Natura (NATU3) dispara 11% após 4º trimestre melhor e Ebitda sólido; o que fazer com as ações agora?
As ações da Natura (NATU3) abriram o pregão desta terça-feira (17) liderando a ponta positiva do Ibovespa (IBOV), após o balanço divulgado na véspera mostrar uma reversão do prejuízo em base anual, com lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025.
A companhia conseguiu reverter o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024, mesmo em um trimestre marcado por queda de receitas e impactos contábeis ligados à simplificação do grupo.
Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações NATU3 disparavam 11,24%, a R$ 9,60. Acompanhe o tempo real.
Analistas do BTG Pactual destacam que houve uma melhora nos indicadores operacionais, após a Natura eliminar itens não recorrentes. Por outro lado, a dinâmica de receita líquida abaixo do esperado persiste, aponta o banco.
“Especificamente, o 4º trimestre foi novamente marcado por um desempenho fraco na receita líquida, refletindo a desaceleração da demanda no Brasil, instabilidades na integração de marcas e câmbio desfavorável na Argentina”, pondera a equipe liderada por Luiz Guanais.
Há três anos, o BTG optou por rebaixar a recomendação da Natura para neutra, com três desafios estruturais sendo constantemente destacados pelos analistas:
- Alavancagem elevada em um ambiente de altas taxas de juros — parcialmente mitigada pelas alienações da Aesop e da The Body Shop (e após a alienação da Avon International);
- Reestruturação da Avon na América Latina — ainda em andamento nos principais mercados; e
- Alienação da Avon International e contenção de seu consumo de caixa — agora totalmente resolvidos por meio das transações anunciadas desde setembro do ano passado.
“Embora a administração tenha feito progressos louváveis na simplificação da estrutura corporativa e os resultados operacionais recentes tenham sido melhores do que o esperado, continuamos a monitorar as tendências de recuperação das margens, a redução da alavancagem e a recuperação das vendas no Brasil e na América Latina hispânica antes de adotar uma postura mais construtiva”, pondera o banco.
Por enquanto, o BTG mantém a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 12.
Destaque para o Ebitda
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente da Natura atingiu R$ 978 milhões, avanço de 57,2% na comparação anual, com margem de 15,8%, expansão de cerca de 7 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024. A companhia atribui o ganho de rentabilidade principalmente a eficiências operacionais e redução de despesas.
“A expansão da margem reflete ganhos nas despesas com vendas, gerais e administrativas, impulsionados pelas eficiências da integração entre Natura e Avon, reduções táticas de custos e ajustes estratégicos na remuneração variável”, disse a empresa.
O Bradesco BBI destaca que o Ebitda superou as expectativas, refletindo a disciplina da companhia em despesas.
Ainda assim, a casa destaca como pontos de atenção relevantes a continuidade de tendências de receita frágeis, especialmente no Brasil, além de que parte dos ganhos de eficiência registrados no trimestre não deve se repetir, o que pode pressionar a evolução futura de despesas e margens.
“Embora reconheçamos o mérito da gestão em cumprir compromissos de margem e alavancagem em 2025, entendemos que a dinâmica operacional no curto prazo ainda exigirá cautela, especialmente diante de possíveis efeitos de desalavancagem operacional e maiores gastos com remuneração variável no início de 2026”, dizem os analistas Pedro Pinto e Flávia Meirelles.
Tendo em vista resultados melhores, com receita em linha e ainda pressionada, mas forte surpresa positiva no Ebitda, a XP Investimentos vê o quarto trimestre de 2025 como um marco da história da Natura.
A equipe de analistas liderada por Danniela Eiger aponta que a companhia finalmente deixou para trás resultados obscurecidos por operações descontinuadas. A XP mantém a recomendação de compra.