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Nada de criptos ou semicondutores: Ativo brasileiro é aposta de investimentos para 2026 de research internacional; confira

08 jan 2026, 14:39 - atualizado em 08 jan 2026, 14:40
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Relatório da Gavekal Research aponta os ativos vencedores e perdedores de 2026, com destaque para o Brasil. (Imagem: Freepik/ Montagem: Julia Shikota)

Vai investir em 2026? Os títulos públicos brasileiros devem seguir em alta ao longo do ano, segundo a casa de análise Gavekal Research.

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De acordo com o relatório, que lista os melhores e piores investimentos para 2026, as taxas reais no Brasil permanecem historicamente elevadas em função da política fiscal e da inflação — cenário que cria uma oportunidade atrativa para investidores.

“Hoje, o yield real é especialmente alto, tanto em comparação com outros mercados quanto com a própria história do país. Apesar do ganho de 30% em 2025, a perspectiva de um ciclo de afrouxamento monetário, combinada com um carry atrativo e uma moeda subvalorizada, sugere mais um ano de retornos decentes”, afirmam os analistas.

Além dos títulos brasileiros, a Gavekal destaca outros melhores investimentos para 2026:

Cobre

Apesar de 2025 ter sido um ano positivo para os metais, o cobre ficou para trás, mesmo diante da forte demanda impulsionada pela expansão das redes elétricas, pela fabricação de armamentos e pelo crescimento dos mercados emergentes. No quarto trimestre de 2025, porém, os preços romperam para cima.

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Dada a base fundamental do metal, os analistas apontam que o cobre pode agora passar por um movimento parabólico semelhante ao observado recentemente na prata e no platina.

Energia limpa

As ações de energia alternativa avançaram apesar da “vingança” do presidente Donald Trump e do chamado green-lash político na Europa. Segundo a Gavekal, a tendência pode ser duradoura, já que fora dos EUA a transição energética é considerada irreversível.

Os fundamentos devem melhorar à medida que a capacidade solar e eólica cresce, enquanto o noticiário político dificilmente será pior do que em 2025. As ações de energia solar dobraram desde as mínimas de abril, e um amplo ETF de energia limpa acumulou alta de 63%, desempenho equivalente ao do índice Bloomberg Mag-7.

“Diferentemente das ações de inteligência artificial, empresas solares e eólicas continuam com capitalização modesta e negociam bem abaixo dos picos das bolhas de 2021 e 2007”, destaca o relatório.

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Boom de capex nos EUA

Apesar do forte investimento em inteligência artificial, os retornos sobre o capital investido seguem elevados, enquanto o custo real de capital permanece baixo. Esse diferencial positivo sustenta novos investimentos e pode prolongar o boom de capex em IA.

No entanto, os EUA — ao contrário da China — enfrentam restrições na oferta de eletricidade. Com isso, a próxima fase do ciclo pode ser menos focada em chips e mais em energia e infraestrutura. As oportunidades estão em utilities americanas, tecnologia de redes, cobre, mineradoras, futuros de gás natural e empresas ligadas ao setor, com o crescimento das exportações de GNL como fator adicional de suporte.

Bancos dos EUA

O avanço da agenda de desregulamentação bancária ajudou as ações do setor a superar o mercado em 2025. As regras de capital tendem a ser flexibilizadas, a fiscalização regulatória deve se tornar mais ágil e as aprovações de fusões, mais rápidas.

Segundo a Gavekal, os cortes de juros estão aliviando a pressão sobre as taxas de depósitos e devem sustentar as margens de lucro. Como as ações bancárias ainda negociam a múltiplos baixos em relação ao mercado, a expectativa é de desempenho superior, especialmente entre os grandes bancos.

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Bancos da zona do euro

Os bancos da zona do euro deixaram de ser uma armadilha de valor e passaram a representar uma oportunidade atrativa. Um boom secular no sul da Europa, somado a estímulos fiscais na Alemanha, está ajudando a região a sair de uma década marcada pela deflação.

O setor se beneficia diretamente desse reflacion — processo de reaceleração da economia e dos preços após um período de fraqueza. Os balanços estão nos níveis mais sólidos em 15 anos, e juros mais altos, combinados com forte crescimento do crédito, já impulsionam uma recuperação consistente dos lucros. A reavaliação dos múltiplos, no entanto, ainda ficou para trás.

Small caps suecas

A economia da Suécia começou a se recuperar no verão de 2025, e a tendência deve ganhar força em 2026. O orçamento do próximo ano prevê uma expansão fiscal de cerca de 1,2% do PIB.

Além disso, uma Europa mais forte — destino de aproximadamente 70% das exportações suecas — oferece um impulso externo relevante. Esse ambiente favorece as small caps, que devem apresentar aceleração dos lucros à medida que os estímulos fiscais e o ciclo econômico se consolidam.

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Fabricantes chineses de baterias

A indústria chinesa de baterias parece barata para um setor em rápido crescimento. A líder CATL negocia a um múltiplo preço/lucro projetado de 21,7 vezes, enquanto os lucros avançaram mais do que o valor de mercado, mesmo durante o rali recente.

