Trabalho

No Instagram, bisneto de 12 anos encurrala José Sarney, 96, com pergunta sobre o fim da escala 6×1

05 jun 2026, 8:00 - atualizado em 04 jun 2026, 17:45
O ex-presidente da República José Sarney durante lançamento de livro (Alexandre Peregrino/Divulgação)

A discussão sobre o fim da escala 6×1 saiu dos campos sindical e Legislativo e chegou a uma das famílias mais tradicionais da política brasileira. De um lado, o ex-presidente José Sarney, de 96 anos. Do outro, Bruno, seu bisneto de 12 anos.

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Em relato publicado recentemente em seu perfil no Instagram – sim, mesmo quase centenário, Sarney é ativo publicador de conteúdo na rede social – ex-presidente contou que o jovem o questionou diretamente sobre ser contra ou a favor da proposta. Após tentar evitar a imposição de uma resposta, ele foi cobrado pelo bisneto e usou de suas habilidades políticas para sugerir ao jovem que expressasse sua própria opinião primeiro.

O garoto declarou-se favorável à proposta aprovada na Câmara dos Deputados e que tramita no Senado. Bruno considera a medida “mais justa”, definindo justiça como “trabalhar menos”. Diante do posicionamento, o bisavô confirmou que também apoia a redução da jornada, justificando sua visão não apenas por critérios de justiça, mas por razões de natureza social.

Ele concluiu a publicação com bom humor e afirmou que deseja aproveitar o momento para “gozar de um pouco de preguiça que eu não conhecia durante toda a vida (…) porque ninguém é de ferro”, resumiu o ex-presidente, que governou o País de 1985 a 1990

O impacto da nova jornada

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Para o mercado e para o setor de serviços, os mais afetados pela transição, o texto que tramitou na Câmara dos Deputados sob a articulação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), buscou um meio-termo para mitigar o aumento de custos das empresas.

A proposta original, que previa uma guinada das atuais 44 horas para 36 horas semanais com a redução da jornada 6×1 para 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de folga), amadureceu no Congresso. Na votação. o modelo aprovado prevê redução gradual para 40 horas semanais, com cindo dias de trabalho e dois dias de repouso remunerado.

Ao analisar o cenário econômico, Sarney endossou a tese do ministro do Supremo Tribunal de Federal (STF), Gilmar Mendes, de que o verdadeiro desafio da proposta não é escolher entre proteção social ou dinamismo econômico, mas sim compatibilizar os dois setores.

“Palmômetro” digital do Congresso

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Para Sarney, a mobilização digital que acelerou a tramitação da PEC materializa uma previsão feita por ele mesmo nos anos quando a Internet chegou ao Senado, na década de 1900. Três vezes presidente do Senado, o político afirma ter antecipado que a tecnologia transformaria a relação entre a sociedade e o poder de decisão.

O ex-presidente relembrou a obra Jornal de Timon, do historiador João Lisboa, para comparar a pressão atual das redes sociais com o “Palmômetro” da antiguidade, sistema que media a aprovação dos políticos pela intensidade das palmas em praça pública. Hoje, o “palmômetro” são os trending topics e os vídeos virais que pautam o Congresso e o ambiente de negócios.

Com grandes mercados globais já testando a redução da jornada para ganho de eficiência, a chancela de uma das figuras mais tradicionais da política brasileira sinaliza que a flexibilização do modelo 6×1 consolidou-se como um caminho sem volta na agenda econômica do país.

* Com supervisão de Gustavo Porto

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Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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