Novas tarifas dos EUA de 25% começam na próxima semana; isenções são mantidas
A nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre importações provenientes do Brasil terá início na próxima quarta-feira, dia 22 de julho, informou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês), na noite desta quarta-feira (15).
“As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias em relação aos problemas identificados nesta investigação”, afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado. Ele já havia antecipado a decisão do governo Trump poucas horas antes.
A medida contra o Brasil é a primeira da admnistração republicana de Donald Trump no âmbito da nova estratégia tarifária, após a anulação das tarifas recíprocas pela Suprema Corte dos EUA e que já gerou quase US$ 100 bilhões em devoluções de taxas consideradas ilegais.
A medida contra o Brasil é o resultado de investigações sobre supostas práticas comerciais desleais nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O escritório do USTR abriu cerca de 80 investigações comerciais, e uma nova onda de tarifas poderia ser imposta a dezenas de países, incluindo a China, a União Europeia, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e o México.
Em uma publicação em rede social, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tenta colocar a culpa em Lula pela taxação de seu país ao Brasil, afirmando que o presidente brasileiro “colocou seu ego à frente do país”. Rubio é considerado uma pessoa da ala mais ideológica do governo Trump, com forte relação com político de direita do Brasil e América Latina.
“O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio.
Governo acionará reciprocidade
A nova taxação de 25% já era esperada pela administração Lula e seu anúncio teve resposta imediata do governo brasileiro. Em uma nota à imprensa na noite de ontem, o Palácio do Planalto repudiou a decisão do governo Trump e afirmou que o “dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.
“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, afirma a nota brasileira.
Segundo fontes do governo brasileiro, houve mais de 30 contatos, presenciais, virtuais ou por telefone, desde o anúncio do tarifaço original, nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Somente com Greer e secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foram 11 contatos, disseram.
“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz o comunicado emitido pelo governo Lula.
Isenções
As tarifas se aplicariam a milhares de importações brasileiras, incluindo açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço.
Os EUA afirmaram que isentariam todos os produtos propostos para isenção no aviso de junho, exceto alguns itens como polpa de dissolução de alta pureza e aplicações não farmacêuticas de certos produtos.
As isenções incluem carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves e peças de aeronaves.
Os EUA também adicionaram mel orgânico, ferro gusa, café instantâneo sem sabor e alguns outros produtos à lista de isenções de ontem quarta-feira.
Tarifas ainda podem aumentar
A investigação contra o Brasil, aberta em julho do ano passado, citou várias supostas práticas desleais, incluindo desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, que, segundo o governo dos EUA, prejudica as empresas de cartão de crédito.
O Brasil rejeitou veementemente todas as alegações.
O Brasil também foi incluído em uma investigação separada da Seção 301 conduzida pelo USTR, com conclusão prevista para 24 de julho, sobre ligações com trabalho forçado nas cadeias de suprimentos de dezenas de países.
A investigação poderia resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga tributária total para os produtos brasileiros a 37,5%.