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Nubank (NUBR33): Prefira papéis de bancões que paguem dividendos, dizem analistas

17 maio 2022, 19:00 - atualizado em 18 maio 2022, 2:47
Nubank
Ação cara continua fazendo os analistas virarem a cara para o Nubank (Imagem: Nubank/Divulgação)

O Nubank (NU) divulgou seus resultados do primeiro trimestre e deixou o mercado dividido. Enquanto uns enalteceram a elevação da receita, que disparou 226% e superou as expectativas, outros analistas avaliam que ação está cara e pode cair mais.

O prejuízo de US$ 45 milhões também veio menor que o esperado. Em Nova York, a ação do Nubank caiu 7%. Após a divulgação dos números, na noite da última segunda-feira (16), a ação chegou a subir 8%, o que só demonstra como investidores parecem “perdidos” em relação aos números.

Com a queda, o Nubank passou a valer menos que o Banco do Brasil em valor de mercado. Ao todo, o roxinho já perdeu mais de R$ 141 bilhões em valor desde o IPO.

Para o BTG Pactual, que recomenda venda das ações, o Nubank reportou resultados muito fortes no primeiro trimestre, “mostrando um crescimento impressionante em praticamente todos os lugares que olhamos”.

De fato: o número de clientes atingiu 59,6 milhões, um aumento de 11% no trimestre, com uma ativação alta de 78%; a carteira de crédito total cresceu 34% no trimestre, com o crédito pessoal se expandindo 44%; e média a receita por cliente (ARPAC) surpreendeu positivamente, levando a receita total superar a estimativa do consenso em 16%.

Além disso, o BTG lembra que o custo para servir (CTS) melhorou e os NPLs (inadimplência) ainda parecem estar sob controle, apesar do aumento (na sazonalidade, um efeito misto e alguma deterioração macro).

Sidney Lima, analista da Top Gain, chama a atenção para o crescimento da base de clientes tanto no Brasil quanto no México, e, principalmente, o aumento da receita média por cliente.

“Essa receita é um dos principais pontos, inclusive utilizados para precificação ideal de empresas no segmento financeiro”, coloca.

No meio do caminho do Nubank tinha uma pedra

Porém, tudo isso esbarra em um aspecto muito importante: o macroeconômico ruim. E quem diz isso é o próprio BTG.

“Considerando como o mercado mudou e a potencial deterioração do ciclo de crédito no Brasil, principalmente para empréstimos ao consumidor sem garantia/mutuários de baixa renda, não ficaríamos surpresos se os investidores optassem por ver o copo meio vazio”, coloca.

Os analistas do banco colocam que a carteira de empréstimos remunerados, que inclui cartão de crédito rotativo e empréstimos pessoais mais arriscados, cresceu muito acima das expectativas, para impressionantes US$ 3,1 bilhões.

“Em um ambiente de inflação e juros muito mais altos, e com uma eleição presidencial pela frente, essa parece uma estratégia muito “ousada”, para dizer o mínimo. Mas o tempo dirá se compensa ou não”, completam.

Lima, da Top Gain, diz que o investidor questiona até que ponto a qualidade dessas concessões de crédito de forma não saudável poderá impactar consideravelmente os próximos resultados, com a instituição já fazendo um aumento da provisão de perdas.

A inadimplência de crédito ao consumidor (relacionada a empréstimos pessoais e de cartão de crédito) para a operação brasileira aumentou durante o trimestre, com o índice de inadimplência 90 dias subindo 70 bps (pontos-base) trimestre a trimestre, para 4,2%.

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O Nubank continua sendo uma incógnita, quanto a perspectiva de lucro para o curto prazo (Imagem: Shutterstock/Wirestock Creators)

Ação continua cara; existem opções melhores

Por mais que os analistas ressaltem os pontos positivos do Nubank, como o crescimento extraordinário dos últimos anos, o problema continua o mesmo: ação cara.

“Somos grandes fãs da história, da marca e do produto, mas negociando a 4,2x o valor patrimonial mais recente e considerando o fim do lock-up (o que pode criar um overhang por um tempo devido ao free float muito baixo), ainda acreditamos que nossa recomendação de venda faz sentido”, coloca o BTG.

Na visão de Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante Ideias de Investimentos, a queda dos papéis do Nubank é apenas uma correção dos preços excessivos do IPO.

“Tínhamos um múltiplo elevadíssimo que até poderia fazer sentido em um mundo que seria bem diferente do atual.  Ao comparar com bancos que já entregam lucros e dividendos consistentes e o juro subindo, gera um valor presente dos fluxos de caixas futuros muito menores. O mercado percebe e ajusta o preço rapidamente”, coloca.

Para Lima, da Top Gain, o Nubank continua sendo uma incógnita, quanto à perspectiva de lucro para o curto prazo.

“Quanto a investimento, considerando o setor, perspectivas de crescimento, margem de lucro por cliente e inadimplência, considero que tenhamos melhores oportunidades no segmento financeiro”, diz.

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Money Times publica matérias de cunho jornalístico, que visam a democratização da informação. Nossas publicações devem ser compreendidas como boletins anunciadores e divulgadores, e não como uma recomendação de investimento.

Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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