Caso Master: “Não é crime captar acima do CDI”, diz Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (9) que a liquidação extrajudicial do Banco Master não teve relação quanto à legalidade da oferta de rendimentos acima do praticado pelo mercado.
Em evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, o mandatário da autarquia pontuou que o problema central estava na combinação entre dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito.
“O primeiro ponto a comentar é que muita gente alertava para o fato de o banco [Master] captar muito acima do CDI, mas não há regra que proíba isso. Houve quem cobrasse a liquidação porque existiam CDBs sendo emitidos a taxas superiores ao CDI, mas não se trata disso”, afirmou.
De acordo com Galípolo, a principal fragilidade estava no lado dos ativos do Master, já que a instituição passou a enfrentar dificuldades para realizar captações, o que impôs restrições de liquidez.
“O normal é que, nesse cenário, se inicie a venda de ativos para reforçar a liquidez. Ou seja, você vende ativos que já existem. O que soou estranho foi a formação de novas carteiras”, explicou.
Segundo o presidente da autoridade monetária, o trabalho coordenado entre o BC e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) permitiu embasar as decisões de rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e de decretar a liquidação da instituição.
“Havia apenas R$ 4 milhões em caixa, e o banco não cumpria [o depósito] compulsório há meses”, disse.
3ª divisão
Durante a apresentação, Galípolo também pontuou que o caso Master deve ser analisado com cautela e diferenciado de grandes crises bancárias já vistas no país.
Na visão dele, a repercussão do episódio se explica pelo fato de o caso extrapolar o debate financeiro e envolver suspeitas que exigiram atuação conjunta com autoridades policiais.
“Estamos falando de um banco S3. Para quem não acompanha o sistema financeiro, é como se fosse um time da terceira divisão. Mais difícil foi liquidar o Bamerindus, o Nacional. Eram bancos com relevância sistêmica muito maior do que o caso presente”, afirmou.
Agradecimentos
Galípolo ressaltou ainda ser grato por conduzir o caso Master sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula. Quero sublinhar a garantia que ele deu da autonomia do Banco Central e da Polícia Federal.”