Berkshire Hathaway

Nova era: o que esperar da primeira reunião da Berkshire Hathaway sem Warren Buffett no comando

01 maio 2026, 18:00 - atualizado em 01 maio 2026, 11:12
Berkshire Hathaway
(Imagem: REUTERS/Rick Wilking)

Neste sábado, 2 de maio, a comunidade global de investidores volta seus olhos para Omaha, no Nebraska, para a assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway.

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O evento de 2026 marca um divisor de águas histórico: pela primeira vez em décadas, o lendário Warren Buffett, aos 95 anos, não será a figura central no palco. O comando do encontro passa agora para Greg Abel, que assumiu o cargo de CEO no início deste ano

“Vai ser um evento especial porque ele marca justamente a passagem de bastão oficial”, afirma Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, que acompanhará o evento in loco.

Segundo o especialista, desta vez o mercado estará de olho em três pontos principais: legado, cultura e alocação de capital.

O desafio de manter o legado e a cultura

A grande expectativa dos investidores gira em torno da continuidade da filosofia que transformou a Berkshire em um colosso global. Segundo Yamashita, o foco do mercado estará em decifrar a mentalidade do novo sucessor.

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“O mercado vai tentar entender bastante como está a cabeça de Abel em relação à continuidade do legado de Warren Buffett e Charlie Munger em relação à cultura, em relação à filosofia de investimento da Berkshire, em como eles construíram todo esse colosso.”

Embora Buffett permaneça como presidente do conselho (chairman), a condução prática das perguntas e respostas será feita por Abel, acompanhado por Ajit Jain (chefe de seguros) e outros líderes operacionais, como Katie Farmer (BNSF Railway) e Adam Johnson (NetJets).

Mudanças na alocação de capital

Apesar do discurso de continuidade, já há indícios de ajustes na abordagem da companhia, especialmente no portfólio de investimentos.

Yamashita destaca que, historicamente, Buffett concentrou suas apostas em empresas americanas — uma escolha associada à sua preferência por negócios que compreendia profundamente. No entanto, movimentos recentes sugerem uma possível ampliação desse escopo.

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“A gente já vê as primeiras mudanças […] Eles passaram a investir em empresas listadas na bolsa japonesa, algumas do setor industrial, outras também do setor de seguros”, afirma. “Isso mostra a primeira nova fase da Berkshire.”

Além disso, a empresa tem mostrado maior conforto com o setor tecnológico, tendo adicionado uma participação na Alphabet no fim do ano passado.

Outro ponto relevante será a interpretação de Abel sobre o papel da Berkshire em um ambiente de mercado mais complexo — com juros elevados, maior dispersão de valuations e mudanças estruturais na economia global.

Pressão por resultados

A nova liderança assume em um momento desafiador. A chegada de Greg Abel ao comando da Berkshire Hathaway coincide com um momento de resultados mais pressionados, o que eleva o grau de escrutínio do mercado sobre sua gestão.

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Em 2025, o lucro operacional caiu cerca de 6%, enquanto o lucro líquido recuou 25%, refletindo principalmente a queda no desempenho do segmento de seguros e ajustes contábeis relevantes em investimentos — além de um tom mais cauteloso para crescimento em algumas linhas, como resseguros e seguros comerciais.

No quarto trimestre, a deterioração foi ainda mais evidente, com retração de cerca de 30% no lucro operacional, impactada por menor rentabilidade em seguros e pressões competitivas no setor.

E o caixa recorde?

Se, por um lado, os resultados recentes geram questionamentos, por outro, a Berkshire chega a essa nova fase com um trunfo difícil de replicar: um caixa recorde de aproximadamente US$ 373 bilhões — o maior da história corporativa americana.

Esse “colchão” foi construído ao longo de anos de geração robusta de caixa operacional combinada com uma postura defensiva, marcada pela venda líquida de ações e menor apetite por aquisições em um ambiente de valuations elevados.

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Para o mercado, este é um sinal ambíguo, que mistura força estrutural com dificuldade tática.

De um lado, o caixa elevado é visto como prova de disciplina e poder de fogo, garantindo liquidez para atravessar crises e aproveitar oportunidades — uma marca histórica da estratégia de Warren Buffett.

Por outro, também levanta dúvidas: em um mercado puxado por tecnologia, o acúmulo de recursos e a venda líquida de ações são interpretados por parte dos investidores como sinal de cautela excessiva e até como um freio de performance no curto prazo.

Nesse contexto, o caixa recorde ganha um novo significado sob a liderança de Greg Abel: tornou-se um teste direto de credibilidade. Mais do que o volume, o mercado quer entender como esse capital será alocado — se em aquisições, recompras ou manutenção da postura defensiva —, já que essa decisão deve moldar a percepção sobre a nova fase da companhia.

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Nova filosofia vem aí?

Os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 serão divulgados na manhã de sábado, pouco antes do início da sessão de perguntas, definindo o tom para o que muitos esperam ser um evento mais voltado a detalhes operacionais do que aos conselhos filosóficos típicos da era Buffett.

Tradicionalmente visto como uma aula aberta de investimentos, o encontro anual da Berkshire tende, neste ano, a assumir um papel ainda mais estratégico: oferecer as primeiras leituras concretas sobre o futuro da companhia sem o protagonismo direto de Buffett.

Mais do que respostas definitivas, investidores devem sair de Omaha com sinais — sutis, mas relevantes — sobre como a Berkshire pretende navegar sua próxima fase.

Horário e como assistir

O evento tem início às 10h30 (horário de Brasília), com a apresentação de informações sobre a Berkshire durante uma hora. Em seguida, às 11h30 haverá a primeira sessão de perguntas e respostas. Às 13h45, ocorre a segunda sessão de perguntas e respostas.

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O evento será transmitido ao vivo pelo site da norte-americana CNBC.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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