MRV&Co (MRVE3): Por que as ações caem até 5% nesta quarta-feira (3)?
O UBS BB rebaixou a recomendação de MRV&Co (MRVE3) de compra para neutra e cortou o preço-alvo das ações de R$ 12 para R$ 7, citando um cenário mais desafiador para a operação da construtora no Brasil e a persistência de riscos relacionados à Resia, subsidiária do grupo nos Estados Unidos (EUA).
Por volta das 11h44 (horário de Brasília), os papéis da companhia recuavam aproximadamente 5% na bolsa de valores, negociados a R$ 5,56, o que ainda implica um potencial de valorização de aproximadamente 24%.
Vale destacar que a pressão nesta manhã não se restringe à incorporadora. O Ibovespa, principal índice da B3, recua mais de 1% na sessão, refletindo as tensões geopolíticas no Oriente Médio, além das incertezas em torno das novas tarifas comerciais defendidas por Donald Trump.
MRV: Lucro menor e juros altos por mais tempo
Em relatório, o UBS BB aponta que a tese de investimento da MRV&Co mudou nos últimos trimestres. Se antes a principal preocupação do mercado era com a geração de caixa, agora o foco passa a ser a capacidade da companhia de expandir seus lucros em um cenário de juros elevados.
Na avaliação do banco suíço, a esperada queda da Selic no Brasil deve ocorrer em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente, o que reduz a velocidade de desalavancagem da empresa.
A casa, inclusive, revisou suas projeções e agora trabalha com uma taxa básica de juros de 13,5% ao fim de 2026, acima dos 12% estimados antes. A expectativa para a inflação também subiu, chegando a 4,8%.
“Vemos uma perspectiva mais negativa para o crescimento do lucro líquido da operação brasileira em meio a um ambiente mais desafiador para margens e resultados financeiros”, afirma o UBS BB.
Como consequência, os analistas passaram a estimar uma recuperação mais moderada das margens da MRV Incorporação, a operação do grupo MRV&Co no Brasil.
A expectativa agora é de lucro líquido de R$ 650 milhões em 2026 e R$ 854 milhões em 2027, números 34% e 31% inferiores, respectivamente, às projeções anteriores da instituição.
Resia continua sendo o principal risco
Outro fator que pesou na revisão da recomendação foi o desempenho da Resia, braço de desenvolvimento imobiliário da MRV&Co nos Estados Unidos.
O UBS BB avalia que a subsidiária continua enfrentando dificuldades operacionais e possui baixa visibilidade para uma recuperação consistente dos resultados.
Entre os desafios citados, estão o ritmo mais lento de locação dos empreendimentos, aluguéis efetivos abaixo do esperado e custos financeiros elevados.
Diante desse cenário, o banco passou a projetar prejuízo líquido de R$ 299 milhões para a Resia em 2026 e perda de R$ 20 milhões em 2027. O resultado do próximo ano seria beneficiado pela venda do projeto Golden Glades. Sem essa transação, as perdas poderiam ser maiores.
Além disso, os analistas incorporaram ao modelo a possibilidade de novos impairments, ou baixas contábeis no valor dos ativos, de até US$ 140 milhões. Desse montante, cerca de US$ 50 milhões poderiam ser reconhecidos já em 2026.
Segundo o relatório, a necessidade de acelerar a venda de ativos nos EUA em condições menos favoráveis também pode pressionar ainda mais os resultados da MRV&Co.
Cabe lembrar que a Resia está passando por um desmonte, com a previsão de vender US$ 800 milhões em terrenos e empreendimentos prontos, dos quais US$ 241 milhões já foram alienados.
Venda de recebíveis deve continuar elevada
O UBS BB também revisou suas estimativas para a venda de recebíveis, mecanismo utilizado pela construtora para antecipar recursos, reforçar a liquidez e cumprir compromissos financeiros de curto prazo, mas que tem um custo relevante para a rentabilidade.
A projeção do banco indica que a companhia terá de vender aproximadamente R$ 2,1 bilhões em recebíveis ao longo de 2026 e R$ 1,8 bilhão em 2027, acima das estimativas anteriores de R$ 1,6 bilhão e R$ 1,2 bilhão, respectivamente.
Na visão dos analistas, a MRV&Co pode precisar manter esse instrumento por mais tempo devido ao cenário de juros elevados, aos compromissos financeiros da companhia e aos riscos associados à operação nos Estados Unidos.
Potencial de valorização menos atrativo
Apesar da maior cautela, o UBS BB não considera que a tese da construtora esteja quebrada. O banco destaca que a operação brasileira continua apresentando geração positiva de caixa e que os fundamentos do negócio principal seguem evoluindo gradualmente.
Além disso, reconhece que as ações MRVE3 seguem negociadas a múltiplos considerados baixos. Mas, ainda assim, entende que a relação entre risco e retorno se tornou menos atraente quando comparada a outras incorporadoras listadas na B3.
Os analistas destacam que concorrentes como Tenda (TEND3) e Plano&Plano (PLPL3) apresentam maior previsibilidade de resultados e menor complexidade operacional, o que torna suas teses mais atraentes no cenário atual.