Taxas de DIs caem e curva de juros volta a precificar corte na Selic na próxima decisão do Copom
A curva de juros futuros engatou o quarto dia de quedas consecutivas com alívio nas tensões geopolíticas, em meio à piora das projeções de economistas para os principais indicadores macroeconômicos domésticos.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 12 pontos-base e fechou a 14,240% ante 14,360% do fechamento anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,330% ante 14,455% do fechamento anterior, recuo de quase 13 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, também caiu 4 pontos-base e terminou o dia a 14,155% ante 14,195% do fechamento da última sexta-feira (12).
O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, fechou em queda.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – terminou a 4,070% ante 4,085% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caiu para 4,473%, de 4,485% de ontem.
O que mexeu com os DIs hoje?
A curva de juros voltou precificar chance de corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece na quarta-feira (17).
O alívio na curva acompanhou o desempenho dos rendimentos dos Treasuries com melhora do sentimento dos investidores após anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã.
Na noite de ontem (14), os dois países chegaram a um acordo para encerrar a guerra iniciada há quase quatro meses, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações. O pacto também foi confirmado pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.
Segundo a Reuters, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento nesta segunda-feira. A cerimônia formal de assinatura, porém, deve ocorrer na próxima sexta-feira (19) e logo depois, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz deve aumentar significativamente, mas de maneira gradual.
O memorando de entendimento foi assinado pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, ainda de acordo com a agência de notícias.
O alívio nas tensões geopolíticas derrubou os preços do petróleo e aumentou o apetite a risco dos investidores, reduzindo o temor de choques inflacionários.
Por aqui, o mercado ainda dividiu as atenções com o Boletim Focus. As expectativas para a inflação voltaram a subir: a mediana para o IPCA de 2026 teve um novo ajuste e atingiu 5,30%, ampliando a distância em relação à meta do Banco Central, de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No caso da taxa básica de juros, a Selic também voltou a ser revisada para cima. A projeção para 2026 passou de 13,50% para 13,75%. Para 2027, a expectativa avançou de 11,50% para 12,00%. Já para 2028, a estimativa subiu de 10,00% para 10,25%, enquanto a projeção para 2029 foi mantida em 10%.