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Não vemos sinal de expectativa de inflação muito acima da meta em 2021, diz Campos Neto

26/11/2020 - 10:49
“Não é só o Banco Central que não acha que a inflação um pouco mais longa não está subindo. O mercado também não acha. Então isso é importante frisar”, afirmou Campos Neto (Imagem: Flickr/Raphael Ribeiro/ BCB)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que as expectativas de inflação para 2021 estão caminhando mais para perto da meta nas últimas duas semanas, mas que a autoridade monetária não tem nenhum sinal de que há “alguma coisa saindo muito acima da meta, nada desse tipo”.

Olhando inflações implícitas mais longas, ele avaliou que elas basicamente não oscilaram nesse tempo.

“Não é só o Banco Central que não acha que a inflação um pouco mais longa não está subindo. O mercado também não acha.

Então isso é importante frisar”, afirmou ele, em entrevista gravada ao canal do YouTube MyNews na véspera, mas veiculada nesta quinta-feira.

A meta de inflação para este ano é de 4%, para o ano que vem de 3,75%, e para 2022 de 3,5%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Campos Neto destacou que o BC já não tem instrumentos que são capazes de agir sobre a inflação em 2020, dado o avançado do ano e o tempo necessário para transmissão da sua atuação sobre os juros. O horizonte relevante para a política monetária, portanto, é de 2021 e 2022.

No boletim Focus mais recente, as expectativas para o IPCA são de IPCA de 3,45% este ano, 3,40% no ano que vem e 3,5% em 2022.

A exemplo do que tem feito em todas as suas falas públicas recentes, Campos Neto reafirmou que os componentes que estão gerando inflação mais alta agora são passageiros e pontuou que a autoridade monetária está “sempre prestando atenção em tudo que está acontecendo”.

O presidente do BC também voltou destacar a importância do país se comprometer com a disciplina fiscal, associando o comportamento recente dos títulos públicos às incertezas sobre como o país retomará a trajetória de sustentabilidade para as contas públicas após os expressivos gastos no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

“Dinâmica do mercado reflete o risco e nosso risco hoje é o fiscal. Tudo é crédito do fiscal”, disse.

“Você tem processo de geração de expectativa de inflação às vezes pela inflação corrente, mas também pode ser causado pela percepção de descontrole fiscal.

Isso a gente tem alertado o governo e por isso nós entendemos que é tão importante endereçar esse problema da dinâmica fiscal”, acrescentou.

Depósitos Remunerados

Durante a entrevista, Campos Neto defendeu a criação dos depósitos voluntários remunerados, cujo projeto já passou no Senado, mas aguarda apreciação na Câmara dos Deputados.

Os depósitos voluntários das instituições financeiras funcionariam como alternativa ao uso pelo BC de operações compromissadas, empregadas pela autoridade monetária para retirar ou injetar liquidez nos mercados.

Com a substituição de parte das operações compromissadas por esses depósitos, deverá haver queda da dívida pública bruta como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), considerada o principal indicador de sustentabilidade das contas públicas.

Segundo Campos Neto, a visão é que o depósito remunerado irá “facilitar vida do BC”, mas não com o entendimento que ele fará mágica, já que se o conceito de dívida bruta for melhorado somente por essa manobra contábil, isso não fará com que o risco país caia.

“As pessoas vão entender, vão olhar e vão saber fazer a conta”, disse.

“O que é importante é usar instrumentos que reduzam dívida bruta e a líquida”, afirmou ele, complementando que isso acontecerá com maior arrecadação e menor gasto.

Roberto Campos Neto
Segundo Campos Neto, a visão é que o depósito remunerado irá “facilitar vida do BC”, mas não com o entendimento que ele fará mágica (Imagem: Reuters/Adriano Machado

Questionado sobre a agenda da autoridade monetária para 2021, ele afirmou que a intenção é avançar com open banking, consolidar e criar novas funcionalidades para o Pix e caminhar também com o processo de conversibilidade do real rumo, no futuro, a uma moeda digital.

Especificamente sobre o open banking –sistema que dará aos clientes de instituições financeiras o poder sobre seus dados cadastrais e de transações, como meio de abrir o acesso a serviços mais baratos e melhores–, Campos Neto afirmou que primeira fase do projeto “teve em alguns casos uma exaustão do processo tecnológico em alguns bancos”.

“Estamos trabalhando pra ver como resolve, mas independentemente do que aconteça na primeira fase ou na segunda, nós não mudamos o cronograma do open banking, ele vai ficar pronto no mesmo dia”, disse.

A previsão do BC é de que o open banking esteja funcionando plenamente no fim de outubro de 2021.

(Atualizada às 11h35)

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Última atualização por Rafael Borges - 26/11/2020 - 11:35