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‘Não caiu a ficha’: a pechincha da Bolsa que pode engatilhar um ‘short squeeze’

25 set 2026, 18:16
Werner Roger, CIO da Trígono Capital e especialista em small caps
“Já já a gente vai ver o açúcar acima de 20 cents”, disse o CIO da Trígono Capital, que enxerga um possível short squeeze para uma ação. (Imagem: Divulgação)

As ações da São Martinho (SMTO3) estão baratas e podem se beneficiar de uma combinação de melhora dos preços do etanol, menor oferta de açúcar e uma eventual corrida de investidores para desmontar posições vendidas no papel, na avaliação de Werner Roger, sócio e CIO da Trígono Capital.

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“Eu acho que estão baratas. Acho que não caiu a ficha”, afirmou Roger, ao ser questionado pelo Money Times sobre o atual desconto das usinas listadas na Bolsa.

Entre as empresas do setor, o gestor destacou principalmente a São Martinho, companhia que a Trígono tem na carteira.

Segundo ele, o mercado ainda não estaria capturando integralmente a melhora recente da remuneração do etanol e, ao mesmo tempo, estaria subestimando os riscos para a oferta de açúcar.

Roger também citou um desconto para a Jalles (JALL3), apesar de a ação não estar mais no portfólio da gestora

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“Eu acho que, principalmente para São Martinho, o mercado não está lendo o real preço do etanol com a subvenção e também o risco de você ter uma oferta limitada de açúcar”, disse.



Etanol melhor do que parece

Um dos pilares da tese do gestor está na melhora da remuneração do etanol hidratado, após as medidas adotadas pelo governo federal em meio à volatilidade dos preços dos combustíveis.

O governo instituiu uma subvenção extraordinária de R$ 0,2519 por litro de etanol hidratado, paga aos produtores e cooperativas. Além disso, zerou temporariamente as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biocombustível.

É justamente a subvenção de cerca de R$ 0,25 por litro que Roger considera ao afirmar que o mercado ainda não estaria enxergando o preço efetivamente recebido pelas usinas.

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“A subvenção do etanol é de R$ 0,25. Então, na verdade, o etanol hidratado estava a R$ 2,25. Se você pegar hoje com a subvenção, ele está a R$ 2,90. Em um mês, ele subiu quase 30%”, afirmou.

Segundo o gestor, a melhora também aparece no etanol anidro. Na sua avaliação, o preço efetivo estaria entre R$ 3,15 e R$ 3,25 por litro, ante aproximadamente R$ 2,60 anteriormente.

“Na verdade, o preço do etanol é muito melhor do que você está olhando no indicador Cepea/Esalq”, disse.

Açúcar acima de 20 cents?

Do outro lado da equação está justamente o açúcar. Roger vê riscos crescentes para a oferta e acredita que as cotações podem superar novamente a marca de 20 centavos de dólar por libra-peso.

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“Já já a gente vai ver açúcar acima de 20 cents”, afirmou.

Parte da avaliação está relacionada às condições climáticas no Centro-Sul. Roger, que também é sócio da empresa de meteorologia FieldPro, espera a continuidade de condições mais úmidas no Sudeste.

Segundo ele, o excesso de chuva pode dificultar a colheita e elevar a quantidade de cana bisada (a cana-de-açúcar que não é colhida no tempo certo).

O efeito, segundo o gestor, pode aparecer tanto na produtividade como na qualidade da cana, com menor ATR — Açúcar Total Recuperável — e dificuldades no processo de cristalização.

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“Nós vamos ter problemas de oferta de açúcar, por menos cana disponível, menos ATR, e ano que vem talvez esse problema seja ainda maior”, afirmou.

Roger acrescenta que a cristalização já estaria enfrentando dificuldades. Com isso, parte da matéria-prima que poderia ser destinada ao açúcar acaba encontrando no etanol uma alternativa.

“Se o etanol estiver bom, o cara vai [pensar]: ‘o etanol está bom hoje, vou fazer mais etanol’. Então você tem menos açúcar. E outra coisa: a cristalização está muito ruim. Fisicamente, você vai ter menos açúcar disponível aqui por uma questão técnica”, disse.

Movimento do açúcar pode ser rápido

Para Roger, uma mudança nas expectativas sobre o balanço global do açúcar poderia provocar uma reação rápida das cotações.

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“Qualquer ‘dor de barriga’ aqui, começa a sair notícia: a safra vai atrasar, vai faltar açúcar, déficit está aumentando. Era superávit, agora é déficit aumentando. Pode ter um movimento muito rápido”, afirmou.

Segundo ele, a eventual valorização poderia combinar a deterioração do mercado físico com a mudança de posicionamento de investidores financeiros.

“É especulativo e também físico mesmo, porque não vai ter açúcar para entregar”, disse.

O gestor também chamou atenção para riscos de produção em importantes participantes do mercado internacional, como Índia e Tailândia, o que poderia adicionar pressão ao balanço global da commodity.

‘Short squeeze’ para São Martinho?

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É nesse cenário que Roger enxerga uma assimetria particularmente interessante na São Martinho.

Segundo o gestor, cerca de 8% das ações da companhia estariam alugadas. Na avaliação dele, o patamar mostra o elevado ceticismo dos investidores em relação à tese da empresa.

“São Martinho está shorteada. O aluguel de São Martinho é 8%. Significa que o mercado não acredita em São Martinho. 8% de aluguel é pesado”, afirmou.

Uma posição vendida, ou short, normalmente envolve o aluguel de uma ação para vendê-la no mercado, com a expectativa de recomprá-la posteriormente por um preço menor.

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O risco para quem está vendido aparece quando o papel começa a subir de maneira significativa.

Nesse cenário, investidores podem desmontar suas posições e recomprar as ações, adicionando pressão compradora ao papel e potencialmente acelerando sua valorização — movimento conhecido como “short squeeze”.

“Com tudo que está acontecendo, você pode ter um short squeeze”, disse Roger.

Por que Lula entrou na conta do ‘short squeeze’?

Além dos fundamentos de açúcar e etanol, Roger colocou ainda o cenário eleitoral como ponto de atenção.

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Ao falar sobre o volume de posições vendidas em São Martinho e a possibilidade de um short squeeze, o gestor citou como exemplo uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.

“Digamos que o Lula ganhe a eleição e esse aluguel caia para 6%. Aí ninguém segura”, afirmou, referindo-se à possibilidade de valorização das ações diante da desmontagem de posições vendidas.

A avaliação ocorre em um momento no qual o governo adotou medidas de apoio ao etanol, como a subvenção extraordinária de R$ 0,2519 por litro do hidratado e a redução temporária dos tributos federais sobre o combustível.

Na avaliação de Roger, portanto, um cenário político percebido pelo mercado como mais favorável ao biocombustível poderia se somar aos fundamentos de açúcar e etanol e aumentar a pressão sobre investidores posicionados na venda das ações. Ou seja, positivo para a companhia.

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Para o gestor da Trígono, o pessimismo hoje embutido nos papéis contrasta com um cenário potencialmente mais favorável aos dois principais produtos da São Martinho.

“Eu acho que é, para nós, um bom ponto de entrada”, afirmou.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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