração de energia renovável no pacote energético de mineração de bitcoins é de 74,1%, quatro vezes mais do que o pacote energético médio.”

Hidrelétricas são a fonte de energia principal para a mineração de bitcoins (Imagem: Pixabay)

Essa afirmação é uma conquista para o setor de mineração, muito criticado no passado por conta de suas grandes necessidades energéticas. Além disso, esse fato conversa com um setor que está buscando reconciliar seus ideais com as crescentes preocupações ambientais.

Aumento nas taxas de transação

O relatório confirma que os mineradores continuam a dominar o setor de mineração geral. Mineradores de bitcoin que fazem uso do consenso de “proof-of-work” levantam altas quantias em relação ao faturamento total, assim como o gasto total em segurança.

“Ao longo do ano de 2018, os mineradores de bitcoin receberam cerca de US$ 5,5 bilhões como recompensa pela mineração de blocos, em que US$ 5,2 bilhões (97%) foram de criptoativos recém-minerados, e US$ 300 milhões (3%) foram de taxas de transação.

A estimativa é que os mineradores ganhem aproximadamente US$ 6,2 bilhões anualmente, em que 94% vêm de novas criptomoedas e 6% de taxas de transação.”

Recompensa por descoberta de blocos é o grande atrativo para os mineradores (Imagem: Pixabay)

Essa descoberta indica um crescimento nas taxas cobradas em cada transação na rede Bitcoin. O aumento na proporção de rendimentos entre recompensas por blocos e taxas de transação é interessante, além de ser vantajoso para os mineradores, já que isso representa um fluxo mais amadurecido do mercado de transações.

A rede Bitcoin foi criada para cortar pela metade o número de bitcoins devolvidos aos mineradores em intervalos específicos. Controlados pelo complicado algoritmo, espera-se que a próxima nova redução de preço por bloco irá acontecer em algum momento nos próximos doze meses.

Enquanto espera-se por um novo desenvolvimento da rede, isso representa uma queda significativa nos rendimentos aos mineradores. Além disso, o aumento nas taxas de transação são boas notícias para a comunidade de mineração.

Houve aumento de 25% nas taxas de hash por segundo entre o fim de 2018 e a metade de 2019 (Imagem: Pixabay)

Mudanças na rede

O relatório da CoinShares também encontrou uma alta correlação entre a taxa de hashes e o preço do bitcoin, além de estes estarem relacionados a outras macrotendências da indústria de mineração.

Entre novembro de 2018 e junho de 2019, a taxa de hashes aumentou em cerca de 25%, de 40 EH/s (exahashes por segundo) para aproximadamente 50 EH/s.

A taxa de hashes passou por uma grande queda e atingiu o ponto mais baixo em correlação com o preço decrescente do bitcoin. O menor preço de bitcoin registrado recentemente foi em 15 de dezembro de 2018 (US$ 3.194,96).

“A queda de cerca de 40% na taxa de hashes no fim de 2018 representa a primeira vez em que houve uma queda considerável e prolongada em uma taxa de hashes como resultado de enormes correlações mantidas no preço de bitcoin.”

Com a recuperação e o aumento de preço do bitcoin além de janeiro, os mineradores começaram a voltar. Além disso, o aumento de preço coincidiu com o início do período de chuvas no sudoeste da China.

A dominância da China no setor de mineração se dá pelas hidrelétricas superabastecidas no período de chuvas (Imagem: NewsBTC)

Isso é um grande fator porque a chuva é utilizada para criar energia hidroelétrica, a fonte mais barata para mineradores chineses. Esse fato também contribuiu para o crescimento da taxa de hashes na rede Bitcoin.

Existem duas macrotendências correlacionadas às mudanças de preço e de taxas de hashes. A primeira delas é a saída de um grande número de mineradores por conta da queda de preços. Os relatórios mostraram que muitos mineradores foram à falência e sofreram liquidações.

Em uma tentativa de recuperar alguns de seus fundos, alguns deles transferiram a governança de suas fazendas para outros mineradores. Geralmente, os mineradores-compradores eram aqueles com maiores operações, capazes de resistir à pressão de baixo preço.

A segunda macrotendência é a “primeira instalação em escala do equipamento de mineração de última geração”. O relatório afirma que essa mudança é a mais visível em Sichuan, na China, por conta da época de chuvas.

Alguns mineradores tiveram grandes perdas por conta da queda de preço do bitcoin (Imagem: Pixabay)

Apesar disso, a CoinShares descobriu que a dominância chinesa como uma usina geradora no setor de mineração continua a cair, assim como as outras tendências dos últimos anos.

No entanto, a China continua a reforçar sua dominância no desenvolvimento de fazendas de mineração. O relatório explica:

“A dominância da China no setor de manufatura de software continua tão forte quanto antes e não demonstra sinais de redução. Mesmo se os piores rumores de esforço da Bitmain fossem verdade (temos nossas dúvidas), teriam impacto mínimo na dominância chinesa no setor de manufatura de mineração, já que outras manufaturas relevantes também são chinesas.”

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 30/05/2020 - 14:48