Nova Futura: Mercado se inclina na direção de Jair Bolsonaro
A 19 dias das eleições, os investidores estarão hoje na expectativa com a divulgação, à noite, da pesquisa nacional Ibope/Estadão/TV Globo. O mercado se inclina na direção de Jair Bolsonaro (PSL), diante da possibilidade de ele ir para o segundo turno com um candidato da esquerda, seja ele Fernando Haddad (PT) ou Ciro Gomes (PDT).
Conforme apurou o Broadcast, Haddad se movimenta para afastar o rótulo de que é o único candidato a perder para Bolsonaro no segundo turno e tenta ganhar o apoio das mulheres, que se mobilizam nas redes sociais contra Bolsonaro, e também sinaliza que pode conversar com o PSDB, mostrando capacidade de união.
Bolsonaro, por sua vez, usou sua filha de 8 anos em vídeo para fazer frente ao aumento da oposição das mulheres à sua candidatura. Mas, há dois anos, Bolsonaro brincou numa cerimônia que “no quinto filho deu uma fraquejada e veio uma mulher”.
Ontem, o mercado preferiu não se ater ao fato de que Haddad tem crescido nas pesquisas e colocou o foco no fortalecimento de Bolsonaro na pesquisa CNT/MDA, o que ajudou, junto com o exterior, a colocar o dólar à vista em queda, cotado a R$ 4,12 no fechamento.
O ambiente mais tranquilo nas praças internacionais em dia de agenda fraca pode colaborar para manter a calmaria no cenário local. Nesta manhã, as bolsas europeias e futuros de Nova York operam em leve alta, mesmo com o embate comercial entre Estados Unidos e China, uma vez que os investidores já tinham precificado há semanas que os EUA poderiam adotar mais tarifas sobre produtos chineses, o que se confirmou ontem à noite.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 10% sobre o valor de US$ 200 bilhões em importações chinesas, e essas tarifas aumentarão para 25% no início de 2019. Trump alertou ainda que se houvesse retaliação da China, os EUA imediatamente buscarão “a fase três, que são tarifas adicionais sobre aproximadamente US$ 267 bilhões de importações”.
Nesta madrugada Pequim respondeu que também adotará tarifas, mas não especificou os porcentuais almejados. Também nesta manhã, o petróleo opera em alta de mais de 1%, após relatos de que o governo da Arábia Saudita, que é líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), se declarou “confortável” com o barril do Brent na casa dos US$ 80,00. A terça-feira marca ainda o primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve anunciar amanhã a manutenção da Selic em 6,50% ao ano, segundo expectativa do mercado.