Com a expansão acelerada do mercado de armazenamento estacionário e a penetração de veículos elétricos ainda relativamente baixa fora da China, há amplo espaço para crescimento de dois dígitos nos lucros do setor.

Ações do Vietnã

O índice MSCI Vietnam subiu 67% em 2025, superando o índice de mercados emergentes em 32 pontos percentuais. Embora 2026 não deva repetir esse desempenho excepcional, a perspectiva segue positiva.

O governo projeta crescimento do PIB de 10%, apoiado por estímulos ao setor privado, redução da burocracia e novos investimentos. Além disso, a elevação do país ao status pleno de mercado emergente pela FTSE Russell, prevista para setembro, pode atrair cerca de US$ 6 bilhões de fundos passivos. O PIB nominal do Vietnã pode superar o da Tailândia em 2026, tornando-se o terceiro maior da ASEAN.

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As piores apostas de investimento para 2026

Criptomoedas

Em um ano em que praticamente todas as principais classes de ativos tiveram retornos positivos, as criptomoedas ficaram no vermelho, mesmo com uma administração americana considerada favorável ao setor.

Segundo a Gavekal, 2025 reforçou que grande parte do universo cripto ainda está associada a golpes e esquemas especulativos. Além disso, 15 anos após o surgimento das blockchains, as aplicações de uso cotidiano da tecnologia continuam limitadas.

Euro versus iene

Medido pelo poder de compra ou pela experiência histórica, o iene é possivelmente o ativo mais subvalorizado do mundo. Com o Japão saindo da deflação, surpresas positivas são esperadas em 2026.

Ainda assim, os movimentos do dólar frente ao iene dependem tanto do humor de Donald Trump quanto da política do Federal Reserve. “A forma mais pura de expressar uma visão otimista para o iene é vender euro ou libra contra a moeda japonesa. O diferencial de juros torna a venda do euro ainda mais atraente do que a do dólar”, afirma o relatório.

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Ações de semicondutores dos EUA

Mesmo que o boom da inteligência artificial continue e as ações do setor alcancem novos recordes, a Gavekal avalia que a relação risco-retorno é desfavorável.

Os múltiplos estão elevados em relação à média histórica e ao mercado como um todo. Caso haja normalização das avaliações — possivelmente com alta dos juros — o setor tende a corrigir mais do que a maioria. Além disso, restrições de eletricidade nos EUA e a concorrência de players como Google e empresas chinesas podem frustrar a demanda.

Construtoras de casas nos EUA

Apesar da queda das taxas de hipoteca, as ações de construtoras tiveram desempenho inferior em 2025. Políticas de imigração reduziram a oferta de mão de obra, tarifas elevaram custos e a habitação segue pouco acessível.

Embora Trump deva tentar enfrentar o problema da acessibilidade em 2026, medidas recentes — como a proibição de grandes investidores institucionais na compra de casas unifamiliares — podem acabar prejudicando o setor.

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Títulos longos da zona do euro

O outro lado do processo de reflacion é o impacto negativo sobre os títulos soberanos de longo prazo. Após a reprecificação de 2022, o formato da curva em 2025 transformou esses papéis em uma proteção contra deflação.

No entanto, em um cenário mais provável de reflacion, com crescimento nominal entre 4% e 5%, os yields longos parecem baixos demais. Um Banco Central Europeu (BCE) mais hawkish pode pressionar essas taxas para cima em 2026.

Tecnologia da informação na Europa

Com a Europa menos dependente da demanda externa, setores com forte exposição global tendem a ficar para trás. Dentro desse grupo, o setor de tecnologia da informação tem pouco espaço para novas altas, com avaliações próximas às das empresas de tecnologia dos EUA, apesar de representar apenas 7% da capitalização do mercado europeu.

A reflacion doméstica deve impulsionar o crescimento nominal, mas juros longos mais elevados e um euro mais forte tendem a limitar o desempenho do setor.

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Fabricantes chineses de materiais

Após um rali impulsionado pela campanha anti-involução iniciada em julho, o setor de materiais da China parece caro. Para 2026, a Gavekal vê pouca chance de uma recuperação significativa da demanda por aço e outros materiais de construção.

Sem uma retomada consistente do setor imobiliário, preços e lucros devem continuar pressionados, tornando difícil justificar as avaliações atuais.

Rupia indiana

Em meio à fraqueza generalizada do dólar, a rupia foi a grande surpresa negativa de 2025, com queda de quase 5% frente à moeda americana. A desvalorização melhora a competitividade, mas a moeda ainda não é considerada barata.

Um acordo comercial com os EUA poderia aliviar parte da pressão, mas dificilmente levaria a uma valorização sustentada. Caso persistam tensões comerciais ou os preços do petróleo subam, novas perdas são prováveis.

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Baht tailandês

A OCDE projeta que o crescimento do PIB da Tailândia desacelere para 1,5% em 2026, com a insegurança afastando turistas e incertezas em torno do cessar-fogo com o Camboja.

Apesar disso, o baht atingiu máximas de quatro anos frente ao dólar em dezembro, prejudicando a competitividade das exportações e ampliando o impacto das tarifas americanas. O banco central tem apertado a supervisão sobre vendas de dólares por negociantes de ouro, deixando a moeda mais vulnerável.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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