Natura (NATU3): XP passa a tesoura no preço-alvo e ação recua 3% nesta quarta (27); ainda vale comprar?
As ações da Natura (NATU3) caíram 3,65% (R$ 10,02), na mínima, e aparecem como a segunda maior queda do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (27). Mais cedo, a XP Investimentos cortou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 13,50, o que implica um potencial de valorização de 29,8% em relação ao fechamento anterior.
A nova precificação da XP reflete os resultados do primeiro trimestre de 2026 e as premissas macro e de custo de capital revisadas.
Segundo a corretora, o movimento acompanha a adoção de uma postura mais conservadora para os próximos resultados da Natura, agora assumindo apenas uma leve expansão de margem em 2026, de 0,1 ponto percentual na comparação anual.
Como resultado, a XP reduziu as estimativas de 2026 e 2027 para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), em 6% e 10%, respectivamente, e o lucro líquido, em 42% e 19%.
Na teleconferência de resultados, a administração indicou tendências de curto prazo marginalmente melhores no segundo trimestre, enquanto a Natura tem lançado campanhas para estimular a produtividade das consultoras, o que, para a corretora, poderia sustentar uma recuperação gradual no período.
Contudo, a implementação de infrestrutura de informações na nuvem, conhecida como SAP, e a Copa do Mundo são considerados riscos negativos para a NATU3, na visão da XP.
Por volta das 13h08 (horário de Brasília), a Natura caía 3,56% (R$ 10,03). No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,03%, aos 176.534,23.
Mas ainda vale comprar Natura?
Segundo os analistas da XP Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, a resposta é sim. “Apesar da perspectiva desafiadora, mantemos nossa recomendação de compra“, afirmam.
Para eles, os resultados na Natura devem melhorar gradualmente, especialmente a partir do segundo semestre de 2026, em meio a melhorias operacionais e recuperação da receita no Brasil e em Hispana, além dos ganhos de reestruturação oferecerem um colchão para as margens brutas da companhia.
Mas os pontos positivos não param por aí: o fluxo de caixa livre (FCF) deve seguir sólido apesar dos ventos contrários, dizem os analistas.
“Mesmo sob um cenário mais conservador e considerando despesas pontuais (Chapman, Avon Rússia e rescisões), estimamos uma geração de caixa sólida, com FCF DE R$ 1 bilhão. Excluindo essas despesas, o FCF seria de R$ 1,5 bilhão, o que implica um dividendo de cerca de 8%”, detalham.
No entanto, a XP afirma que se a Advent exercer sua opção de encerramento antecipado de seu compromisso, a ação deve sofrer de-rating, dada a recente deterioração macro e a incerteza de curto prazo.