Moura Dubeux (MDNE3) surfa demanda no Nordeste com apoio da parceria com Direcional (DIRR3), diz BTG
A Moura Dubeux (MDNE3) segue otimista com a dinâmica do mercado imobiliário do Nordeste em todos os segmentos, afirmou o BTG Pactual, que realizou uma reunião com o CFO e o diretor de relações com investidores (RI) da companhia, Diego Wanderley e Diogo Barral, respectivamente.
Ao banco, a administração da incorporadora destacou que a procura por imóveis na região permanece robusta, com estoques em níveis saudáveis — abaixo de 10 meses de vendas — e baixa concorrência.
“A empresa está muito otimista em relação à dinâmica no Nordeste, tanto na média ou alta renda quanto na habitação popular”, escreveram os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, em relatório.
Dobradinha com a Direcional (DIRR3)
Atualmente, a incorporadora atua com três marcas:
- Moura Dubeux, voltada ao alto padrão e ao luxo;
- Mood, focada no médio padrão;
- Ún1ca, dedicada ao segmento econômico e, em especial, ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
No caso da baixa renda, os executivos da construtora pontuaram que a joint venture com a Direcional (DIRR3), anunciada em novembro do passado, já está em funcionamento e gerando resultados.
“A parceria já está trazendo ganhos para a Ún1ca. Em relação às suas operações na habitação popular, a MDNE pretende lançar oito projetos em 2026, sendo dois deles no primeiro trimestre, com valor de venda de aproximadamente R$ 80 milhões, no âmbito da joint venture”, contaram os analistas do BTG.
Segundo eles, a administração da incorporadora nordestina afirmou já ter observado sinergias relevantes com a Direcional, especialmente em design de produtos, desempenho comercial e transferência de clientes apoiada na relação com a Caixa Econômica Federal.
Além disso, a expectativa é que a Ún1ca alcance R$ 1,5 bilhão em lançamentos no próximo ano.
Condomínios seguem em destaque
O BTG também apontou que a construtora está otimista com o segmento de condomínios. Ao banco, os executivos afirmaram que o negócio está navegando “muito bem” em meio a um cenário de alta procura no Nordeste.
A companhia reiterou que, para 2026, estão no radar cerca de R$ 3 bilhões em projetos desse tipo, dos quais aproximadamente 40% já foram comercializados até o momento, em média.
No segmento de condomínios, cabe ressaltar, a empresa atua com empreendimentos no modelo de preço de custo, em que os compradores financiam a obra enquanto a incorporadora fica responsável pela gestão, reduzindo riscos e aumentando a previsibilidade.
Crescimento com foco em retorno — e mais dividendos
Segundo o BTG, a Moura seguirá mantendo um controle rigoroso das operações para evitar comprometer os retornos.
Ao banco, a companhia reforçou que está comprometida em cumprir seu plano de lançamento de R$ 5 bilhões por ano, mantendo margens e ROE saudáveis.
“Embora a administração acredite que o mercado permita um avanço para além disso, não procurará o crescimento pelo crescimento em si e dará prioridade à manutenção dos níveis de rentabilidade e ao controle da alavancagem, o que deverá resultar em maiores pagamentos [de proventos] nos próximos anos”, afirmaram os analistas.
“Nesse sentido, referiram ainda que a execução continua sendo o principal foco de atenção e que tem desenvolvido vários esforços internos para melhorar as operações nos seus canteiros de obras”, acrescentaram.
Atualmente, o BTG mantém recomendação de compra para as ações MDNE3, com preço-alvo de R$ 44, o que implica potencial de valorização de cerca de 44% em relação à cotação atual, de R$ 30,43.