Muitos fundos não sobreviveram ao “inverno cripto”

12/12/2019 - 15:48
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
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Vários de fundos de hedge de criptoativos fecharam as portas este ano, pois faltou capital significativo (Imagem: Unsplash/@aaronburden)

Apesar do fim do pior inverno cripto até agora, nem todos saíram ilesos.

Vários de fundos de hedge de criptoativos fecharam as portas este ano, pois os investidores institucionais não estavam prontos para alocar capital significativo para essa nova classe de ativos de alto risco.

A explosão do bitcoin e das ofertas iniciais de moeda (ICOs) em 2017, que viram as criptomoedas e os tokens se multiplicarem em valor quase da noite para o dia, deram á luz um novo tipo de fundo de hedge: fundos de cripto.

Antes de 2017, apenas poucos fundos estavam investindo em criptoativos, mas a “corrida do ouro” de cripto levou à criação de centenas de fundos de investimento competindo para trazer o dinheiro institucional para essa nova classe de ativos empolgante, de alto risco e de altas recompensas.

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Vários fundos de hedge fecharam suas portas por conta da falta de interesse dos investidores(Imagem: Unsplash/@seffen99)

70 fundos fecharam suas portas em 2019

No entanto, em 2019, de acordo com um novo estudo da Crypto Fund Research, quase 70 fundos de cripto foram obrigados a fechar suas portas devido à falta de interesse dos investidores, de acordo com a Bloomberg.

O número de fundos de cripto recém-lançados também diminuiu esse ano, totalizando para menos da metade dos novos lançamentos em 2017 e 2018.

No total, existem cerca de 800 fundos de cripto no mundo inteiro: dentre eles, 355 são fundos de hedge, de acordo com dados compilados pelo Crypto Fund Research.

No entanto, a PwC, empresa de consultoria global, acredita que, entre esses, apenas 150 estão realmente ativos nos mercados.

No relatório, publicado em colaboração com a Elwood Asset Management, os pesquisadores afirmaram: “estimamos que existam 150 fundos de hedge de cripto ativos gerenciando, juntos, US$ 1 bilhão em ativos (exceto fundos de índice e de capital de risco em cripto)”.

Além disso, a PwC descobriu que a média de ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês) no lançamento foi maior em janeiro de 2019 do que em janeiro de 2018 (US$ 3,6 milhões vs. US$ 1,2 milhões) para fundos de hedge de cripto, o que sugere que a demanda dos investidores institucionais por diversificação em cripto de fato existe, apesar do estouro da bolha de ICOs.

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Espera-se que o dinheiro institucional faça sua entrada triunfal em 2020, já que não houve esse efeito no mercado de baixa de 2019 (Imagem: Michael Nagle/Bloomberg)

Onde está a onda do dinheiro institucional?

A narrativa de que “o dinheiro institucional está para entrar em cripto” foi sustentada por especialistas, conhecedores e mídia da indústria cripto por anos.

No entanto, a realidade é que o nível verdadeiro de participação institucional empalidece em comparação às classes de ativos tradicionais. A “grande onda” ainda vai atingir os mercados cripto.

Enquanto os dados de negociação da CME Bitcoin Futures mostram que existe interesse dos investidores institucionais em bitcoin, a maior parte da atividade de negociação nas corretoras vem dos investidores varejistas.

Além disso, seu mais novo competidor, Bakkt, tentou conseguir níveis de atenção parecidos dos investidores institucionais desde seu lançamento em setembro.

“Dando um passo atrás, eu acho que podemos dizer que os níveis de adesão institucional são decepcionantes ou estão abaixo do esperado, mas, é claro, que essa visão depende bastante de expectativas. Para mim, o fato de existir qualquer tipo de adesão institucional para o bitcoin, que existe há apenas dez anos, é um sucesso radical e além do que qualquer um possa ter imaginado há três ou quatro anos”, contou Spencer Bogart, sócio na Blockchain Capital, à Bloomberg.

A falta de uma estrutura regulatória clara nos EUA e em outras economias principais é, discutivelmente, um grande obstáculo para os investidores institucionais que buscam por exposição a cripto.

Desde o auge do mercado de altcoins em janeiro de 2018, é provável que seu desempenho seja um outro fator pelo qual os fundos de hedge de cripto não estão gerando muito interesse nos mercados tradicionais.

Existem algumas exceções. Os fundos de pensão dos EUA duplicaram sua exposição a criptoativos no fundo da Morgan Creek Digital este ano, e o Bitcoin Trust da Grayscale recebeu muitas entradas de capital ao longo de 2019.

Com a melhoria das regulações e de uma possível corrida no mercado cripto, nós poderemos ver uma reviravolta no mercado de fundos de hedge de cripto e, talvez, até aquela onda de dinheiro vindo de Wall Street finalmente atingir cripto.

Até isso acontecer, os participantes desse mercado vão ter que esperar e continuar crescendo o máximo que puderem.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 31/05/2020 - 15:54

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