‘Nos EUA tem um presidente imprevisível e um tanto fanfarão’, diz Zema sobre Trump
O candidato do Novo a presidente da República, Romeu Zema, defendeu nesta quinta-feira (6) a negociação com os Estados Unidos para evitar embargos e tarifas contra o Brasil, mas defendeu retaliações contra os norte-americanos e chamou o presidente Donald Trump de “imprevisível” e “fanfarrão”. Durante sabatina com presidenciáveis na GloboNews, Zema disse que, caso seja eleito, irá aos EUA quantas vezes forem necessárias para discutir o comércio entre os dois países
“Eu irei lá quantas vezes forem necessárias, para conversar e ver o que o Brasil pode fazer e (adotar) sanções também. Não vamos ser capachos dos Estados Unidos e de ninguém”, disse. “Agora, você tem que lembrar que tem nos Estados Unidos um presidente imprevisível e um tanto quanto fanfarrão. Uma pessoa que está causando turbulência em boa parte do mundo e que em breve, provavelmente, não estará lá mais”.
Indagado se a responsabilidade pelo tarifaço adotado por Trump contra o Brasil recairia também sobre a família Bolsonaro, com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro comemorando as sanções, Zema foi curto na resposta.
“Com toda certeza. Se ele pode e gosta tanto de contribuir, deferia ter feito bem para os brasileiros”. O candidato tem poupado críticas à família do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, representado na corrida eleitoral pelo filho Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo Bolsonaro.
Trabalho infantil e mulheres
Na entrevista, Zema voltou ao tema do trabalho infantil e afirmou que não vê problemas em crianças entregarem jornal, como ele fez no passado, por exemplo. Ele voltou a defender o trabalho de maiores de 14 anos por meio dos programas de menor aprendiz, que precisa ser ampliado, na avaliação do ex-governador de Minas Gerais.
“Parece que criança não pode nem arrumar a cama que parece que está fazendo algo diferente. Entregar jornal não tem problema”, disse Zema. “Precisamos dar facilidade para jovens que querem trabalhar sem prejudicar nas escolas”, completou o candidato.
Sobre outra declaração polêmica, de que “mulheres têm outras atribuições em casa, como cuidar dos filhos”, Zema disse que deveria ter sido mais preciso na fala. Ele afirmou que se referia ao fato de que a maioria das mulheres cuidar de crianças e idosos, “mais de 80%”, e que generalizou. “Deveria ser mais preciso e ou totalmente favorável trabalhar.”
Defensor da publicidade de atos públicos, Zema afirmou que não deu transparência e proibiu a divulgação dos valores de isenções fiscais a empresas de Minas Gerais, incluindo R$ 2 milhões para a empresa da sua família, a Eletrozema, para evitar a concorrência de outros Estados.
“Se todos os Estados publicassem, eu publicaria, mas poucos publicaram. Você vai dar publicidade para que outros possam atrair investimentos?”, indagou. Segundo Zema, a isenção foi dada para setores, como o de e-commerce, no qual a Eletrozema trabalha com vendas.
Na entrevista, Zema voltou a repetir que reduziu entre estatais, autarquias e administração direta quase 50 mil cargos em pouco mais de sete anos no governo de Minas e que irá fazer quatro choques no Brasil na área fiscal caso seja eleito.
“Vou privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Só em Minas foram empresas. Farei uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária e melhorar programas sociais, com a economia de alguns trilhões de reais”.
Escolha do vice
Segundo Zema, a escolha do candidato a vice-presidente, o deputado federal General Girão (Novo-RN), para uma chapa pura, foi uma opção após o afunilamento das negociações externas e internas no último mês. “Ele é de outro estado, tem histórico que bate muito nessa questão dos Intocáveis (do Supremo Tribunal Federal), é ficha limpa e quero liberdade para mostrar essas aberrações que estão acontecendo”.