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Mineração e a oportunidade perfeita

20/02/2020 - 16:20
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
bitmain mineração
Bitmain é uma das mineradores afetadas pelo impacto econômico do coronavírus (Imagem: South China Morning Post)

Disrupções do mercado de mineração proof-of-work? Finalmente!

Primeiro, vamos falar sobre a mineração de bitcoin um pouquinho e, particularmente, sobre o que poderia acontecer nos próximos meses em relação à segurança da rede Bitcoin quando o halving de recompensa por bloco acontecer.

A produção de chips chineses desacelera e as preocupações relacionadas ao coronavírus (possivelmente) impactam no número de funcionários de grandes fazendas industriais de mineração na China.

A boa notícia é que a indústria de mineração já é quase pública, então sabemos quem são os grandes “players” e onde a maioria da capacidade de hash realmente funciona em redes alimentadas por proof-of-work (principalmente na China e também no Texas, e em lugares frios e ricos em energia).

Capacidade e crescimento de rede

O poder atual de hashes na rede Bitcoin gira em torno de 110 exahashes por segundo (EH/s), mais do que os quase 40 EH/s do fim de 2018.

Essa capacidade continuou a aumentar apesar do iminente halving que, por definição, reduz em 50% a receita dos mineradores e pode fazer com que diversas fazendas de mineração tenha que recuperar os níveis de custo de suas operações.

Em dezembro, a Coinshares estimou que as máquinas da Bitmain continuariam a fornecer energia para a maior parte da capacidade de hash total do mundo, mesmo com o declínio da dominância da empresa.

No mês passado, a CoinDesk publicou uma excelente análise explicando como o crescimento de capacidade de mineração de 2019 foi provavelmente resultado da novata MicroBT, cujas máquinas agora representam até 30% da capacidade total de mineração.

Canaan Creative, que agora é negociada em Bolsa nos EUA, afirma totalizar mais de 10% do poder de hash com base em seu último relatório de IPO de 2019.

Todas as três empresas estão correndo para apresentar chips de última geração antes do halving (principalmente o AntMiner S19 da Bitmain e o WhatsMiner M30 da MicroBT).

MicroBT é uma empresa de tecnologia baseada em blockchain e em inteligência artificial, com foco em chips de circuito integrado e desenvolvimento de produtos, dentre outros (Imagem: MicroBT)

Quando se fala do possível impacto do coronavírus, MicroBT é sediada em Shenzhen, cuja província de Guangdong foi a segunda província mais atingida da China após Hubei, em Wuhan.

Canaan Creative tem operações fora de Hangzhou, cuja província de Zhejiang foi a terceira mais atingida. Ambas estão relativamente confinadas, mas ainda não estão próximas de suas capacidades pré-vírus.

Da mesma forma, Bitmain é localizada em Pequim, mas a fabricação de chips é feita em Shenzhen e na Malásia (esta é um pouco mais protegida, mas ainda deve ser muito cedo para dizer se terão casos semelhantes na Malásia).

A produção de novas máquinas de mineração dessas grandes fabricantes já é extremamente dependente do fornecimento limitado de “wafers” de empresas de semicondutores, como Samsung e TSMC de Taiwan.

Mas pensando na discrepância que pode ser resultado de atrasos na produção — por conta do número reduzido de funcionários, disrupções da cadeia de fornecimento ou restrições de exportação como um todo — e você tem um péssimo cenário, com respeito a quem serão os vencedores e perdedores da corrida de produção de chips a médio prazo.

Uma das mineradoras pode ter atrasos de vários meses que permitam que outras tomem a liderança das próximas instalações com máquinas de última geração com grandes operadores de fazendas de mineração.

The Block publicou uma ótima análise sobre essa dinâmica, percebendo que todas as grandes fabricantes chinesas de chips já “informaram os clientes de que suspenderam o envio, a fabricação e os serviços a clientes de suas fazendas de mineração”, apesar de suas fontes terem achado que o impacto seria abafado e estariam bem mais otimistas sobre o rendimento relacionado ao vírus do que eu.

Por um lado: “a rendibilidade sofreu impactos. Isso é bem significativo por conta da progressiva dificuldade prevista”.

Por outro lado, “a produção vai continuar na Malásia” e “eu acho que o vírus é um contratempo de quatro a seis semanas. Vamos ir além e correr atrás do prejuízo”.

A indústria de mineração já está impiedosamente competitiva.

Isso é verdade, em respeito tanto aos fabricantes de chips e à gestão de fazendas industriais de mineração. E embora a maioria das fazendas de mineração são bem melhores em gerenciar seu risco — seja este a sensibilidade de preço do bitcoin, as taxas energéticas ou a diversificação da cadeia de fornecimento —, é de se esperar que os atrasos de envio causem o maior impacto econômico nos operadores, que são superalavancados, além de pegarem e fazerem empréstimos altamente variáveis de envios de chips e datas de instalação.

Parece um acontecimento de uma possível grande variação e eu não me surpreenderia se esses acontecimentos abalassem significativamente as dinâmicas de poder do mercado de mineração ao longo do ano.

Por Ryan Selkis, da Messari

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 20/03/2020 - 11:10