Nem os empregos mais qualificados estão seguros: o que muda no mercado de trabalho até 2030
Não é hoje que profissões desaparecem dos classificados. Há algum tempo não se vê mais telefonistas, datilógrafos e vendedores de enciclopédia. Aliás, até as páginas amarelas ficaram no passado. A tecnologia avança, os hábitos mudam e o mercado de trabalho acompanha esse movimento. Desde a Revolução Industrial, as transformações são inevitáveis — a diferença agora é a velocidade.
Com computadores cada vez mais potentes, automação em larga escala e a ascensão da inteligência artificial (IA), o que antes levava décadas passou a acontecer em ritmo recorde nos últimos dois anos.
E não é só tecnologia. Mudanças demográficas, pressões econômicas, transição verde e transformações culturais fazem parte desse processo.
Funções inteiras estão sendo redesenhadas, e algumas simplesmente deixam de existir.
Para quem deseja manter a relevância na próxima década, essas são algumas das profissões já declaradas mortas que devem ser evitadas.
92 milhões de empregos desaparecerão até 2030 — como não estar entre eles
Até 2030, que está logo ali, o mercado de trabalho será irreconhecível em relação ao que temos hoje.
O The Future of Jobs Report 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, estima que 22% dos empregos atuais serão impactados até o fim da década. Ou seja, 92 milhões de postos de trabalho desaparecerão.
Entre as funções com queda mais rápida estão cargos de:
- Escriturário de correios;
- Caixas de bancos e comércios;
- Assistentes administrativos;
- Operadores de telemarketing.
Mas o alerta vai além das ocupações vistas como “de menor valor”. Toda função baseada em atividades repetitivas, previsíveis e padronizadas entra na zona de corte, inclusive as mais qualificadas. O risco não está no cargo, mas no tipo de tarefa executada.
Profissionais bem formados e bem remunerados hoje também podem estar com os dias contados, se continuarem fazendo exatamente o que fazem agora.
Um estudo da Universidade da Pensilvânia em parceria com a OpenAI — criadora do ChatGPT — aponta os setores que estão entre os mais expostos às novas tecnologias:
- Em finanças, analistas e corretores que lidam com rotinas de análise de dados e decisões baseadas em padrões serão superados por algoritmos preditivos;
- Na área da tecnologia, engenheiros de software e programadores veem ferramentas de codificação automática assumirem partes relevantes do trabalho;
- O mesmo ocorre no setor jurídico. A pesquisa de precedentes, análise de documentos e redação de contratos serão feitas em minutos pela IA;
- Contadores e auditores também estão no radar. Balanços, auditorias e declarações fiscais padronizadas são cada vez mais executadas por softwares especializados.
A boa notícia é que o trabalho não acaba, ele apenas muda.
Apesar do número expressivo de empregos em declínio, o estudo do Fórum Econômico Mundial traz um contraponto importante: 78 milhões de novas oportunidades serão criadas.
Como se manter relevante na próxima década
O risco não está em ter uma profissão específica, mas em manter uma atuação rígida, incapaz de evoluir com as mudanças e novas demandas do mundo real.
Não por acaso, uma das habilidades mais valorizadas, segundo o relatório, é a curiosidade e o aprendizado ao longo da vida.
E antes que pareça que a única saída é virar um especialista em tecnologia para garantir um salário, vale o alento: esse não é o único caminho.
As habilidades que mais crescerão até 2030 incluem tanto competências tecnológicas — como IA, big data, redes e cibersegurança — quanto habilidades cognitivas, como pensamento analítico, criatividade e liderança.