Empresas

Negociação de dívida de R$ 65 bilhões avança, mas credores da Raízen (RAIZ4) pedem nova captação

27 maio 2026, 6:54 - atualizado em 27 maio 2026, 6:54
raízen
(Imagem: divulgação/RAÍZEN)

A Raízen (RAIZ4) está avançando em seu plano de negociação com credores de sua dívida de R$ 65 bilhões. Entretanto, um acordo ainda depende da empresa atender a uma demanda de parte desses credores por uma nova captação na busca por um plano sustentável de recuperação, segundo reportagem publicada pela coluna Pipeline, do Valor Econômico.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em recuperação extrajudicial, a Raízen tem até 9 de junho para apresentar o plano com aprovação de 50% dos credores mais um. Segundo a reportagem, a companhia já poderia garantir o quórum necessário com credores locais, mas ainda espera contar com o apoio também dos bondholders, que têm cerca de 40% da dívida.

  • CONFIRA: Está em dúvida sobre onde aplicar o seu dinheiro? O Money Times mostra os ativos favoritos das principais instituições financeiras do país; acesse gratuitamente

Diferentes acordos já estiveram em pauta, no entanto, uma solução ainda não está completamente estabelecida, inclusive, com o aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto em xeque.

O desenho contaria ainda com uma capitalização de R$ 3,5 bilhões da Shell e, mais à frente, a divisão da Raízen em duas companhias, uma voltada para a produção de etanol e outra para a distribuição de combustíveis.

Segundo o Valor Econômico, ainda assim, os credores veem a necessidade de a empresa buscar uma nova captação de recursos para ter um plano sustentável e chegaram a propor um financiamento de R$ 2,5 bilhões para a companhia, que não avançou em função das condições oferecidas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No plano de recuperação da Raízen também está no radar a eleição de um novo conselho de administração para a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, no primeiro trimestre de 2027, com a criação de um cargo de diretor de reestruturação (CRO).

Fugindo de uma RJ

A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial (RE) em 11 de março deste ano. Diferentemente da recuperação judicial (RJ), a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores.

A ideia não é levar à Justiça a recuperação, mas chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores. Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Raízen busca não passar da RE para a RJ e a intenção é levar um plano para homologação na Justiça no início de junho, quando se encerra o prazo de 90 dias previsto por lei. O entendimento é de que essa alternativa seria a pior para todas as pares envolvidas.

O caso Raízen

A Raízen estreou na bolsa em meio ao boom de IPOs de 2021, avaliada em R$ 76 bilhões e com a promessa de liderar uma revolução dos combustíveis verdes, impulsionada pelo etanol de segunda geração (E2G).

Na prática, porém, a tese encontrou obstáculos relevantes: o arrefecimento do apetite global por investimentos ESG, o avanço do etanol de milho — alternativa mais barata e escalável — e um cenário de preços pressionados para açúcar e etanol.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quase cinco anos após o IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre Cosan e Shell perdeu valor de mercado e se transformou em uma penny stock, quando uma ação negocia na casas dos centavos. Ao mesmo tempo, a companhia acumulou uma dívida bilionária após um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.

Na tentativa de reverter essa trajetória, a Raízen iniciou, no fim de 2024, um processo de reestruturação focado na redução da alavancagem. O movimento incluiu uma ampla troca no comando executivo, com a chegada de Nelson Gomes ao cargo de CEO, após passagens por ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.

Até fevereiro de 2026, a companhia já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com iniciativas de desinvestimento, incluindo a venda de usinas e outros ativos.

No terceiro trimestre da safra 2025/2026, porém, veio outra pancada: a companhia reportou prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 38,6 bilhões no 3T25 para R$ 55,3 bilhões no 3T26, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda passou de 3 vezes para 5,3 vezes no mesmo intervalo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O cenário desencadeou rumores, negociações e promessas de aporte por parte de Cosan e Shell, em discussões que se arrastaram por semanas. Até que, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.

O movimento levou à exclusão da companhia do Ibovespa e outros índices da bolsa brasileira.

Propostas de reestruturação

O início da recuperação extrajudicial abriu espaço para uma série de propostas e discussões envolvendo a reestruturação financeira da Raízen. Em 6 de abril, o Valor Econômico noticiou que credores rejeitaram a proposta de converter 45% da dívida — cerca de R$ 29 bilhões — em ações. O mecanismo poderia abrir caminho para aproximadamente R$ 10 bilhões em vendas de ativos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo a publicação, alguns credores chegaram a enviar uma carta aos acionistas Cosan e Shell pedindo um reequilíbrio da proposta de reestruturação.

Pouco mais de uma semana depois, em 14 de abril, credores e detentores de títulos da Raízen apresentaram uma contraproposta para converter 45% da dívida em troca de 90% de participação na empresa, segundo a Bloomberg News.

Em 20 de abril, a Bloomberg informou que bancos credores apresentaram uma nova proposta de reestruturação. O plano previa que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos da companhia na Argentina fossem destinados à redução da dívida.

Entre as exigências dos credores também estava a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen — pedido já defendido anteriormente pelos detentores de títulos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Enquanto os bondholders solicitaram um aporte de R$ 8 bilhões, a proposta dos bancos não especificava um valor para capitalização.

Após a repercussão das negociações, a Raízen informou à B3 que mantinha conversas com credores e demais partes interessadas para construir uma solução consensual para a reestruturação financeira, mas ressaltou que ainda não havia definição sobre os próximos passos.

Já em 26 de abril, a Bloomberg News informou que a companhia encaminhou uma proposta alternativa aos credores enquanto tentava negociar os termos da reestruturação dos R$ 65 bilhões em dívidas.

Segundo a Bloomberg, a Raízen comunicou aos credores que negociava uma captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em novos recursos. O montante se somaria aos R$ 4 bilhões em financiamento já comprometidos por Shell e Rubens Ometto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda assim, os credores não receberam sinalização positiva da companhia sobre mudanças no comando do conselho. De acordo com a Bloomberg, Rubens Ometto resistia em deixar a presidência do colegiado.

No dia 28 de abril, um grupo de detentores de títulos de renda fixa da Raízen contratou a consultoria financeira Journey Capital e o escritório Felsberg Advogados para representá-los no processo de reestruturação da companhia, segundo a Reuters.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o grupo concentra cerca de R$ 14 bilhões em títulos emitidos pela Raízen. A Journey confirmou a contratação, enquanto Felsberg e Raízen preferiram não comentar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado pela Universidade Municipal de São Caetano, tem MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/USP e pós-graduação em Gestão de Marketing pela ESPM. Tem mais de 25 anos de experiência em redações e comunicação corporativa, com atuação em Economia, Finanças, Agronegócio, Infraestrutura, Política e Cidades. Vive em Madrid desde 2021 e é colaborador do Money Times.
Jornalista formado pela Universidade Municipal de São Caetano, tem MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/USP e pós-graduação em Gestão de Marketing pela ESPM. Tem mais de 25 anos de experiência em redações e comunicação corporativa, com atuação em Economia, Finanças, Agronegócio, Infraestrutura, Política e Cidades. Vive em Madrid desde 2021 e é colaborador do Money Times.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar