Nem lucro recorde salva: ações da Alphabet caem após resultados do 2T26; o que desagradou?
As ações da Alphabet ampliavam as perdas nesta quarta-feira (23), mesmo após a dona do Google divulgar resultados acima das expectativas para o segundo trimestre de 2026. Os papéis recuavam cerca de 6,7% em Nova York, em um movimento que indica que o mercado enxergou riscos por trás de um balanço operacionalmente forte.
Na avaliação dos analistas, a principal preocupação está na qualidade do lucro apresentado e no aumento dos investimentos em inteligência artificial. Embora a companhia tenha reportado lucro líquido de US$ 112,1 bilhões, grande parte desse resultado foi impulsionada por ganhos contábeis relacionados à valorização de participações em empresas como Anthropic e SpaceX.
Segundo a Empiricus, esses ganhos não representam geração efetiva de caixa, enquanto a Alphabet consumiu US$ 5,9 bilhões em fluxo de caixa livre no trimestre, mesmo após captar US$ 49,6 bilhões por meio de emissão de dívida.
Outro fator que pesou sobre o humor dos investidores foi a revisão para cima da projeção de investimentos. A Alphabet passou a estimar desembolsos entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões em capex em 2026, acima da previsão anterior, para acelerar a expansão de sua infraestrutura voltada à inteligência artificial. Para a Avenue, o ritmo desses investimentos continua sendo o principal ponto de atenção do mercado, já que tende a pressionar a geração de caixa nos próximos trimestres.
Além disso, a companhia adotou um tom mais cauteloso para o negócio de buscas. Durante a conferência de resultados, a administração alertou que o Google Search enfrentará comparações mais difíceis a partir do terceiro trimestre, uma vez que o desempenho da divisão acelerou de forma significativa no segundo semestre de 2025.
Resultados ‘sólidos’
Apesar da reação negativa das ações, os resultados operacionais foram considerados sólidos pelas duas casas de análise. A receita da Alphabet alcançou US$ 119,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima das estimativas do mercado.
O principal destaque ficou com o Google Cloud, cuja receita saltou 82%, para US$ 24,8 bilhões, impulsionada pela demanda por soluções de inteligência artificial. A empresa também informou que sua carteira de contratos da divisão de nuvem atingiu US$ 514 bilhões, reforçando a expectativa de continuidade do crescimento nos próximos trimestres.
A Avenue também destacou o avanço da plataforma Gemini, que alcançou 950 milhões de usuários ativos mensais e passou a processar 22 bilhões de tokens por minuto via API, ante 16 bilhões no trimestre anterior. Já a Empiricus ressaltou que, mesmo em meio ao forte ciclo de investimentos, as margens operacionais continuaram avançando, tanto no Google Services quanto no Google Cloud, evidenciando que a companhia segue expandindo a rentabilidade de seus principais negócios.
Para as duas casas, a força do Google Cloud e a resiliência do Google Search mostram que a Alphabet continua bem posicionada na corrida pela inteligência artificial.