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Nova bolsa quer desafiar monopólio da B3: “Quem tem um, não tem nenhum”, afirma CEO da Base Exchange

30 abr 2026, 18:00 - atualizado em 30 abr 2026, 18:31

Após mais de uma década, o domínio da B3 no mercado acionário brasileiro está próximo de ser desafiado. Uma nova bolsa, sediada no Rio de Janeiro e controlada pelo fundo soberano Mubadala Investment Company, está na fase final de aprovação regulatória e prevê iniciar operações em 2027.

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“É quase uma revolução, mas, neste caso, é uma evolução, porque o modelo não é rompido, e sim o monopólio”, afirmou o CEO da Base Exchange, Claudio Pracownik, em entrevista ao programa Money Minds (assista à íntegra acima), apresentado pela jornalista Paula Comassetto.

Segundo o executivo, o projeto enfrentou entraves ao longo dos anos, como a falta de regulação e de vontade política, além de tentativas anteriores de outros players que acabaram gerando desânimo no mercado e alimentando uma “falta de fé” de que a iniciativa sairia do papel.

O que muda?

Para Pracownik, a mudança representa a consolidação da alternativa. “Imagine que você vai construir uma casa e chama um arquiteto que só te apresenta a cotação de uma loja. Mas outro profissional trabalha com várias lojas e te traz diferentes orçamentos para que você escolha o que prefere. O capitalismo exige essa opcionalidade”, explicou.

A expectativa é de que a concorrência gere benefícios estruturais, como estímulo à inovação, aumento da eficiência operacional e redução de custos. No caso específico da bolsa, o CEO da Base Exchange afirmou que a B3 já vem se movimentando diante da perspectiva de competição, com o lançamento de novos produtos e a busca por modelos alternativos de tarifação.

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“A gente observa que na Austrália, por exemplo, depois de 18 meses em que a concorrência foi instalada, o mercado tinha aumentado entre 10% e 15%. É uma decorrência lógica o aumento de volume”, disse.

Liquidez e juros

Em relação à liquidez, Pracownik afirma que a ideia de fracionamento é uma falácia. “O único fracionamento que vai existir é dos rendimentos dos participantes das infraestruturas de mercado. A B3, em tese, vai ganhar menos — mas o mercado é o mesmo”.

Ao comentar as projeções da Selic — hoje com as projeções acima daquilo esperado anteriormente, com o consenso tirando a taxa de 12% para cerca de 13% ao fim deste ano —, o CEO da Base Exchange afirmou: “Como brasileiro, me preocupa muito. Como CEO da nova bolsa, menos. Nosso plano de negócios foi estruturado com base no volume observado no ano passado, e esse volume já cresceu”.

Ele acrescentou que o avanço recente reforça uma visão mais otimista para a operação. A nova bolsa também pretende atuar no mercado de renda fixa no futuro.

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IPOs

A nova bolsa chega em meio à maior seca de IPOs no Brasil em quase 30 anos. Para Pracownik, a retomada das ofertas públicas iniciais esbarra em fatores macroeconômicos, como a Selic em 14,75% no momento da entrevista, pressões inflacionárias e a instabilidade global em razão de conflitos geopolíticos.

Esse ambiente dificulta a captação de investidores, o que ajuda a explicar tanto a ausência de IPOs recentes quanto a saída de companhias da B3 entre 2023 e 2024. O principal vetor desse movimento, segundo o executivo, é a combinação entre baixa liquidez e alto custo de capital, impactado pelos juros elevados.

“Tenho certeza de que a concorrência e a entrada da Base Exchange vão ampliar a liquidez e, portanto, tornar mais atrativa essa caminhada de retorno aos IPOs. Mas não necessariamente será o evento catalisador determinante”, afirmou.

Interesse internacional

No âmbito internacional, Pracownik afirma que há um diálogo frequente com investidores estrangeiros, hoje responsáveis por cerca de 40% a 50% do volume negociado na bolsa brasileira. Segundo ele, esse público tem recebido com otimismo a possibilidade de entrada de uma nova infraestrutura de mercado no país.

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O apetite é impulsionado tanto por potenciais inovações e novos produtos quanto pela redução de riscos operacionais e de continuidade, como falhas tecnológicas. Um dos pontos recorrentes nas conversas é a preocupação com a concentração atual.

“O que a gente ouviu muito lá fora é que só tem uma bolsa. É aquela história que a gente aprendeu com nossos avós: quem tem um, não tem nenhum”, afirmou.

Início das operações

O executivo ressalta que a nova bolsa irá operar com os mesmos ativos da B3, tendo o cash equities (mercado à vista) como primeiro foco da Base Exchange.

Segundo ele, os testes já foram realizados junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e o processo agora avança para a etapa com o Banco Central (BC), que iniciou conversas para definição do roteiro de validação. A aprovação depende dos colegiados do BC e da CVM.

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Após o aval regulatório, o prazo estimado é de até seis meses para o primeiro trade.

A expectativa é de início das operações no primeiro quadrimestre ou, no limite, no primeiro semestre do próximo ano.

“A gente está muito focado em tirar o carro da garagem, botar ele para andar. E a partir daí a gente vai buscar levar esse carro para diversos caminhos, todos que hoje em dia a B3 circula”, disse Claudio Pracownik.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.

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